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Porto Novo: Produtos das zonas agrícolas ainda livres de mil pés podem ser exportados sem restrições 01 Julho 2017

Os produtos cultivados nas zonas agrícolas ainda livres da praga dos mil pés no Porto Novo, Santo Antão, podem, segundo um despacho da Inforpess, vir a ser exportados, sem restrições, para os mercados nacionais, uma questão que está a ser analisada pelo Governo.

Revela o referido órgão que o Tarrafal de Monte Trigo, Martiene, Chã de Norte e Chã de Branquinho são os vales ainda livres da prgra dos mil pés, cujos excedentes, além das ilhas turísticas, podem passar a ser exportados para outros mercados nacionais, com destaque para Santiago, um assunto que está a ser ponderado pelo Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA).

Avança a mesma fonte que, na sua recente visita a Santo Antão, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, confirmou que é intenção do Governo “estudar os mecanismos” e ver a possibilidade de os produtos provenientes desses vales circulem livremente nos mercados nacionais.

Trata-se, segundo o chefe do Governo, de uma medida que terá grande impacto na vida dos agricultores e da própria agricultura no Porto Novo, que se assume, cada vez mais, como o maior produtor de horticultura em Santo Antão, já que aumenta a capacidade de absorção, por parte dos mercados nacionais, dos excedentes cultivados nessas localidades, de grande potencial agrícola.

Diz a Inforpess que que o MAA está, igualmente, a criar as condições para o melhor aproveitamento do centro de expurgo do Porto Novo, instalado em 2010, para contornar o problema do embargo, imposto aos produtos agrícolas de Santo Antão, desde 1984.

A má localização desse centro, que fica nos arredores da cidade do Porto Novo, tem sido a principal razão da sua sub-utilização, segundo o MAA, que promete criar as condições para que essa infra-estrutura seja melhor aproveitada.
Segundo os agricultores em Santo Antão, o embargo imposto, há mais de três décadas, aos produtos agrícolas de Santo Antão, devido à praga de mil-pés, está a “sufocar” a classe, que insiste na necessidade de o Governo proceder ao levantamento dessa medida de quarenta.

No concelho do Porto Novo, graças aos investimentos realizados na mobilização de água, nos últimos anos, a agricultura, particularmente a horticultura, está a ganhar “uma grande dinâmica”, segundo os agricultores, para quem “o embargo continua a estrangular” o sector.

O Governo, com a entrada em funcionamento do centro de expurgo do Porto Novo e com a formação de 30 inspectores, procedeu, a partir de 2013, ao levantamento parcial do embargo, restringindo a exportação dos excedentes apenas aos mercadores turísticos emergentes da Boa Vista e do Sal.

Embargo e prejuízos para agricultores

Os produtores agrícolas santantonenses defendem que o embargo “deve ser revisto” e permitir que “os produtos agrícolas de Santo Antão voltem a circular, livremente, pelas ilhas de Cabo Verde”.

O edil do Porto Novo, Aníbal Fonseca, aproveitou a estada do chefe do Governo em Santo Antão, nos últimos dias, para pedir que ” a questão do embargo” seja revista “mais profundamente”, diferenciando os vales ainda sem a praga dos mil pés.
Segundo o autarca, é possível que produtos dessas localidades sejam exportados “sem o risco de contaminação”.

A praga dos “mil-pés” surgiu em Santo Antão nos finais dos anos 70, vinda da Europa em plantas de jardim, trazidas por um agricultor santantonense.

Com a sua proliferação, e como forma de impedir o seu alastramento às outras ilhas, as autoridades decretaram, em 1984, o embargo aos produtos agrícolas de Santo Antão, medida que foi sempre contestada pelos agricultores.

Desde então, a agricultura, enquanto principal actividade económica de Santo Antão, entrou em “claro declínio”, devido à perda de mercado, segundo os produtores.

A operacionalização do centro pós-colheita, em 2013 (foi instalado em 2010), acabou por minimizar o problema de mercado, mas, conforme conclui a Inforpress, os agricultores tem estado a pedir o fim da quarentena, sem quaisquer reservas.

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