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Santo Antão: Residentes “desapontados” com o atraso na execução do programa de emergência para a ilha 10 Setembro 2017

Os santantonenses manifestam-se “desapontados” com a forma como o programa de emergência para Santo Antão vem sendo implementado. Apesar disso, reconhecem as intervenções feitas, nos últimos meses, a nível de recuperação das estradas e infra-estruturas hidráulicas locais. O Governo, através do Ministério das Infra-estruturas, Ordenamento do Território e Habitação, reconhece, porém, esse atraso na execução do tão falado Programa de Emergência para a ilha das Montanhas. Um projecto que foi financiado pela União Europeia, na sequência do Furacão Fred, que atingiu Cabo Verde a 31 de Agosto de 2015, deixando um rasto de destruição - mais de 50 famílias desalojadas e várias infra-estruturas danificadas.

Santo Antão: Residentes “desapontados” com o atraso na execução do  programa de emergência para a ilha

Conforme um despacho da Inforpress, as três semanas do término do citado programa, em execução desde Fevereiro, muitas intervenções previstas ainda não arrancaram e outras estão “ainda longe de terminar” para o “desapontamento” das populações, que, inicialmente, depositaram “muita expectativa” à volta desse programa.

Revela a mesma fonte que os agricultores, apesar da recuperação de algumas infra-estruturas de mobilização de água (furos) no Porto Novo e na Ribeira Grande, são “os mais desapontados” com o decorrer do programa de emergência, que termina agora em Setembro.

Numa altura em que o prazo da execução do programa de emergência está praticamente no fim, dizem os agricultores de diferentes vales que esperavam que tivessem sido já contemplados a nível de recuperação dos terrenos agrícolas. Neste particular, citam os agricultores que deviam ser beneficiados pelo programa - os de Alto Mira, Ribeira das Patas, no vale da Garça e em outras zonas agrícolas espalhadas um pouco por toda a ilha de Santo Antão.

“A recuperação dos terrenos não passou ainda de promessas em várias localidades desta ilha”, lamentou um representante dos agricultores citado pela agência cabo-verdiana de noticias, que diz estar “desiludido” com o “andar” desse programa, em relação ao qual os lavradores depositaram “grande esperança”.

Conforme o governo, as obras previstas para a barragem de Canto de Cagarra, na Ribeira Grande, orçadas à volta de 33 mil contos, estão, igualmente, atrasadas. Segundo os agricultores, estão com problemas de assoreamento e de infiltração. Para os trabalhadores da terra, a demora na execução das obras impediu o aproveitamento da água dessa infra-estrutura hidráulica.

Segundo descreve a mesma fonte, as cheias de Setembro do ano passado danificaram a parte de adução e distribuição da água e a rampa dessa barragem que, a poucas semanas do fim do programa de emergência, ainda aguarda pelas obras, inicialmente, previstas.

A nível das infra-estruturas rodoviárias, a preocupação maior prende-se com o Município do Porto Novo, onde há ainda obras por arrancar e outras muito atrasadas. De entre as obras por iniciar-se, está a recuperação da estrada Ponte Sul/Tarrafal de Monte Trigo. Os condutores e a população, em geral, mostram-se, igualmente, preocupados com o atraso na reconstrução da ponte de portal, em Ribeira das Patas, no Porto Novo.

Governo reconhece atrasos nas obras

Entretanto, o Ministério das Infra-estruturas já admitiu à Inforpress atrasos na realização das obras no Porto Novo e informou ter a garantia do empreiteiro de que as intervenções na estrada Ponte Sul/Tarrafal de Monte Trigo começam na próxima segunda-feira, devendo ficar prontas dentro de um mês.

Ou seja, num cenário muito optimista, as obras estarão concluídas em meados de Outubro, depois da data estipulada para o encerramento do programa de emergência, que coincide com o fim do estado de calamidade de um ano em Santo Antão, decretado pelo Governo, na sequência da tempestade que se abateu sobre esta ilha em 2016.

Em Ribeira Grande, os trabalhos no domínio de estradas foram realizados dentro do tempo, inicialmente, estipulado, mas “a qualidade de algumas obras deixa a desejar”, segundo alguns condutores, abordados pela Inforpress.“Em muitos casos, limitou-se a restabelecer a ligação”, queixam-se.

Quanto à ponte de portal, em Chã de Morte, na Ribeira das Patas, os trabalhos estão suspensos temporariamente, segundo um técnico ligado à obra, que serão retomados ainda assim que passar o chamado “período chuvoso”, que decorre ainda ao longo de Setembro. A mesma fonte admitiu, no entanto, a possibilidade de se avançar, nos próximos dias, com a cobertura dessa infra-estrutura, desde que não haja previsão de chuvas.

Em Julho, na sua última visita a Santo Antão, enquanto embaixador da União Europeia, José Manuel Pinto Teixeira, constatou, segundo a agência cabo-verdiana de notícias, o atraso na realização das obras no Porto Novo, mas disse, na altura, acreditar que os trabalhos estariam prontos dentro do prazo previsto.

Em todo o caso, a União Europeia assinala o “progresso” que Santo Antão tem vindo a conhecer, “nos últimos meses”, no âmbito do programa de emergência, com recuperação de infra-estruturas rodoviárias e de mobilização de água, refere a fonte que vimos citando.

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