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Tartaruga rara que desovou na Boa Vista pode ter acasalado com um macho de outra espécie 05 Outubro 2014

A tartaruga Oliva (Lepidochelys olivacea), que para o espanto de todos desovou na ilha da Boa Vista em meados de Agosto, pode ter-se acasalado com um macho da espécie Caretta Caretta. São as primeiras tartarugas crioulas a nascer em mares deste Cabo Verde crioulo. Segundo a Fundação Tartaruga, das 16 crias que nasceram esta terça-feira, 30 de Setembro, 10 apresentaram indícios de serem Caretta Caretta enquanto as restantes têm semelhanças físicas muito próximas às da mãe. A tese de hibridismo defendida pelos investigadores da Fundação Tartaruga vai ser verificada com os testes de DNA agora solicitados a uma universidade alemã.

Tartaruga rara que desovou na Boa Vista pode ter acasalado com um macho de outra espécie

Esta tartaruga já tinha surpreendido os voluntários da Fundação Tartaruga quando a meados de Agosto visitou a praia de Ponta de Sol, a Norte da Cidade de Sal-Rei, ilha da Boa Vista. O espanto no meio disto tudo é que esta espécie desova normalmente nas praias da América Central e da Índia. Entretanto a real surpresa ainda estava por vir: Uma parte das crias (10) nasceram com semelhanças físicas da espécie Caretta caretta e as outras seis nasceram com “fortes” possibilidade de serem da espécie Oliva. As amostras de DNA já foram entretanto recolhidas e enviadas para análise na Universidade de Kiel, em Schleswig-Holstein, Alemanha. O processo deve durar cerca de quatro meses.

Até lá ficam as suspeitas físicas reveladas nas anomalias na carapaça: é que as Caretta caretta têm sequência de cinco divisórias na carapaça (da cabeça à traseira - cinco no meio mais duas sequências de cinco em cada lado). Já as Oliva apresentam sequências de seis ou sete divisórias. No entanto, as diferenças são, segundo especialistas, além de morfológicas também comportamentais. Por agora fica a tese desta Oliva ter “cruzado” com um Caretta Caretta.

Há ainda a possibilidade, tida como remota, da própria mãe ser híbrida (resultante do cruzamento entre duas espécies). De realçar que estes casos são raros mas há estudos encaminhados para a sua explicação. Os investigadores do projecto Tamar no Brasil apontam já “um crescente número de casos de possível hibridismo” entre as tartarugas que visitam as praias de Sergipe (tidas como das principais de desova da Tartaruga Oliva). Ali 80% das desovas são de Oliva e 10% são Caretta caretta. As restantes espécies perfazem os outros 10%. Existe também a possibilidade (ainda por provar) de fêmeas Oliva e machos Caretta Caretta cruzarem com "alguma incidência" nessa região.

A tartaruga Oliva que visitou a ilha da Boa Vista depositou 125 ovos mas só nasceram esta segunda-feira 16 crias, com uma taxa de sucesso de 12,8% - abaixo da já fraca taxa de natalidade e probabilidade de sobrevivência desta espécie. Estudos indicam que um em cada 1000 nados vivos chega à idade adulta. Segundo a Fundação Tartaruga, o ninho foi “altamente atacado” por caranguejos brancos, vulgarmente denominados “plart” (muito comum nas nossas praias).

Este possível caso de hibridismo é sem margem para dúvidas raro mas ao acontecer numa terra como a nossa, ganha contornos especiais. Ou não seríamos nós tidos como o povo mais miscigenado do planeta, diz a revista Genetics. Tartarugas crioulas, será?

Sanny Fonseca

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