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Sócrates: “Não fui um primeiro-ministro corrupto” 14 Outubro 2017

“Não fui um primeiro-ministro corrupto”, começou logo por dizer José Sócrates. Esta sexta-feira à noite,13, em entrevista à RTP 1, a primeira desde que foi acusado esta semana pelo Ministério Público (MP) de 31 crimes, o ex-chefe de Governo negou que tenha recebido dinheiro e acusa o MP de esconder documentação da investigação.

Sócrates: “Não fui um primeiro-ministro corrupto”

“Sempre honrei o meu cargo com um comportamento de total honestidade. Grande parte da acusação não passa dos insultos habituais. Muitas páginas para disfarçar o vazio”, disse. “Devo ser a única pessoa do mundo a ser acusada de receber 30 milhões e a ter três empréstimos na Caixa Geral de Depósitos”, acrescentou.

Sócrates voltou a insistir que a acusação “é um embuste do MP”, que não tem factos para provar que teria uma fortuna escondida. “Não encontrará nenhum documento que diga que o dinheiro é de José Sócrates. Aliás, muitos papéis provam o contrário. Não foi a investigação a um crime, foi uma perseguição a um alvo e há muitos papéis escondidos que a investigação não quer revelar. O MP escondeu que o meu nome não estava nas contas da Suíça”, garantiu.

Questionado sobre o facto de falar em código ao telefone com Carlos Santos Silva para combinar empréstimos, Sócrates negou e explicou: “Nós temos um modo de falar, os amigos constroem um mundo em comum”. O antigo primeiro-ministro disse ainda que o amigo só se ofereceu para o ajudar em 2013 para que “não tivesse de hipotecar a casa, o que mais tarde tive de fazer”. Antes disso, admitiu ter pedido um empréstimo a Santos Silva de cinco mil euros (“já há muito tempo”), que entretanto foi pago.

“Eles é que politizaram a Justiça. Todas as grandes imputações [da acusação e do processo] pretendem criminalizar uma gestão política, um período politico”, atirou.

Na entrevista, disse que Carlos Santos Silva nunca conheceu Ricardo Salgado. Confrontado com o facto de Hélder Bataglia ter confirmado a transferência de dinheiro do ex-gestor do BES para Santos Silva, Sócrates sugeriu que essa confissão só pode ter sido para “agradar ao Ministério Público”.

Relativamente aos negócios com o Grupo Lena, foi taxativo: “Não fui corrompido para dar benefícios”. O antigo primeiro-ministro disse ainda que “o Governo trabalhou para abrir portas a várias empresas” em países como a Venezuela, Argélia e Angola.

Sócrates acusou o MP de mentir (uma vez mais) no que diz respeito à nomeação de Armando Vara para a administrarão da Caixa Geral de Depósitos. Na entrevista garantiu que não teve qualquer interferência e que a decisão foi de inteira responsabilidade de Teixeira dos Santos, na altura ministro das Finanças. “Depois disto, ainda acredita nas alegações do MP? É difícil...”. Em causa está o empreendimento de Vale do Lobo, onde, segundo a acusação da Operação Marquês, José Sócrates deu “conforto político” ao banco público para facilitar os empréstimos.

“O QUE É QUE O SENHOR TEM A VER COM ISSO?”

A entrevista, que ultrapassou os 45 minutos previstos e que contou ainda com um problema técnico na reta final, passou ainda por assuntos como as contas de Santos Silva na Suíça, pelos negócios da PT, pelo apartamento de Paris e pela relação com Ricardo Salgado. “Não faço parte do grupo de amigos de Ricardo Salgado, não frequentamos as mesmas pessoas e espaços sociais”, insistiu.

E deixou uma promessa, com laivos de ameaça: “No final desta acusação, não vai sobrar folha sobre folha. Quero que todos os portugueses saibam que não foi um processo justo, foi excecional. Não foi justo para todos. Não é um Estado de Direito, foi um estado de exceção. Algumas das coisas pelas quais fui preso já desapareceram.”

A última questão colocada foi aquela que deixou Sócrates mais irritado. “De que rendimento vive hoje?”, perguntou o jornalista Vítor Gonçalves. Sócrates fez uma pausa e respondeu. “Talvez a resposta fosse: o que é que o senhor tem a ver com isso? Isso é uma pergunta à ‘Correio da Manhã. Tive já algumas ofertas, mas não aceitei nada porque não quero prejudicar ninguém. Vivo daquilo que é a minha pensão como deputado. Essa pergunta é indigna e não o dignifica”, terminou. Fonte: Jornal Expresso de Portugal

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