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Santiago Norte lança SOS : Agricultores de Tabugal pedem intervenção urgente para se salvar o que ainda resta 25 Outubro 2017

O atraso do Governo em implementar o anunciado Plano de Emergência está a inquietar os agricultores e criadores de gado, com destaque para os dos meios rurais, onde o impacto do mau ano agrícola começa a ser sentida com muita intensidade. Santiago, Fogo, Santo Antão e São Nicolau são as ilhas que mais vêm sendo afectadas por crise de água e pasto.

Santiago Norte lança SOS : Agricultores de Tabugal pedem intervenção urgente para se salvar o que ainda resta

Conforme uma ronda feita por este diário, o impacto da seca é já visível em todo o território nacional com os agricultares e criadores de gado a clamar pela implementação urgente do Plano de Emergência anunciado pelo governo. É que as culturas começam a secar por falta de água e os animais começam a sofrer com a escassez de pastos. Como consequência, o rendimento das famílias nos meios rurais está a reduzir-se drasticamente a cada dia que passa.

Aflitos, os agricultores da zona agrícola de Tabugal (interior da ilha de Santigo) lançam o SOS, voltando a apelar, hoje 24, às autoridades no sentido de se agilizar a intervenção na resolução do problema de carência da água, atendendo que as suas parcelas agrícolas correm o risco de se perderem na totalidade.

Segundo a Inforpress, os agricultores, que procuram hoje a comunicação social para enviar esta mensagem de “pedido de socorro”, lembraram que este problema vem arrastando desde 2011, no início da construção da barragem de Saquinho, cujas obras entupiram uma nascente (poço) de água destinada à rega, deixando-os assim impedidos de cultivarem as suas parcelas de terra.

Conforme indicaram, na sequência deste incidente evidenciaram várias denúncias junto das autoridades e até ainda a situação não foi resolvida.

Em declarações à imprensa, eles alegam que, se não for tomada uma medida com “urgência” vai ser “o fim desta zona agrícola”, isto tendo em conta que este ano não tiveram nenhuma produção e por mal dos pecados as árvores frutíferas estão a secar.

Explicaram aos jornalistas que há muito tempo que vêm pedindo um encontro com Governo, na pessoa do primeiro-ministro e do ministro que tutela o sector da Agricultura no País, mas sem sucesso, “porque tudo ficou só em promessas sem nunca ter passado à prática”.

Nicolau Furtado, um dos agricultores que falou em nome do grupo disse que de momento estão sem água para a rega, razão por que solicitou que ao menos lhes sejam “devolvidos” a água da nascente que está localizada no perímetro da barragem, tendo sublinhado que antes da construção da barragem “nunca tiveram problemas com água nessa localidade”.

Conforme a Inforpress, indicou que está-se a falar de 200 agricultores que vivem exclusivamente das suas parcelas de terra em Tabugal, que na sua maioria são idosos, pessoas que não têm reforma e que têm famílias para sustentar apenas com os recursos adquiridos com a colocação de produtos no mercado, “o que não tem acontecido por falta de água”, enfatizou.

Nicolau Furtado lembrou ainda que se fala muito do combate à pobreza, mas com esta situação de falta de água em Tabugal, o que está a acontecer é o inverso, ou seja, o aumento da pobreza.

“Queremos a nossa água da nascente de outrora e de graça”, disse, alertando que se não forem tomadas medidas urgentes, além de não fazerem nenhuma colheita este ano, “todo o Tabugal vai se perder” devido à seca que tem assolada esta zona agrícola.

Acrescenta a mesma agância que, António da Veiga Tavares, um outro agricultor dessa zona, considerou, por seu turno, se um “pecado” o facto de as autoridades terem construído a barragem sobre uma nascente, prejudicando em simultâneo, tanto os agricultores de Tabugal como de Charco e Sansan.

Conforme fez questão de lembrar, são eles quem abastece todo o mercado de Santa Catarina, apesar de encaixarem já uma idade avançada. Por isso, apelou a uma resolução urgente deste problema de falta de água na região.

Veiga Tavares discorda também da ideia de se lhes retirar a água e levar para a localidade de Ribeirão Areia, que fica situada nas redondezas. Garante que tal como ele, todos os agricultores de Tabugal estão “revoltados” com esta ideia.

“Se quiserem, podem até levar água a esta comunidade, mas água da barragem e não a água da nossa nascente”, enfatizou a mesma fonte.

Em Setembro último, um outro grupo de agricultores, na sua maioria proprietários, tinham procurado a comunicação social para reclamar também a escassez de água para a rega, tendo apontado como resolução do problema, a instalação de uma motobomba para ajudar a elevar a água a partir de um furo existente no local, e deste modo ajudar a “salvar” os cultivos, refere a Inforpress.

Tubugal, recorde-se, é uma zona de regadio que fica situada na margem da barragem de Saquinho, no concelho de Santa Catarina, interior da ilha de Santiago de Cabo Verde.

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