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Tensão sem precedentes entre Coreia do Norte e EUA faz temer o pior 14 Agosto 2017

A possibilidade de uma guerra entre Coreia do Norte e Estados Unidos parece mais real do que nunca. A comunidade internacional já alertou para os perigos e consequências de um confronto militar entre Washington e Pyongyang. Porém, a imprevisibildiade de Donald Trump e de Kim Jong-un faz temer o pior.

Tensão sem precedentes entre Coreia do Norte e EUA faz temer o pior

A escalada de tensão entre os Estados Unidos e a Coreia Norte subiu para níveis sem precedentes nesta semana que acaba de passar. Não que as ameaças entre Washington e Pyongyang sejam novidade, pois têm sido constantes desde que os dois países se tornaram inimigos após a Guerra da Coreia, que terminou em 1953. Porém, a retórica destes últimos dias, pautada por ameaças de parte a parte, fez soar o alarme para um conflito que pode deflagrar a qualquer momento e cuja dimensão é incalculável.

Desde que Donald Trump chegou à Casa Branca que a Coreia do Norte parece ter passado para o topo das prioridades norte-americanas. Em abril, na véspera do “Dia do Sol”, data em que Pyongyang celebra o aniversário de Kim Il-sung, fundador do país, Trump prometeu “tratar do problema” norte-coreano. Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, disse estar pronto para “responder a uma guerra total”. Os ânimos acabaram por serenar um pouco nos dias seguintes, apesar das fortes ameaças e demonstrações de força de ambos os lados.

Já na passada terça-feira, o nível de tensão subiu novamente, deixando o mundo em sentido. Anunciadas novas sanções à Coreia do Norte, o regime respondeu com novas ameaças, reiterando que irá continuar a desenvolver o seu programa nuclear. Donald Trump não gostou do que ouviu e disse que os Estados Unidos estão prontos para responder com "fogo e fúria como o mundo nunca viu”.

Perante a “mensagem forte”, Pyongyang disse estar a “analisar seriamente o plano” de atacar com quatro mísseis a ilha de Guam, território localizado no Pacífico, sob jurisdição norte-americana. Nesta ilha, situada entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, está uma base militar norte-americana, ou seja, um ponto estratégico fundamental num eventual conflito entre os dois países.

Donald Trump voltou ao ataque e, na sexta-feira passada, afirmou que as “soluções militares estão plenamente operacionais, preparadas e armadas”. Mais um episódio no confronto entre norte-americanos e norte-coreanos, enquanto o mundo assiste, sem saber bem o que esperar.

Entretanto, sucedem-se os apelos da comunidade internacional para que Donald Trump e Kim Jong-un diminuam a tensão. A Rússia afirma que o risco de um conflito militar entre Washington e Pyongyang é “muito elevado”, o que causa grandes preocupações a Moscovo. A União Europeia, pela voz da chanceler alemã Angela Merkel, opôs-se a qualquer solução militar para o conflito e disse ainda que “a escalada verbal é uma resposta errada”. Por seu lado, a China, principal aliada da Coreia do Norte, também pede calma na abordagem ao conflito. No entanto, admite que, caso Pyongyang ataque primeiro, manter-se-á neutra, ao passo que, em situação inversa, tal poderá não se verificar, e Pequim poderá mesmo alinhar ao lado do regime norte-coreano.

O caminho da Coreia do Norte até ao nuclear

O primeiro teste nuclear da Coreia do Norte realizou-se em 2006. Desde então, o regime já conduziu mais quatro testes, tendo o mais recente sido realizado em setembro de 2016, considerado o mais forte de sempre, cuja explosão foi superior à bomba lançada pelos Estados Unidos a Hiroshima, no Japão, em 1945.

Segundo os analistas, a Coreia do Norte deverá ter, neste momento, mais de 60 armas nucleares, incluindo engenhos que permitem incorporar uma bomba nuclear em mísseis. Além disso, Pyongyang tem testado, frequentemente, mísseis balísticos, com principal ênfase nos mísseis intercontinentais, tendo o último teste sido realizado no final do passado mês de julho. Teoricamente, vários especialistas acreditam que o regime já terá desenvolvido mísseis com capacidade para atingir solo norte-americano, um objetivo que Kim Jong-un não esconde.

