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Salários em atraso: Trabalhadores do Vila Verde disponíveis para rescisões 02 Outubro 2014

Os 50 trabalhadores do Vila Verde, na ilha do Sal, estão disponíveis para acordos que permitam rescindir os seus contratos de trabalho com a Tecnicil, Hotels & Resorts em condições a serem acordadas. Dizem não suportar mais atrasos no pagamento dos salários, quase sempre de dois a três meses consecutivos. Também questionam a passividade da Direcção e Inspecção Geral do Trabalho, que não têm respondido com acções concretas aos pedidos de intervenção. E a prova é que a empresa continua a operar tranquilamente, como se nada de grave estivesse a acontecer.

Salários em atraso: Trabalhadores do Vila Verde disponíveis para rescisões

De acordo com o Sindicato da Indústria, Comércio e Turismo (Sicotur), a Administração da Tecnicil continua a ignorar a situação crítica por que passam os seus trabalhadores na ilha do Sal - os atrasos no pagamento dos salário chegam a atingir três meses consecutivos. Neste momento estão por pagar 50% dos salários do mês de Julho. De Agosto e Setembro nem um tostão. “Têm atrasos no pagamento das contribuições ao INPS, resultando na suspensão das regalias sociais, nomeadamente assistência médica e medicamentosa. A empresa também não paga o Seguro Obrigatório de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais”, diz o presidente do Sicotur.

A suspensão das refeições, da água para beber e para as casas-de-banho é outra arbitrariedade apontada pelo sindicato. “Por causa da suspensão das refeições e água, somos obrigados a transportar todos os dias, para o nosso local de trabalho, bolsinhas com comida e água. Somos obrigados a levar boiões de água para utilizar nas casas-de-banho”, ilustra Mário Correia, realçando que há tempos a empresa garante apenas o transporte precário dos trabalhadores.

Uma situação que leva este sindicalista a afirmar que, há algum tempo, a prioridade da empresa é pagar os compromissos com os fornecedores, relegando para último plano os direitos dos trabalhadores. O mais grave, afirmam, é que as suas queixas não são levadas em consideração pelos gestores da empresa. Também os pedidos de intervenção dirigidos à Direcção-Geral e Inspecção Geral do Trabalho não têm dado resultado: "Não vislumbramos uma alternativa futura adequada à resolução dos nossos problemas, pois os responsáveis da Tecnicil, tanto na Praia como no Sal, demonstram total despreocupação e desinteresse pela nossa situação”, lê-se numa carta enviada à DGT.

Os trabalhadores dizem também estar desapontados com as instituições com poderes legais para intervirem neste processo. “Custa acreditar que esteja a ocorrer uma situação destas em Cabo Verde, país dotado de instrumentos legais e instituições competentes, sem que haja a aplicação de qualquer sanção prevista na lei”, lamentam.

Em jeito de remate, os trabalhadores afirmam que a situação já não permite mais compreensões e tolerância. Exigem que medidas enérgicas e adequadas sejam rapidamente tomadas. E para acabarem com esse "calvário" mostram-se disponíveis para acordos amigáveis, que permitam a rescisão dos contratos de trabalho em condições previamente acordadas.

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