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Quase 400 jovens cabo-verdianos na fila da deportação nos EUA 12 Agosto 2015

São quase 400 jovens cabo-verdianos. E devem ser deportados nos próximos tempos dos Estados Unidos. Todos cometeram uma ou mais infracções, que vão desde falta de documentos, agressão, venda de droga ou outros tipos de delinquência, revela o site cabo-verdiano nos EUA Onda Kriolo.

Quase 400 jovens cabo-verdianos na fila da deportação nos EUA

A maioria dos jovens sinalizados reside nos estados de Massachusetts e Rhode Island. Alguns estão presos, mas depois de cumprirem as penas devem ser repatriados. É que a Lei de Imigração diz que qualquer imigrante ilegal sentenciado a um ou mais anos de cadeia está sujeito a repatriamento.

Boa parte desses jovens chegou aos Estados Unidos ainda criança, alguns sequer falam crioulo e a maioria não possui qualificação para exercer qualquer actividade laboral em Cabo Verde. “Não existem estatísticas exactas, mas em Cabo Verde devem estar mais de mil jovens que numa determinada altura foram deportados dos EUA”, lê-se.

Mais grave é que em Cabo Verde estes jovens não têm amigos nem familiares, e a sociedade os trata com desprezo. “São vistos como pessoas que desperdiçaram a chance de melhorar sua vida num país de oportunidades. São identificados como ´thugs` ou delinquentes, e poucos empregadores arriscam a dar-lhes trabalho, numa terra onde o desemprego atinge pelo menos um terço da juventude”.

E muitos dos jovens deportados não resistem à tentação de entrar para os gangs e no mundo do crime como forma de se adaptar e de sobrevivência nesse contexto de desemprego, pobreza e marginalidade. Na Brava, por exemplo, esses jovens são encontrados no centro de Nova Sintra sem fazer nada, numa cidade onde não há cinema ou actividades de lazer.

“A maioria desses jovens não tem um trabalho fixo. Vivem de expediente ou de algum dinheiro que recebem de familiares nos EUA. Estão na faixa dos 20 anos, inspiram algum medo à população. Frustrados, aborrecidos, alguns com problemas com álcool ou droga, contam histórias de injustiça e de abuso físico e psicológico”, prossegue.

No Fogo acontece a mesma coisa. São vistos a deambular pelos bares de São Filipe, sem esperança. Já não acreditam nas promessas das autoridades nem das organizações humanitárias. Diz o site que estes jovens cometeram crimes nos EUA, mas são também vítimas do sistema. “São vitimas do sistema americano de imigração, que os deporta indiscriminadamente, sem chance de reabilitação. Também são vítima de um sistema social e familiar direccionado mais para o ter do que ser”.

Chegaram nos EUA acompanhados dos familiares na década de 80. Os seus pais possuem pouca escolaridade e vivem em cidades violentas, como Dorchester, Brockton ou Providence. Na busca de uma vida melhor, relegaram a educação dos filhos para segundo plano.

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