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Rússia reelege Putin até 2024 — Querer do povo ’sui generis’ e medo do Ocidente que pressiona deram 75% ao novo tzar 20 Mar�o 2018

A Rússia votou este domingo, 18, e reelegeu Vladimir Putin/Pútin para um mandato até 2024. Com sete oponentes, Putin logrou mais de 75 % dos votos — o que significará apoio dos mais jovens, que votaram pela primeira vez. Melhor ainda do que previsto e para desespero dos que clamam que a Lei Magna foi subvertida com o fim único de reeleger o líder, talvez em ’modo vitalício’. As pressões vindas de Londres terão dado força ao novo tzar?

Por: A. Teresa Pires Paulo

Rússia reelege Putin até 2024 — Querer do povo ’sui generis’ e medo do Ocidente que pressiona deram 75% ao novo tzar

A vitória é a da condução da vontade popular, por meio do imaginário ativado por construções míticas, em que é central a figura da Mãe-Rússia ameaçada e que só o filho dileto e eleito (também no sentido mítico-religioso, subliminarmente sublinhado nas fotos com o patriarca ortodoxo) pode proteger.

Alicerces dessas construções míticas são: i) a anexação de vizinhos é inerente à grandeza territorial da Rússia: além de ser, factualmente, a primeira em território, tem potência para recuperar o que alegadamente lhe retiraram injustamente nas relações com o Ocidente; ii) as quatro guerras justas foram ganhas, graças aos poderes extraordinários, ver patrióticos do líder.

Consequência lógica: crescente subida na popularidade do líder. Assim é a Era Putin 1999-2024...ou além.

A reeleição em democracia, regra geral, não é de surpreender. Mas se o prefixo muda de re- para tri-(e além) passa a haver dúvidas sobre se o processo eleitoral, mesmo com todas as formalidades que sete candidatos oponentes garantem, é mesmo democrático.

Estes mais de dezoito anos de Putin (eleito pelos russos, embora) constituem, dixit a análise de politólogos (a metodologia científica como que a legitimar o senso comum de quem usa a cabeça). Uma das evidências da disrupção da democracia na Rússia, que, democraticamente falando, é ditadura.

Em outras latitudes, como a nossa (com todas as imperfeições mas vontade de mudar), tivemos experiências de três mandatos seguidos, mas, e aqui é o busílis da questão, sem ter de mudar a Constituição (e a alternância deu-se, concluído o terceiro mandato).

Países mudaram a Constituição secundando (?) a Rússia de Putin: a Turquia de Erdogan, o Zimbabué de Mugabe,… e, esta semana, a RP China de Xi Jinping. A Lei Magna subvertida com o fim único de reeleger o líder, talvez em modo vitalício.


Fontes: Sputnik/Le Monde. Fotos (BBC) da exposição do Museu de Moscovo: Vitorioso nas Olimpíadas de Sotchi, Putin-Hércules — no retorno ao mito grego, mais inócuo que o tzar do império derrubado em 1917 — é o semideus que completa os "12 Trabalhos de Hércules". Como neste combate contra os cavalos da corrupção — leia-se: todos os oponentes a Putin, desde o Ocidente que apoia Alexei Navalny aos bilionários exilados....

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