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Santo Antão: Debate sobre modelos económicos, justiça social e nova diplomacia 18 Janeiro 2017

A celebração do dia do Município da Ribeira Grande de Santo Antão ficou marcada com a conferência sobre “Modelos económicos, Diplomacia e justiça Social”, proferida pelo economista Paulino Dias e pelo diplomata Fernando Wahnon. A iniciativa despertou muito interesse no seio dos cerca de uma centena e meia de participantes de várias localidades do Concelho, que se deslocaram à Ribeira Grande para a assistir. O encontro foi presidido pelo Edil local, Orlando Rocha Delgado.

Santo Antão: Debate sobre modelos económicos, justiça social e nova diplomacia

A iniciativa, que aconteceu na última segunda feira,16, foi promovida pela Câmara Municipal da Ribeira Grande (CMRG), em parceria com a direcção da Igreja Católica local. Ela enquadra-se nas festividades do Dia do Município da Ribeira Grande e do patrono da ilha (17 de Janeiro) e teve como propósito despertar no seio dos munícipes a consciência dos novos desafios de desenvolvimento do Concelho.

Perante os participantes, o economista Paulino Dias, que teve sob sua responsabilidade o painel “Modelos Económicos e Justiça Social”, de entre outras dissertações, destacou a história do movimento Cooperativo em Cabo Verde que, segundo ele, poderá ser um modelo de reintegração sócio-económico no Pais “desde que a iniciativa nasce de baixo para cima”.

O cooperativismo em Cabo Verde teve, segundo ele, três fases distintas. A primeira, decorreu da Independência Nacional em 1975 até 1979. A segunda, iniciou com a criação do “INC”-Instituto Nacional das Cooperativas, nesse mesmo ano, para materializar as orientações políticas do governo sobre o cooperativismo. Ja a terceira fase, começou com a mudança do sistema político em 1991, que tinha uma matriz ideológica diferente no que diz respeito ao cooperativismo, explica o economista.

Confirme o conferencista, o novo Governo elegeu como principal motor da economia o sector privado e dá-se início ao processo de abertura económica e privatização das empresas detidas ou participadas pelo Estado. A partir dai é eliminado o status do cooperativismo como “terceiro tipo de propriedade” na Constituição de 1992 e inicia-se um processo acelerado de desengajamento do sector cooperativo, que culmina com a extinção do FAC -Fundo da opio às Cooperativa - em 1994 e do INC em 1997.

“Pesquisas realizadas no terreno na altura, levaram-me a concluir que o ‘pecado original’ por detrás do falhanço do cooperativismo como uma das bases fundamentais da Justiça Social, foi o desalinhamento entre os valores e princípios cooperativos de um lado, e as práticas de gestão das cooperativas, por outro lado, provenientes do deficiente ou nulo conhecimento desses princípios e valores, por parte dos próprios membros, dos líderes e dos empregados. Para além da ‘influência excessiva da ideologia política’ decorrente do momento histórico específico”, esclarece Paulino Dias.

“Acredito que o cooperativismo em Cabo verde pode ser relançado, como modelo de organização empresarial que se encaixa perfeitamente no actual contexto nacional, marcado pela necessidade de: 1) - forjar mecanismos de maior inclusão das populações no tecido produtivo e 2) - aumentar a competitividade do sector privado no quadro da crescente abertura económica do país”, concluiu.

Justiça Social e nova diplomacia

Por outro lado, o Diplomata Fernando Wahnon, que teve sob a sua responsabilidade o painel sobre a “Diplomacia e Justiça Social”, iniciou a sua exposição dizendo, de entre outras dissertações, que “a Justiça Social é uma constante vontade de dar aos outros, o que lhes é devido”.

“Uma ação diplomática é sempre concebida como instrumento de apoio ao projecto de desenvolvimento social e económico do País. Mas ela possui, também, uma dimensão humanista, que se projecta na promoção da cooperação internacional para o desenvolvimento e a paz. Ela está profundamente enraizada nos interesses e esperanças do povo cabo-verdiano”, esclarece aquele Diplomata.

Por isso, alega Fernando Wahnon, a diplomacia cabo-verdiana tem sido baseada também numa perspectiva de inclusão social. Defende que tem de ser uma diplomacia que, entre outras valências, proporcione a integração sub-regional, a inclusão e a justiça social no seio da nossa Diáspora. Ou seja, que sirva de ponte estratégica entre Cabo Verde, as suas comunidades emigradas e as principais Instituições e Poderes dos Continentes, Regiões, Países e Comunidades de acolhimento.

A nova diplomacia, concluiu aquele Diplomata, deverá começar pelo interior do próprio país, mais precisamente a partir do interior do próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros e Comunidades. Conclui Fernando Wahnon que deve ser uma diplomacia em constante diálogo e concertação com os outros Departamentos Governamentais e os demais Poderes Políticos instituídos, bem como com as potencialidades das diferentes instituições sociais e culturais da sociedade civil e do Terceiro Sector, isto tendo em conta sua transversalidade.

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