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Togo: Morte de criança enluta protestos anti-dinastia de 50 anos dos Gnassingbé 22 Setembro 2017

Esta quarta-feira, 20, morreu, no Togo, uma criança de nove anos durante mais uma manifestação convocada pela oposição que pede a saída de Faure Gnassingbé. Mais, 25 feridos, quarta-feira, juntam-se às duas mortes entre os manifestantes e doze polícias feridos da passada sexta-feira, 15. As "centenas de milhares" de manifestantes em várias cidades do centro e norte togolês pedem a reinstalação da lei constitucional, que vigorou até 1992, e que limita os mandatos.

 Togo: Morte de criança enluta protestos anti-dinastia de 50 anos dos Gnassingbé

Esta quarta-feira, 20, em Mango, no extremo norte do Togo, uma manifestação, não autorizada, fez um morto — uma criança de nove anos — e 25 feridos.

As forças da ordem descartaram liminarmente que tenham usado armas de fogo. O mesmo dizem os seus organizadores, da oposição pró Jean-Pierre Fabre. A Amnistia Internacional, no terreno, pede uma investigação imparcial e denuncia bloqueios no acesso às redes sociais, como a Whatsapp e internet.

Os cem mil manifestantes, segundo observadores internacionais, saíram à rua para apoiar a posição assumida na véspera, terça-feira 19, pelos deputados da oposição que na Assembleia Nacional votaram contra o projeto de revisão constitucional. A situação, embora proponha limitar a dois os mandatos do presidente, deixa a porta aberta, através da salvaguarda de que a lei não é retroativa, para que Faure Gnassingbé possa apresentar-se de novo em 2020, quiçá em 2025.

A proclamada inconstitucionalidade da eleição, a terceira, em abril de 2015, de Faure Gnassingbé – que em 2005 sucedeu ao pai, presidente desde 13 de janeiro de 1967— tem levado milhares às ruas, em várias cidades do centro e norte do país. Os protestos intensificam-se contestando ainda os resultados oficiais que deram ao presidente 59% contra 35% de Jean-Pierre Fabre.

5 000 francos CFA para manifestar

O partido do presidente, a UNIR - União para a República, lançou um apelo aos militantes para se manifestarem nos mesmos dias que a oposição.

Na manhã desta quarta-feira, 20, mil pessoas juntaram-se em Lomé em resposta ao apelo da UNIR.

"É um prazer estar aqui, é o nosso partido, somos pacíficos", declarou, à AFP, uma militante, Georgia, de 34 anos.

Segundo A AFP, o jovem Justin, um outro manifestante pró-Gnassingbé, confessou que tinha "recebido 5 000 francos CFA (825 CVE) para participar na manifestação da UNIR, o que foi confirmado por outros manifestantes". Segundo as Nações unidas, metade dos togoleses vivem abaixo do limiar da pobreza.

’Dinastia Gnassingbé’ começa em 1967 com apoio do Exército

Foi em 13 de janeiro de 1967 que o Exército depôs o presidente eleito Nicolas Grunitzky e impôs na presidência Eyadéma Gnassingbé. Após o primeiro golpe de Estado, que em 1963 depusera Sylvanus Olympio, o primeiro presidente e combatente pela independência, o caminho estava aberto para que o mesmo se repetisse.

Seguiu-se o sistema monopartidário que Eyadéma Gnassingbé instituiu em 1969, anulando os anos de democracia na recente República Togolesa, fundada em 1960 com a independência desta ex-colónia francesa.

A instauração do pluripartidarismo em 1991 não mudou o statu quo, consolidados que estavam os apoios dos órgãos de soberania, incluindo o Exército que em 1967 instalara a partir de um golpe de Estado o novo presidente. Eyadéma ganhou sucessivamente as eleições de 1969, 1986 – as duas reconhecidas a nível internacional.

Mas com a mudança da constituição em 1992, as eleições de 1993, 1998 e 2003 foram classificadas como irregulares, o que teve como consequência que a União Europeia retirasse o apoio ao país.

As relações entre Bruxelas e Lomé normalizaram-se em abril de 2004. Mas quando meses depois, após a morte de Eyadéma Gnassingbé, o filho foi instalado na presidência a reprovação internacional foi unânime. As únicas exceções foram a França, de Jacques Chirac, e, na União Africana, a Nigéria, de Olusegun Obasanjo, e o Senegal, de Abdoulaye Wade.

Com a União Africana a posicionar-se contra a sucessão anticonstitucional, Faure Gnassingbé teve de demitir-se pouco depois de instalado em fevereiro. Mas dois meses depois, em 24 de abril de 2005, foi-lhe reconhecida a vitória na eleição presidencial, mesmo com a oposição a clamar que o resultado era fraudulento.

Fontes: Le Monde. AFP. Foto: Telegraph.co.uk. Em Lomé, forças da ordem dispersam com gás os manifestantes da quarta-feira, 15. As manifestações em setembro têm-se intensificado e ocorrem pelo menos todas as semanas. Depois de 20 e 21, as próximas vão ser 26, 27 e 28, anunciou Jean-Pierre Fabre.

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