O início da corrida ao armamento nuclear por parte da Coreia do Norte remonta a 1960, quando o “grande líder” Kim Il-sung abordou a União Soviética sobre a possibilidade de Pyongyang ter armas nucleares. Moscovo, que na altura era o maior aliado do país, não terá gostado da ideia e rejeitou os planos do líder norte-coreano. No entanto, a aliança entre os dois países manteve-se, fundamental para Pyongyang conseguir manter o seu regime e sobreviver num mundo polarizado, no auge da Guerra Fria, que opôs o bloco soviético ao bloco ocidental.

Com o colapso da União Soviética, no início dos anos de 1990, muita coisa mudou. Os Estados Unidos começaram a exercer uma pressão muito maior sobre a Coreia do Norte, acusando o país de desenvolver o seu programa nuclear à revelia da Agência Internacional de Energia Atómica. Nesse sentido, o fim da União Soviética constituiu uma enorme ameaça existencial para a Coreia do Norte, que encontrou no poder nuclear uma forte arma de dissuasão, num mundo em plena transformação após o final da Guerra Fria.

Em 1994, o “grande líder” Kim Il-sung, que governou o país desde a fundação da Coreia da Norte, em 1948, morreu e foi substituído pelo seu filho, Kim Jong-il. Sob a liderança do novo líder norte-coreano, o país continuou a desenvolver o seu programa nuclear.

Quando Kim Jong-il morreu, em 2011, subiu ao poder Kim Jong-un, neto do primeiro líder do país. Desde então, a retórica subiu de tom, e as ameaças e demonstrações de força têm sido frequentes. Os testes balísticos aumentaram e já foram feitos mais três testes nucleares. Este armamento tem sido, aliás, o grande mote da liderança norte-coreana, uma espécie de seguro de vida contra o isolamento internacional. Kim Jong-un não tem quaisquer problemas em reiterar a sua ambição de destruir os Estados Unidos e os vizinhos Coreia do Sul e Japão.

A importância da China

Desde que em 2002, George W. Bush à Nação, o então presidente norte-americano, criou o famoso “eixo do mal”, composto por Iraque, Irão e Coreia do Norte, e a que mais tarde se juntou Líbia e Síria, que a posição de Pyongyang é particularmente delicada. Com o fim da União Soviética, o regime mais fechado do mundo perdeu o seu grande aliado, restando-lhe apenas a China.

Além de servir com dissuasora contra eventuais ataques dos Estados Unidos e/ou da Coreia do Sul, Pequim, que tem enormes interesses estratégicos no país, é também a principal fornecedora de Pyongyang. É da China que chega grande parte do comércio externo da Coreia do Norte, que necessita, especialmente, do petróleo e da comida que chega do país vizinho, com o qual partilha uma fronteira de quase 1.500 quilómetros.

No entanto, as relações entre os dois países também já viram melhores dias. Kim Jong-un e Xi Jinping, Presidente da China, têm mantido algum distanciamento nas relações, apesar de a aliança se manter. Porém, apesar da frieza existente, tudo indica que Pequim não irá mudar a sua forma de abordar a questão norte-coreana, até porque uma eventual mudança de regime poderia ter consequências muito graves para a China, nomeadamente no que diz respeito a uma (ainda maior) influência dos Estados Unidos na região, já para não falar dos milhões de norte-coreanos que, num cenário de guerra, não hesitariam em fugir e ultrapassar a fronteira.

Quando passam 72 anos desde que os Estados Unidos bombardearam Hiroshima e Nagasaki, os dois primeiros e únicos ataques nucleares da história, colocando um ponto final na Segunda Guerra, a ameaça que paira no ar em relação à escalada de um possível conflito nuclear faz temer o pior. Se por um lado é verdade que ainda estamos no campo da retórica, por outro é impossível negar que o nível de tensão a que se chegou, agravado pela imprevisibilidade de Donald Trump e Kim Jong-un, é um grande motivo de alarme. As consequências de uma guerra nuclear seriam devastadoras. Fontes: NM c/ Agência © Reuters

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