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Portugal recebe pedido de desculpa por polémico jantar da ‘Web Summit’ no Panteão Nacional 12 Novembro 2017

"Querido Portugal, peço desculpa. Sou irlandês. Culturalmente temos uma abordagem muito diferente da morte. Nós celebramo-la, o que não é a abordagem correta em Portugal. Amo este país como uma segunda casa e jamais faria algo para ofender os grandes heróis portugueses do passado", lê-se, desde sábado, 11, no Twitter de Paddy Cosgrave, fundador da ‘Web Summit’ a cimeira tecnológica que esta semana teve lugar em Lisboa.

Portugal recebe pedido de desculpa por polémico jantar da ‘Web Summit’ no Panteão Nacional

O motivo para esta mensagem pessoal (à qual se anexou um comunicado mais formal) é a onda de indignação que varreu Portugal, expressa sobretudo via redes sociais, desde sexta-feira, dia do jantar no Panteão Nacional a encerrar a oitava edição da ‘Web Summit’ – a cimeira tecnológica que na semana de 6 a 9 animou, pela segunda vez, a capital portuguesa.

A utilização festiva do Panteão Nacional, que é lugar de memória acolhendo os restos mortais dos homens e mulheres mais ilustres de Portugal, deixou indignados os portugueses e o próprio primeiro-ministro classificou-a como “absolutamente indigna”.

A organização divulgou em comunicado: "Pedimos desculpa por qualquer ofensa causada. O jantar foi organizado segundo as regras do Panteão Nacional e realizado com respeito. A ‘Web Summit’ estava a tentar honrar a História de Portugal e permitir aos nossos convidados” do ’Founders Summit’ (Cimeira dos Fundadores) que reúne presidentes executivos, fundadores de empresas e ‘startups’, investidores de alto nível, entre outras personalidades – “disfrutar do seu passado. Culturalmente, os irlandeses celebram a morte, e em eventos passados o jantar mais importante com os fundadores (da cimeira) aconteceu na Catedral de Dublin, a maior cripta do Reino Unido e da Irlanda. Pedimos desculpa por termos tentado celebrar os ’Founders’ desta forma".

Cultura da (des)responsabilização – Governos arremessam a bola

O governo sacudindo a água do capote referiu que tal utilização estava enquadrada na lei, por despacho do anterior executivo social-democrata. Daí promete nova lei sobre o uso do Panteão “para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória coletiva e os símbolos nacionais”.

Do lado do anterior governo, o PSD reagiu: “Não vale a pena tapar o sol com a peneira e dizer que isto é responsabilidade do governo anterior. Não é verdade. É mentira. Responsabilidade do governo anterior foi a regulamentação da utilização dos espaços culturais. Responsabilidade do senhor primeiro-ministro e do seu Governo foi a autorização concedida à organização” da cimeira “para realizar um jantar no Panteão Nacional”, disse o vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Social-Democrata (PSD) Sérgio Azevedo, em declarações à agência noticiosa portuguesa.

Fontes: Twitter, Lusa. Foto Twitter de Paddy Cosgrave: Jantar na cerimónia de encerramento da cimeira tecnológica, na cripta do Panteão Nacional de Lisboa, 10.11.017.

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