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Porto Novo: Dívida de 120 mil contos leva APN a cortar água por tempo indeterminado 13 Agosto 2015

A empresa Águas de Porto Novo (APN), responsável pela produção da água potável que abastece as residências na Cidade do Porto Novo, Santo Antão, vai suspender a partir do próximo sábado, 15 de Agosto, a produção de água por um período indeterminado. Motivos alheios ao controlo da empresa e insustentabilidade financeira reincidente que resultou numa dívida de 120 mil contos são apontados pela empresa como as causas dessa “medida extrema”.

Porto Novo: Dívida de 120 mil contos leva APN a cortar água por tempo indeterminado

A empresa explica que “a insustentabilidade financeira da empresa deriva essencialmente da falta de tesouraria provocada única e exclusivamente pelo aumento da dívida por parte da Câmara Municipal do Porto Novo perante a APN, que no fim do mês de Julho alcançou os 120 milhões de escudos”, cita a nota, que avança ainda que “a falta de tesouraria impede actualmente a empresa de dar resposta aos encargos com os custos operacionais da IDAM (Instalação de Dessalinizadora de Água do Mar).

A APN pontua que ao longo dos últimos anos, recorreu a inúmeros financiamentos externos para manter a produção de água na cidade, tanto a nível de continuidade, segurança quanto da qualidade.

Diz ainda que “antes de tomar a decisão de suspender os serviços, recorreu a todos os canais de diálogo com a Câmara Municipal do Porto Novo para solucionar pacificamente a questão e manter a unidade de produção operacional, pois, os accionistas Estado de Cabo Verde e a Águas de Ponta Preta (APP), têm assumido todos os passivos para manter a continuidade do serviço ao longo dos últimos sete anos”.

Por esta razão, a empresa lamenta ter de tomar esta decisão que é "extrema, mas confia na reacção dos organismos envolvidos para que a produção de água dessalinizada seja retomada o mais urgente possível”.

Em declarações à imprensa estatal, a edil do Porto Novo, Rosa Rocha, considerou que a dívida é fictícia e tranquilizou os munícipes dizendo que a suspensão não vai se concretizar.

“Pedimos aos munícipes que se mantenham tranquilos, porque isso não vai acontecer”, sublinhou Rosa Rocha, considerando que a APN não tem razão para suspender a produção de água na cidade. Rosa Rocha alega que a Câmara Municipal do Porto Novo tem feito um “esforço enorme para estancar o problema, com melhorias introduzidas na rede e instalação de contadores de alta precisão para reduzir as perdas”.

Ainda assim, a autarca promete amortizar parte dessa divida, mas diz que o problema só ficaria resolvido, definitivamente, caso, para além da produção, a APN assumisse também a distribuição e comercialização de água na cidade do Porto Novo.

Os responsáveis da empresa não gostaram da reacção da edil e emitiram um novo comunicado esta quarta-feira, 12, considerando as acusações de Rosa Rocha como "graves".

A APN diz que "não quer valorar os dados apresentados pela autarca porque não estão sustentados por uma contabilidade organizada nem auditada externamente, mas explica que são facilmente desmontados através de critérios e indicadores credíveis e confiáveis”.

A APN lamenta as declarações de Rosa Rocha, cuja Câmara que dirige é também accionista. Considera que ao dizer que a “empresa factura valores que não correspondem à realidade, a edil lesou tanto a reputação como a honra da empresa e das pessoas singulares que estão à frente dela, e por isso, promete proceder nos termos legais para repor a verdade”, escreve a nota.

Diz ainda que sempre houve interesse em fazer a distribuição da água na rede pública e tal só ainda não aconteceu porque a Câmara do Porto Novo nunca respondeu aos pedidos de informações preliminares (o último tem data de 31 de Julho), para que a empresa possa elaborar um plano de negócios.

A empresa reitera que vai cumprir a decisão de suspender a produção de água caso a Câmara Municipal não cumprir as condições apresentadas na carta de pré-aviso. Pois, os problemas de tesouraria são resultado do incumprimento da edilidade que não paga mais de 67% das facturas, quando a mesma tinha comprometido estabilizar a dívida neste mandato.

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