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Terminal de Cruzeiros do Porto Grande: Cabo Verde em risco de perder oferta de 10 milhões de dólares 04 Agosto 2016

O Governo tem até o final deste verão para comprometer-se com o financiamento do Terminal de Cruzeiros do Porto Grande, senão o país perde dez milhões de dólares (quase um milhão de contos) garantidos a fundo perdido pelo programa holandês Orion para a construção desse cais de navios-turistas. Segundo Carlitos Fortes, PCA da Enapor, Cabo Verde só terá acesso a esse valor se A Haia tiver uma promessa expressa da cidade da Praia de que irá angariar o resto do dinheiro destinado a essa obra, orçada em 28 milhões de dólares.

Terminal de Cruzeiros do Porto Grande: Cabo Verde em risco de perder oferta de 10 milhões de dólares

“Se o Governo não assumir imediatamente o resto do financiamento dessa infraestrutura, é certo que perdemos esse montante porque o programa Orion já terminou e fomos avisados disso. A Holanda está a criar um novo programa, mas só os projectos já engajados é que podem transitar, o que não é o nosso caso”, esclarece o gestor da Enapor.

O Executivo, segundo Fortes, já está ao corrente e a analisar a situação, ciente de que a escassez de tempo joga neste momento como um factor de alta pressão. Aliás, a construção do terminal turístico foi um dos temas de debate no Encontro Nacional de Turismo de Cruzeiros, que reuniu na cidade do Mindelo a Autoridade Turística Central (ATC), Câmaras Municipais e de Comércio, Polícia Nacional, a Associação 3C e operadores de várias ilhas, na passada semana. Presente no evento, o ministro da Economia e Emprego, José Gonçalves, deixou claro que esse empreendimento é de capital importância se Cabo Verde quer deixar de ver “navios a passar” e embarcar nessa viagem. Porém, realçou que o financiamento terá de ser bem equacionado por causa do actual nível de endividamento do país.

Segundo Carlitos Fortes, o OFID (Fundo dos Países Exportadores de Petróleo para o Desenvolvimento) já mostrou vontade em disponibilizar os restantes 65 por cento necessários à construção da infraestrutura. No entanto, Cabo Verde ainda não deu o seu aval porque se trata de um empréstimo reembolsável, embora com condições concessionais vantajosas.

No entendimento de Gil Évora, responsável da ATC, o ministro da Economia mostrou-se sensibilizado e crente no impacto do projecto do terminal de cruzeiros. “Acho que ele teve uma reacção positiva, mas resta agora saber quando é que vai levar o assunto a debate no Conselho de Ministros”, enfatiza Évora, que perspectiva, entretanto, mudanças significativas no sector turístico nos próximos tempos. É que, na sequência do encontro sobre turismo de cruzeiros, a ATC ficou de compilar as recomendações emanadas e apresentar propostas concretas aos operadores, no prazo de vinte dias.

Uma delas tem a ver com o serviço prestado aos turistas pelos guias e os operadores de transportes terrestres. Segundo Évora, a partir de 1 de Setembro, essa actividade será melhor disciplinada com a atribuição de crachás pela ATC a agentes que estão a participar neste momento numa formação técnica. “A própria Polícia Nacional estará atenta e pronta a averiguar se os guias e os carros que transportam turistas estão devidamente identificados e autorizados para exercerem essa actividade”, elucida Évora, para quem esse passo irá provocar uma melhor prestação de serviço pelos 300 guias em seis ilhas, reforçar a estruturação da oferta turística e garantir mais segurança no transporte dos visitantes. Além disso, os circuitos turísticos passarão a ser policiados com mais frequência.

Dos quatro painéis discutidos no “Encontro de Mindelo”, o mais importante, na perspectiva de Gil Évora, foi o que abordou a criação dos circuitos turísticos. Segundo esse gestor, definir convenientemente esses trajectos traz vantagens a todos os níveis, inclusive em termos económicos. “Quando, por exemplo, os condutores pegam num turista e fazem uma ligação directa Praia - Tarrafal, sem paragens em pontos específicos, estão a prestar um serviço deficiente. Isto porque impedem o turista de apreciar a paisagem e de conhecer pontos interessantes situados ao longo desse percurso. Por isso é imprescindível identificarmos esses pontos de interesse, nomeadamente cultural, e levarmos os operadores a respeitar essas indicações”, exemplifica Évora, que espera uma outra postura dos operadores para o bem comum de todos os agentes que têm algo a oferecer aos turistas.

Satisfeito com o debate em torno do turismo de cruzeiros, que tem como principais expoentes as ilhas de S. Vicente e de Santiago, Gil Évora diz que a ATC tem menos de um mês para apresentar propostas concretas aos operadores, visando melhorias concretas nos domínios das infraestruturas, segurança, transportes marítimos, terrestres e aéreos e definição de circuitos turísticos integrados.

Kim-Zé Brito

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