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Presidente da SONERF: Dívida de 213 milhões herdadas do antigo INERF junto da Previdência Social é grande empecilho ao desenvolvimento da empresa 10 Fevereiro 2017

“As dívidas herdadas do antigo INERF - 213 milhões de escudos - junto do Sistema de Previdência Social constituem um grande empecilho ao desenvolvimento da SONERF”. Assim considera o presidente da Sociedade Nacional de Engenharia Rural e Florestas – Entidade Pública Empresarial (SONERF), Alcides Horta, que espera que a decisão que vier a ser tomada pelo actual Governo seja a “que melhor se ajusta à empresa e aos desafios que o país precisa vencer neste sector”. Mas, apesar disso, Horta garante que os caminhos percorridos dão sinais claros de que a SONERF está a transformar-se numa grande empresa.

Presidente da  SONERF: Dívida de 213 milhões herdadas do antigo INERF junto da Previdência Social é grande empecilho ao desenvolvimento da empresa

O presidente da SONERF(ex-Instituto Nacional de Engenharia Rural e Florestas – INERF), explica, num balanço dos três anos de mandato, que quando ele e a sua equipa assumiram a empresa em Dezembro de 2013, além dos problemas mais básicos como a incapacidade de honrar o pagamento dos salários, as instalações indignas a todos os títulos, a falta de equipamentos de trabalho, entre outros, o resultado do exercício daquele ano era negativo, superior a sessenta milhões de escudos”.

Nessa altura, informa Alcides Horta, o funcionamento da empresa era assegurado pela via da assinatura do contrato programa com o MDR-Ministério de Desenvolvimento Rural , não na lógica de prestação de serviço, mas sim numa perspectiva de financiamento.

"Durante a nossa gestão, invertemos esta lógica ao ponto de passarmos a antecipar o financiamento das obras, entregar, facturar e esperar pela liquidação da factura. Prova disso são as facturas pendentes de recebimento junto do Ministério da Agricultura e Ambiente em valores próximos de vinte milhões de escudos, cujas obras foram concluídas e entregues a sensivelmente um ano”.

Mais de 213 milhões de escudos de dívida para com INPS

Porém, as dívidas com INPS continuam a ser um entrave à sustentabilidade da empresa.O valor ultrapassa os 213 milhões de escudos - de 1997 a Julho de 2013. Alcides Horta afirma que a SONERF tem vindo a amortizá-las, mas alerta que esta situação deverá ser resolvida pelo Governo - se este efectivamente decidir pela manutenção desta empresa -, como condição para garantir a sua sustentabilidade.

Horta entende, entretanto, que ainda ficou por fazer o saneamento financeiro da empresa, condição essencial para permitir a realização de investimentos em capital fixo capaz de alavancar o desenvolvimento sustentado da empresa. Esta fase, diz, ainda está nas mãos do accionista – o Estado.

“Trabalhamos, mas não conseguimos implementar como desejaríamos o novo modelo de negócio da SONERF. O modelo de negócio desenhado para a empresa, implica necessariamente a decisão do Governo, quer em relação ao portfólio de produtos e serviços quer em relação aos investimentos necessários e respectiva fonte de financiamento. È de se referir que esses instrumentos já foram partilhados com a tutela desde Junho passado”, diz Alcides Horta referindo ainda a importantes instrumentos de gestão da empresa que ficaram por implementar.

“Referimo-nos aos Estatutos do pessoal, ao Plano de cargos, carreiras e salários e aos sistemas de avaliação de desempenho e recompensa. A manutenção e reparação das infraestruturas hidráulicas, é uma das áreas forte da actuação da SONERF. Esses serviços devem ser assumidos pelo Governo como serviço público, e como tal, encontrar a via do seu financiamento estável, na medida em que neste sector, não se aplica a lógica do consumidor/pagador. Existe a real tentação de repassar esta actividade ao sector privado, mas nem por isso o estado fica ilibado da responsabilidade do seu financiamento por motivo que acima apontamos. Esta constitui umas das preocupações que tanto gostaríamos de ver resolvida”, exorta Alcides Horta.

SONERF a bom caminho

Apesar dos problemas ainda por resolver, Alcides Horta é um homem optimista e seguro de que durante esses três anos, a equipa que dirige colocou de pé a SONERF, dando-lhe a dignidade que merece, recuperou a confiança dos seus parceiros e a auto-estima dos trabalhadores que, assegura, “hoje nenhum aceitará, passivamente, uma hipotética extinção desta empresa, algo que uns anos atrás era comumente aceite no seio dos mesmos” .

Horta afirma que a SONERF está a transformar-se numa grande empresa com sinais claros de progresso. Em 2014 e 2015, além dos investimentos realizados na empresa com recursos próprios, a instituição registou resultados positivos encorajadores. “Porém, o ano de 2016, teremos resultados que contrariem em absoluto, os anos de 2014 e 2015".

Entre Setembro de 2015 a Agosto de 2016, vai dizendo Alcides Horta, a empresa realizou obras estruturantes ligadas às infraestruturas hidráulicas, acessos às propriedades agrícolas e não só, no valor superior a 88 milhões de escudos. Estas obras visavam repor as infraestruturas hidráulicas danificadas pelas chuvas de Setembro de 2015, que afectaram principalmente as ilhas de Santiago, Santo Antão, Fogo e São Nicolau.

Na procura de melhoria da capacidade de geração de receitas com vista a gradual independência em relação às receitas provenientes de investimentos públicos, o presidente da SONERF informa que a sua direcção projectou uma oficina para reparar e fazer a manutenção auto e de serralharia, virada sobretudo para prestar serviços às entidades públicas e particulares.

“A ideia era aproveitar as infraestruturas endógenas existentes e adaptá-las a este fim. Remodelamos o espaço, damos os primeiros passos na prestação destes serviços, mas são precisos investimentos para o upgrade necessário”, remata Alcides Horta, que ainda aguarda pela nomeação do novo conselho de administração e por uma resposta do Governo quanto aos destinos a dar à SONERF.

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