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Timor Leste:Xanana Gusmão demite-se do CNRT 05 Agosto 2017

Xanana Gusmão demitiu-se esta sexta-feira (04) da presidência do CNRT, assumindo responsabilidade pela derrota do partido nas legislativas, e defendeu que o partido não deve entrar numa coligação de Governo e deve ser oposição.

Timor Leste:Xanana Gusmão demite-se do CNRT

"Com um sentimento de tristeza, mas que não consegue reduzir um orgulho muito profundo por ter liderado um partido como o CNRT, também eu, obedecendo ao imperativo da minha consciência, tenho que tomar uma decisão sobre mim mesmo", disse o até agora líder do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense.

"Demito-me do cargo de presidente do partido, estando sempre ao dispor desta grande organização política partidária. Nos próximos cinco anos empenhar-me-ei a prestar o meu total apoio para a melhoria e consolidação do partido CNRT, que eu respeito, porque pulsa no meu coração", anunciou.

A demissão de Xanana, que surpreendeu os dirigentes e militantes do partido, surgiu no final de um discurso em que fez uma primeira análise à derrota do partido nas eleições legislativas de 2017.

Depois de ter estado afastado da vida pública desde a votação - período em que diz ter estado a fazer uma reflexão sobre as eleições - Xanana Gusmão disse que o voto mostrou que a população timorense "não confia no CNRT para governar" e quer "alternância" no Governo.

O CNRT, disse, deve ser fiel ao seu compromisso e, por isso, Xanana Gusmão defende que a conferência que decorre até domingo aprove uma resolução em que confirma que será oposição e não integrará o próximo Governo liderado pela Fretilin.
"O partido CNRT decide estar no Parlamento Nacional como oposição, querendo, deste modo, continuar a contribuir no processo de construção do Estado e de construção da Nação, para consolidar a transição democrática neste país", disse Xanana Gusmão.

O líder histórico timorense foi taxativo, afirmando que "o partido não aceitará propostas, de ninguém, nem convidará nenhum partido para formar coligações, porque não pretende participar no governo" e que não se vai repetir o que ocorreu em 2007, quando o CNRT foi o segundo mais votado atrás da Fretilin mas "para resolver a crise que o país vivia", optou por formar uma aliança de maioria parlamentar.

"Hoje, todos desfrutamos de um ambiente diferente - um ambiente de paz e estabilidade! Por esta mesma razão, temos que reconhecer que a situação de 2017 não é a de 2007", afirmou.

Congratulando a Fretilin pela vitória nas eleições, Xanana Gusmão disse que durante a campanha só ouviu "críticas de que o CNRT não tinha capacidade de governar e foi, por isso, que teve que chamar outros partidos para o ajudar".

"Também ouvimos, durante todo o mês, que, durante o mandato do CNRT, houve muita corrupção, pelo que a maioria do povo deixou de confiar no partido", afirmou.

Conferência Nacional e futuro

"Este é o momento certo para a FRETILIN, como o partido vencedor das eleições de 2017, assumir, e com plena legitimidade, as rédeas do Governo", disse ainda.

Entretanto, uma Conferência Nacional de quadros do partido CNRT decorre sob fortes medidas de segurança, com os jornalistas autorizados apenas na abertura e todos os participantes a terem que deixar os telefones no exterior.

"A conferência é fechada e limitada apenas às estruturas superiores do partido", explicou à Lusa um dos vice-presidentes do partido, Vergílio Smith.

Participam no encontro cerca de 240 conferencistas, incluindo os elementos da Comissão Política Nacional (CPN) da Comissão Diretiva Nacional (CDN) e das estruturas máximas ao nível municipal e dos postos administrativos.

A reunião terminará com uma declaração final, não estando ainda confirmada a realização de uma conferência de imprensa. Fontes: TSF c/Lusa

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