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Presidente da AN alerta sobre ausência de políticas consistentes para o IV Poder: Comunicação social em Cabo Verde nunca terá sustentabilidade enquanto não se definir uma política clara para o sector 19 Agosto 2017

O presidente da Assembleia Nacional (AN), Jorge Santos, advogou, quinta-feira, no Porto Novo, a necessidade de se adoptar “uma política clara e efectiva” para a comunicação social em Cabo Verde, como forma de se conseguir a almejada sustentabilidade do IV Poder no país.

Presidente da AN alerta sobre ausência de políticas consistentes para o IV Poder: Comunicação social em Cabo Verde nunca terá sustentabilidade enquanto não se definir uma política clara para o sector

Estas observações do chefe da Casa Parlamentar são vistas como um olhar crítico ao sector dirigido pelo ministro da Cultura e Indústrias Criativas. É que a par dos conflitos com a classe de Jornalista, Abraão Vicente ainda não tomou nenhuma medida de políticas substancial - abundam apenas discursos - para a área da comunicação social, especialmente para o sector privado que passa por momentos altamente críticos – a presidente da ARC fez recentemente observações neste sentido.

Conforme apurou o Asemanonline, a situação é critica mesma a nível dos órgãos públicos, que têm financiamento garantido através do OGE do Estado. Foi por isso que o jornalista Carlos Santos bateu com a porta - ficou mais de um ano sem a verba necessária para implementar o seu plano de reforma que tinha para a Inforpress -Agência de Notícias de Cabo Verde, que foi gestor único.

Tendo em conta o quadro acima descrito, o presidente da AN defendeu políticas públicas mais consistentes para o sector. “Nunca vamos ter uma comunicação social com sustentabilidade em Cabo Verde, enquanto não definirmos claramente uma política efectiva para o sector”, avançou, segundo a Inforpress, Jorge Santos, durante o acto de apresentação do livro “Megafone do Poder”, do jornalista Carlos Santos na cidade do Porto Novo.

O presidente do Parlamento, que apresentou uma comunicação sobre a aproximação do Parlamento à sociedade, admitiu que o Governo, no seu programa da legislatura “traz algumas pistas e orientações” sobre a comunicação social que, a seu ver, “devem ser agora transformadas em políticas e programas consistentes” para este sector que enfrenta ainda “muitos desequilíbrios”.

Neste aspecto, Jorge Santos considera que o livro “Megafone do Poder” propõe “uma análise profunda” sobre a estruturação da comunicação social em Cabo Verde e traz pistas do que é necessário fazer para se ter “uma verdadeira política de comunicação social” no país.

Aproximação entre AN e sociedade

Entretanto, o presidente da AN falou também da aproximação que se pretende alcançar entre o Parlamento e a sociedade, desiderato que se espera concretizar com as reformas em curso da “casa parlamentar”.

“O parlamento, no âmbito das reformas em curso, quer abrir-se à sociedade. Já aprovamos alguns instrumentos de reforma, como o regimento. Outros instrumentos estão sendo discutidos como o estatuto dos titulares dos cargos políticos e a lei das incompatibilidades”, explicou Jorge Santos citado pela agência cabo-verdiana de noticias.

Com a reforma, o nível do debate político vai elevar-se no Parlamento cabo-verdiano, admitiu, destacando a possibilidade de o primeiro-ministro ir ao Parlamento, mensalmente, para o debate com os sujeitos parlamentes de matérias de interesse para a Nação.

Segundo a Inforpress, Jorge Santos referiu-se ainda à abertura a nível dos municípios de “casas do Parlamento”, a primeira das abertas, recentemente, na ilha no Sal, no quadro de uma parceria entre a AN e a edilidade salense.

Aproveitou a sua estada no Porto Novo, município que deve, ainda este ano, receber uma conferência sobre o Parlamento e a Sociedade, promovida pela AN, para desafiar o edil a disponibilizar um espaço idêntico para que os deputados eleitos por Santo Antão possam receber e interagir com os eleitores.

A apresentação do livro “Megafone do Poder” esteve a cargo do jornalista Nuno Ferreira (escreveu o prefácio), que destacou a “qualidade efectiva” da obra, a qual resulta de vários anos de reflexão sobre a comunicação social em Cabo Verde e permite ter “uma visão ampla” sobre este sector.

“O Megafone do Poder”, segundo o seu autor, citado pela Inforpress, não é um livro de investigação científica e nem académico, mas um conjunto de textos de reflexões que tem vindo a fazer sobre a comunicação social em Cabo Verde, com ênfase na sua evolução e desafios, desde 2003 até 2015.

Segundo Carlos Santos, que aproveitou para falar do “calcanhar de Aquiles” da imprensa em Cabo Verde que tem a ver com a falta de especialização dos jornalistas, explicou que o livro fala sobre o sector da comunicação social em si e nos vários domínios, desde a escrita, passando pela rádio, televisão e os “online”. C/Inforpress

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