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“Tenho 15 anos, está bem para ti?” — pergunta que incriminou advogado de 57 03 Setembro 2017

O réu compareceu, na última quinta-feira, 31, para ouvir a sua sentença no tribunal onde durante mais de trinta anos atuou ora do lado da acusação ora como advogado de defesa. A assistência de setenta e cinco pessoas era composta por quatro membros da respeitada família Dobbs – a mãe, a mulher e as filhas (na foto) – e muitos dos seus amigos e colegas. O juiz compassivo deu-lhe seis meses de prisão com pena suspensa, em vez dos esperados dois anos.

 “Tenho 15 anos, está bem para ti?” —  pergunta que incriminou advogado de 57

“O Senhor Dobbs sabe, melhor do que qualquer outra pessoa neste tribunal, da gravidade do caso em que é arguido e do seu impacto”, disse o juiz do tribunal de Montgomery, na área metropolitana da capital dos Estados Unidos.

O caso criminal de Michael Dobbs começou também numa quinta-feira, há sete meses, quando a 26 de janeiro, segundo os registos da polícia, entrou no ‘Craiglist’, escolheu um anúncio colocado por “um jovem interessado em sexo” e respondeu-lhe. Casado há trinta anos, Michael Dobbs trocou emails com o seu correspondente, “Brandon”, que a dado momento lhe perguntou: “Tenho 15 anos, está bem para ti?” Esta pergunta não só viria a incriminar o advogado de 57 anos como causou estranheza o facto de ele não ter detetado nela a técnica de investigação conhecida no meio legal.

O impoluto advogado – segundo dezenas de depoimentos: “nunca se ouviu em 30 anos alguém a dizer mal dele”, “tenho-o em alta estima tanto como advogado quanto como homem” — foi assim apanhado numa investigação da polícia relacionada com os clientes do ‘Craiglist’, site de encontros “proibidos”.

A princípio cauteloso, Michael Dobbs falou com “Brandon”, de quinze anos, sobre a “idade legal do consentimento” aplicada no Estado de Maryland. Mas ao longo do tempo, os emails iniciais em que "Brandon" recebia conselhos — expressou também estar preocupado porque o pai tinha descoberto a sua homossexualidade – passaram a outro patamar. Trocaram o que a acusação classificou como “mensagens explícitas gráficas e textuais” versando “atividades sexuais entre um homem maduro e um rapaz de 15 anos”.

Dois meses depois, marcaram um encontro no estacionamento colado ao liceu onde “Brandon” alegadamente estudava. O combinado é que iriam para a casa de “Brandon”, livre porque a mãe estaria fora a tarde toda.

Em vez de Brandon”, três detetives da polícia apareceram a Dobbs, nesse 28 de março, a poucos quilómetros do seu local de trabalho — o seu escritório e o tribunal sitos na mesma cidade de Rockville.

Os detetives aproximaram-se do carro de Dobbs, um deles que se disfarçara de “Brandon” marcou o número habitual e o telefone de Dobbs tocou. Preso até ser apresentado em tribunal, Dobbs fez manchete no Washington Post e saiu com fiança de 100 mil dólares.

A polícia faz um bom trabalho “porque a Internet facilita a predação de muitas crianças, por adultos que ficam impunes”

O juiz do caso enalteceu o trabalho da polícia e destacou a importância da metodologia de investigação utilizada. Os detetives adaptaram-se aos novos tempos e utilizam as redes sociais para apanhar predadores sexuais.

“Este caso tem numerosos factos que mostram, sem a mínima dúvida, que é preciso mais que a força de vontade para vencermos a luta contra as tentações”, disse o juiz. Apontou o factor oportunidade que pode levar ao crime, com neste caso: “ A oportunidade surgiu e foi agarrada”.

No meio disto tudo, disse o juiz, o arguido devia compreender que, apesar de tudo, o pior não aconteceu – para si e para a potencial vítima. “Se a vítima de 15 anos fosse real”, o rapaz “iria sofrer por causa disto pelo resto da sua vida”, concluiu o magistrado.

Defesa pediu pena suspensa porque acusado precisa curar-se de adicções

O advogado de defesa pediu que Dobbs fosse poupado à prisão, alegando que necessita de continuar o tratamento anti-dependências – ao álcool e adicção ao sexo – e contra a depressão que o induzira a comportamentos “fora do seu controlo”.

A mãe, de 85 anos, subiu amparada para o lugar das testemunhas para dizer: “O Michael é um filho maravilhoso, que vem à minha casa ajudar-me, porque há muitas coisas que já não posso fazer. Preciso dele”. Acrescentou que o filho tivera de “enfrentar família e amigos e dizer-lhes tudo”, razão pela qual ela pediu ao tribunal para “tomar isso em conta”.

A mulher, ladeada pelas duas filhas adultas do casal, pediu ao juiz clemência para o marido a quem ela apoiava por estar a enfrentar diversos problemas. Enfatizou que Michael necessitava do apoio da família e amigos para combater as suas dependências. Descreveu-o como “um óptimo marido, um pai maravilhoso, um amigo com quem os amigos podem contar para tudo”.

O réu pediu desculpas pelo seu crime. “Acima de tudo, quero dizer como me sinto culpado pelo meu comportamento”. Acrescentou: “Não é só por ser chocante e embaraçoso, mas também é errado e eu reconheço isso”.

Relatou em tribunal o embaraço que sofreu ao encontrar-se numa carrinha celular com um cliente seu. “Ele pensou que eu ia visitar alguém à cadeia e eu tive de lhe confessar que desta vez eu estava do lado errado da lei”.

Fonte: Washington Post. Foto: Dobbs, o mais alto, com a mulher, filhas, mãe e pai.

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