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SE HOUVER UM PARAÍSO ESPERO QUE TENHA UMA BIBLIOTECA 18 Junho 2017

Atualmente, graças também ao desenvolvimento tecnológico, o papel da Biblioteca está-se diluindo. De facto, a Internet oferece um grande banco de dados com informação capaz de ser organizada de forma sistemática e proporcionar uma imensa variedade de informações.

Por: Adrião Simões Ferreira da Cunha

(Estaticista Oficial Aposentado, Antigo Vice-Presidente do Instituto Nacional de Estatística de Portugal)

SE HOUVER UM PARAÍSO ESPERO QUE TENHA UMA BIBLIOTECA

Tenho um amigo, tendo para mim que só conhecemos bem alguém quando conhecemos e compreendemos as suas paixões, e para compreender as do meu amigo confesso que levei algum tempo.

Tenho sempre presente a sua forma de me receber, que com elevada cortesia me convida a entrar apontando-me com a sua mão direita o fundo do corredor à direita.

Aí chegado entra no seu mundo, um mundo de livros, de silêncio e de saber. E é aí que me dá a conhecer o sublime da essência humana.

Senta-se à sua secretária, diante de mim, e começa a dissertar acerca da temática mais relevante no momento. Por vezes pára para ir buscar um livro que o ajuda a ilustrar as suas palavras, regressando sempre como que num triunfo silencioso com o livro procurado sabendo sempre onde o abrir, e como é extenso o seu universo de livros, que, regra geral, estão com frases sublinhadas e comentadas.

Então procede à leitura de um excerto com a singularidade de uma voz que tem o dom de animar caracteres impressos, como se em vez de os ler lhes desse vida, e como eu gosto de o ouvir.

Com a sua invulgar cultura sabe que o caminho do saber é o da humildade, porque só procura o saber quem lhe sente a falta.

E uma vez disse-me que considerava muito a seguinte afirmação de Blaise Pascal (físico, matemático, filósofo moralista e teólogo Francês, 1623-1662) Uma vez que não podemos ser universais e saber tudo quanto se pode saber acerca de tudo, é preciso saber-se um pouco de tudo, pois é muito melhor saber-se alguma coisa de tudo do que saber-se tudo apenas de uma coisa.

Ouve-me sentado, a cabeça ligeiramente inclinada, num misto de compreensão e de indulgência, nunca sendo de tempestades procurando sempre a harmonia e a beleza, e nada mais.

Uma vez disse-me que a haver um Paraíso teria que ter uma Biblioteca.
Para ele Biblioteca é um espaço físico em que se guardam livros, dispostos ordenadamente para estudo e consulta, podendo as bibliotecas ser públicas ou particulares.

Nas Bibliotecas públicas o acesso aos livros e outros materiais costuma ser gratuito, sendo permitido o empréstimo de livros por um determinado período. As Bibliotecas públicas têm o objetivo de propiciar o acesso a informações que sejam úteis para os indivíduos, e que levem cultura à Sociedade.

Há ainda as Bibliotecas particulares que podem ser mantidas por instituições de ensino privadas, fundações, instituições de pesquisa ou grandes colecionadores, abrindo as suas portas a estudantes, leitores e pesquisadores.

Existem também as Bibliotecas especializadas, que oferecem coleções de informações sobre determinado assunto, tais como medicina, matemática, filosofia, artes, cinema e outros.

Mas afinal o que é Biblioteca? O termo Biblioteca refere-se a um lugar físico destinado a abrigar uma organização de livros a fim de serem consultados pelos leitores. Neste sentido, uma Biblioteca mantém toda uma forma de administração e de organização de modo que a informação contida seja de fácil acesso. Na atualidade, com o uso da informática, este tipo de administração tem facilitado muito graças à implementação de ferramentas informáticas. No entanto, no passado a organização era feita com rigorosidade porque em alguns casos as bibliotecas abrigavam uma grande quantidade de livros.

