POLÍTICA

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Praia: Milhares em protesto contra o estatuto dos políticos 31 Mar�o 2015

Os praienses saíram na tarde desta segunda-feira equipados com cartazes, apitos, tambores e a voz afinada para expressarem o seu desagrado para com o Estatuto dos Cargos Políticos. Milhares de pessoas, um marco histórico em manifestações do género na capital do país. “Rabuliço a sério”.

Praia: Milhares em protesto contra o estatuto dos políticos

Foi uma enchente que se fez ouvir de forma ensurdecedora. Um leque considerável de opções, desde frases bombásticas, apitos, gritos, cartazes, bandeiras, trajes a evocar Amílcar Cabral, tudo com um objectivo comum: Dar um rotundo Não ao novo Estatuto dos Titulares dos Cargos Políticos e dizer que povo quer o seu mandato de volta porque não acredita mais nos representantes que escolheu para agirem em seu nome. E as mensagens não eram nada abonatórias ao que consideram usurpação do poder por parte dos deputados nacionais, de todos os partidos. A condenação era unânime, como a condizer com a unanimidade com que o parlamento cabo-verdiano aprovou o diploma que aumenta em 65% o salário dos políticos para "dignificar" a classe - iam desde "Vergonha nacional" a “parlamento ta da povo caçubodi”.

Uma moldura humana de jovens e menos jovens, gente de todas as classes sociais, que deu a volta à Casa Parlamentar como que a fechar o cerco. A mensagem foi com certeza passada: o povo não confia mais na sua classe política. Uma manifestação que juntou muita gente mas que decorreu de forma tranquila, não obstante a revolta. A “batucada” fez-se ouvir quando as vozes enfraqueciam.

A coisa não ficou entretanto confinada à Assembleia, a massa (embora em menor expressão mas não menos barulhenta) ainda passou pelo Palácio do Governo e subiu ao Plateau para dizer à Presidência da República que está de olho no papel que o Chefe de Estado vai jogar nós próximos dias.

Sal grita "vergonha nacional"

Já na ilha do Sal a manifestação tinha menos gente mas a onda da revolta seguia o ritmo do país. Entre 400 e 500 pessoas protestaram na Cidade dos Espargos contra o que consideram a “vergonha nacional”.

Santa Catarina quer que o povo também tenha dignidade.

Assomada, Santa Catarina, também bateu as suas marcas em termos de manifestantes -muito mais gente do que era esperado nas ruas, sobretudo jovens, mas também mulheres e homens de meia idade. A mesma revolta e uma pergunta que não se calava na boca de todos: por que só os políticos têm de ser dignificados. E as outras classes, o povo que dizem representar como é que fica?

Sanny Fonseca

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