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Primeiro-Ministro: Cabo Verde já mobilizou quase totalidade dos 8 MEuros de plano de emergência para seca 11 Novembro 2017

O primeiro-ministro cabo-verdiano apelou, hoje (10), à calma relativamente aos efeitos da seca e do mau ano agrícola, adiantando que o Governo já mobilizou a quase totalidade dos 8 milhões de euros do plano de emergência.

Primeiro-Ministro: Cabo Verde já mobilizou quase totalidade dos 8 MEuros de plano de emergência para seca

"Temos 8 milhões de euros programados, já temos indicações muito claras de alguns parceiros relativamente a concretização, mas só irei anunciar quanto este dossiê estiver fechado. Mas seguramente mais de 7 milhões já estarão garantidos", afirmou Ulisses Correia e Silva.

O primeiro-ministro falava à imprensa, em São Lourenço dos Órgãos, durante uma visita que efetuou ao interior da ilha de Santiago para se inteirar da situação agropecuária nessa região, uma das mais afetadas pela falta de chuva este ano no país.

Para mitigar os efeitos da seca e do mau ano agrícola, o Governo cabo-verdiano elaborou um programa de emergência, avaliado em cerca de 8 milhões de euros, que será executado juntamente com as câmaras, criadores, agricultores e associações.

Quinta-feira, a embaixada dos Estados Unidos em Cabo Verde enviou um comunicado à imprensa informando que o país já disponibilizou 50 mil dólares do Fundo de Assistência Internacional para Desastres (IDA) a Cabo Verde para apoiar as populações afetadas.

Além dos 50 mil dólares, Ulisses Correia e Silva avançou que o Governo já conseguiu mobilizar mais de 7 milhões de euros, a quase totalidade dos 8 milhões de euros, adiantando que o milhão em falta estará no Orçamento do Estado para o próximo ano.

Na visita ao interior de Santiago, o primeiro-ministro disse que notou preocupação com "um dos piores anos agrícolas dos últimos anos", mas salientou que não há necessidade para alarme.

"Não há necessidade de se criar estado de alarme nem de desastre porque não é o estado que estamos a viver. Há dificuldades que, se não forem resolvidas em tempo, poderão virar dificuldades maiores. Por isso é que temos de trabalhar e dar as respostas atempadamente e é o que estamos a fazer", mostrou.

Mas os apelos dos agricultores, criadores, famílias afetadas, partidos políticos, organizações chegam de todas as ilhas, pedindo urgência na implementação das medidas no terreno.

Ulisses Correia e Silva reconheceu que há "alguma ansiedade" nas pessoas, mas enumerou algumas das medidas que já estão em curso para ajudar os afetados pela seca, destacando o acordo assinado na quinta-feira com as instituições de microfinanças para aplicar uma linha de crédito de 50 milhões de escudos (453 mil euros) no setor agropecuário.

"Sei que há alguma ansiedade e alguma pressa de intervenção, que se justifica também relativamente a forma como as coisas aconteceram no passado, mas estamos a trabalhar bem, programado, planificado", esclareceu.

O chefe do Governo disse que a prioridade será dada à afetação de recursos para dar respostas às necessidades das pessoas, garantindo, em primeiro lugar, rendimento às famílias, pasto e água para os animais e emprego público.

No fim de semana, também durante uma visita ao interior de Santiago, o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, considerou que tanto as populações como as autoridades devem "pensar estas questões com mais previsibilidade", defendendo, por isso, a criação de um fundo permanente para responder às situações de catástrofe e emergência.

O primeiro-ministro notou que Cabo Verde é um país que ciclicamente enfrenta períodos de seca, erupção vulcânica e furacões que se formam ao largo do país, pelo que tem de ter "mecanismos de contingência para fazer face a choques externos da natureza, que podem ser transformados em catástrofes".

Ulisses Correia e Silva sublinhou que para o país criar um fundo, este tem de estar integrado no quadro da solidariedade internacional, visto tratar-se de valores avultados que podem ser acionados em situações de emergência, tal como acontece na União Europeia.

O governante adiantou que o país está a trabalhar no quadro dos pequenos Estados insulares, com as mesmas vulnerabilidades de Cabo Verde, para ter um mecanismo do tipo para situações de emergência "declarada com credibilidade e verificação internacional". C/ Lusa

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