A Biblioteca é uma criação que já existe há bastante tempo. Na verdade, desde a Antiguidade era aconselhável buscar o conhecimento num lugar para consulta. Assim, como um caso emblemático, podemos citar a Biblioteca de Alexandria, que agrupou uma quantidade significativa de obras e cuja fama está nos nossos dias. Claro que, este tipo de coleção mostrava muitas diferenças das que hoje podemos considerar. Em primeiro lugar, os livros não existiam como hoje, mas costumavam ser usados em papiros ou rolos sem encadernação. Por outro lado, em muitas ocasiões, havia uma estreita relação com a religião imperante.

Na Idade Média, a Biblioteca teve um papel fundamental em relação à preservação do conhecimento do passado. Na verdade, estas bibliotecas serviram de ponte entre a idade antiga e o início do renascimento, e assim as obras antigas foram sendo revalorizadas.

A Biblioteca medieval estava presente em edifícios religiosos e era mantida por copistas que ficavam longas horas transcrevendo com letra legível os inúmeros volumes presentes. Estes manuscritos tinham um preço exorbitante em consequência da dedicação que era necessária para produzi-los.

Assim, com a invenção da imprensa, as bibliotecas tiveram uma grande extensão e saíram da área de mosteiros ou outras estruturas vinculadas ao campo religioso. De facto, graças ao avanço tecnológico, o custo de produzir um livro diminuiu notavelmente e isto permitiu que existisse mais circulação e um maior número de bibliotecas. Era necessário desenvolver uma capacidade ideal para organizar a quantidade de volumes e isso estabeleceu a elaboração de diversas práticas para que o seu uso eficiente estivesse garantido.

Atualmente, graças também ao desenvolvimento tecnológico, o papel da Biblioteca está-se diluindo. De facto, a Internet oferece um grande banco de dados com informação capaz de ser organizada de forma sistemática e proporcionar uma imensa variedade de informações.

Com o passar do tempo, a leitura de livros virtuais tem crescido ainda mais e hoje já é presença garantida no nosso quotidiano.

As tecnologias do mundo moderno fizeram com que as pessoas deixassem a leitura de livros de lado, isso resultou em jovens cada vez mais desinteressados pelos livros, possuindo vocabulários cada vez mais pobres.

A leitura é algo crucial para a aprendizagem do ser humano, pois é através dela que podemos enriquecer o nosso vocabulário, obter conhecimento, dinamizar o raciocínio e a interpretação. Muitas pessoas dizem não ter paciência para ler um livro, no entanto isso acontece por falta de hábito, pois se a leitura fosse um hábito rotineiro as pessoas saberiam apreciar uma boa obra literária, por exemplo.

Muitas coisas que aprendemos na escola são esquecidas com o tempo, pois não as praticamos, através da leitura rotineira tais conhecimentos se fixariam de forma a não serem esquecidos posteriormente. Dúvidas que temos ao escrever poderiam ser sanadas pelo hábito de ler, talvez nem as teríamos, pois a leitura torna o nosso conhecimento mais amplo e diversificado.

Durante a leitura descobrimos um mundo novo, cheio de coisas desconhecidas. O hábito de ler deve ser estimulado na infância, para que o indivíduo aprenda desde pequeno que ler é algo importante e prazeroso, assim com certeza ele será um adulto culto, dinâmico e perspicaz.

Saber ler e compreender o que os outros dizem difere-nos dos animais irracionais, pois comer, beber e dormir até eles sabem, é a leitura que proporciona a capacidade de interpretação. Toda a escola, particular ou pública, deve fornecer uma educação de qualidade incentivando a leitura, pois dessa forma a população torna-se mais informada e crítica.

Há entretanto, uma condição para que a leitura seja de facto prazerosa e válida: o desejo do leitor. Quando transformada em obrigação, a leitura resume-se a simples enfado. Para suscitar esse desejo e garantir o prazer da leitura, deve haver alguns direitos do leitor, como o de escolher o que quer ler, o de reler, o de ler em qualquer lugar, ou, até mesmo, o de não ler.

Respeitados esses direitos, o leitor, da mesma forma, passa a respeitar e valorizar a leitura. Está criado, então, um vínculo indissociável. A leitura passa a ser um imã que atrai e prende o leitor, numa relação de amor da qual ele, por sua vez, não deseja desprender-se.

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