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Professores contra uso de telemóveis nas salas de aulas 23 Novembro 2015

Os professores das escolas secundárias do concelho da Praia querem proibir o uso de telemóveis durante as aulas para garantir o bom funcionamento das actividades escolares, eliminar o ruído dos toques e a circulação de mensagens de vídeo e de fotografias. Os docentes dizem que, desde o arranque do ano lectivo, o uso desses aparelhos dentro das salas aumentou e estão a perturbar as actividades lectivas.

Professores contra uso de telemóveis nas salas de aulas

Os professores do ensino secundário acreditam que equipamentos de informação e de comunicação, como os telemóveis e tablets, são actualmente os principais factores de perturbação e descuido dos alunos dentro das escolas e, por isso, pedem a sua proibição.

“Já apreendemos alguns desses aparelhos electrónicos e sempre informamos a direcção da escola e os pais e encarregados da educação sobre o sucedido. Mas o problema continua, porque os alunos voltam a usar esses aparelhos durante as aulas”, manifesta Eugénio Lima, professor da História e Geografia no Liceu Domingos Ramos.

Nuno, professor de Matemática no mesmo Liceu, é da opinião que o uso dos telemóveis não traz apenas benefícios e facilidades. “Em alguns casos, poderá gerar transtornos e sérias dificuldades pessoais e sociais. É aconselhável que em determinados locais públicos se desliguem os smartphones ou, na pior das hipóteses, deixá-los no modo silencioso, para que os demais presentes não sejam incomodados”, recomenda.

Luísa, que também faz parte do pessoal docente do LDR, considera que o telemóvel é, “sem sombra de dúvida”, uma das mais celebradas invenções da humanidade, mas não deixa de salientar que se tem tornado para muitos adolescentes e jovens, um desejo de uso permanente, podendo gerar dependência emocional. Exemplo: “Existem alunos que já chegaram ao ponto de agredir professores, por estes lhes terem retirado telemóveis ou tablets dentro da sala de aula”, alega esta docente.

Outros professores, sob anonimato, defendem que o desempenho das crianças em idade escolar melhora significativamente quando não utilizam o telemóvel ou outros meios informáticos durante as aulas. “Facilmente se pode notar que os alunos com baixos resultados são mais propensos a distraírem-se com os telemóveis". Contudo, notam que os alunos "com bons resultados conseguem concentrar-se na sala de aula, independentemente da política de telemóveis”, revelam.

Roberto, professor na Escola Secundária Constantino Semedo aponta os inconvenientes do uso em sala de aula. “É insuportável dar uma aula se os telemóveis estiverem sempre a tocar. Esses aparelhos têm sido usados de forma abusiva para enviar SMS, ouvir música, acessar sites de redes sociais e copiar nos testes em plena aula”, argumenta.

Alunos divididos

Joseane, aluna do 12º ano no Liceu Domingos Ramos, diz não ter dúvidas de que se não fosse o telemóvel nunca teria uma nota positiva na disciplina de Filosofia. “Usei mensagens no Facebook para escrever a matéria e durante o teste consultava as matérias no telemóvel”, revela.

A aluna admite, porém, que anda com o telefone na mão para todo o lado, e que passa grande parte do seu dia a comunicar com amigas através de SMS para saber onde estão e marcar encontros de convívio.

Christian e Marly, alunos do 10º ano da escola secundária Constantino Semedo, confessam que na sua turma, quando alguém falta a uma aula o problema é rapidamente resolvido. “Em vez de fotocopiar os apontamentos, nós tiramos fotografias com os telemóveis das páginas do caderno e, se for preciso, imprimimo-los e usamo-los para estudar”. “As novas tecnologias revolucionaram o nosso dia-a-dia”, consideram.

Pais em desacordo

Retirar os telemóveis ou tablets aos alunos é motivo de protesto, por parte dos pais e encarregados da educação. “Não consigo perceber qual o mal de um aluno usar o telemóvel para, por exemplo, ver as horas, pesquisar uma matéria ou mandar uma mensagem ao pai”, contesta um representante dos pais e encarregados de educação do LDR.

Mais contido é Henrique, pai de um aluno do 9º ano na escola secundária Pedro Gomes, para quem não será ético e correcto estar a telefonar ou ouvir música durante as aulas, “mas não vejo mal nenhum no facto de um adolescente ter um telemóvel e usá-lo durante as aulas para contactar com a família ou pesquisar algo relacionado com a aula", realça.

Mas os órgãos da direcção de várias escolas secundárias da capital afirmam que existem regras internas que proíbem a utilização, não-autorizada, de telemóveis e tablets durante as aulas.

A medida, segundo alegam, visa garantir o bom funcionamento das actividades escolares, eliminar o ruído dos toques durante as aulas e a circulação de mensagens que, de acordo com alguns professores, perturbam as aulas. Essas novas regras provêm de um conjunto de incidentes registados em várias escolas da capital do país.

Confrontada com esta problemática, a directora do LDR, Elsa Soares, confirmou à nossa reportagem que os telemóveis são entendidos pelas famílias como um direito que não pode ser negado aos filhos. Isto, porque existe uma «obsessão pela comunicação virtual, que é preocupante».

“Temos um fenómeno novo que deve ser gerido com serenidade e em colaboração com toda a comunidade educativa. No entanto, defendo que medidas sancionatórias devem ser criadas em todas as escolas, porque senão daqui a pouco, as salas de aulas transformar-se-ão numa barafunda incontornável”, alerta.

Já Carlos Lopes, director-substituto da escola secundária de Achada Grande, acha que deve haver uma consciencialização das famílias para estas poderem orientar os filhos sobre a importância do civismo e do respeito pelas regras da escola.

Lopes explica que esta questão já foi discutida num encontro com o corpo docente, “mas o conselho directivo pretende também reunir-se com os pais e encarregados da educação para juntos, criarmos mecanismos capazes de contornar essa situação que nos preocupa a todos”.

Contactado, o director da escola secundária Constantino Semedo, Álvaro Cardoso, adianta que os alunos só poderão usar os telemóveis e outros equipamentos informáticos quando devidamente autorizados pelos professores e em função dos objectivos das aulas programadas.

“A utilização de telemóveis no espaço sala de aula tem de ser alvo de um debate amplo entre professores e alunos, com a participação das famílias, e cada escola poderá elaborar um código de conduta”, conclui.

Celso Lobo

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