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Toponímia capitalina – um caso de memória com peso sustentado 02 Dezembro 2017

O caso sustentado tem um antes e um agora. O agora é a notícia desta sexta-feira, primeiro de dezembro, sobre uma iniciativa de governo municipal, votada pelo ‘DC Council’, a assembleia municipal de Washington, a capital americana, mas com um alcance político que não se vê à primeira. E que nos revela que a toponímia pode ser uma inestimável ferramenta de comunicação.

Toponímia capitalina – um caso de memória com peso sustentado

Por: Luiz Cunha

A iniciativa de dar a designação “Boris Nemtsov Plaza” ao endereço da embaixada russa tem tudo para fazer ranger os dentes ao Presidente Putin. Boris Nemtsov é o nome de um dos mais seguidos opositores de Putin. A sua morte está envolta em mistério, pois que, embora os cinco perpetradores do crime tenham sido identificados, a oposição indica que é Putin o autor moral.

O antes: em 1984, a praça contígua à Embaixada da URSS na capital dos Estados Unidos passou a designar-se “Andrei Sakharov Plaza”.

A denominação, votada pelo Congresso dos EUA, homenageava o dissidente Andrei Sakharov, perseguido pelo regime soviético. O político banido de repente passou a ocupar o lugar de mártir, no lugar mais visível do mundo.

O peso político da nova designação toponímica começou logo a fazer sentir-se, pois, em duas frentes. Uma, o mundo conheceu em Andrei Sakharov um combatente pela democracia na então União Soviética. O dissidente do regime fora banido mas paradoxalmente passou a estar no centro.

A outra também tinha um peso imenso, ao desmoralizar os oligarcas russos que em “Andrei Sakharov Plaza” estavam sempre a ser lembrados do dissidente. Isso contribuiria para que, dois anos depois, o regime o libertasse da prisão. Sakharov livre deixou o país para continuar no exílio o seu combate pela democracia.

A memória viva da dissidência estava no novo endereço da sua embaixada na América! Alguém pusera em pé a estratégia certa, o meio infalível, no centro da representação soviética na primeira potência mundial, para fazer ranger os dentes aos donos do Kremlin na hora de receber e expedir correspondência.

O título tem, pois, o intuito, que aqui deixo bem expresso, de destacar que em muitos casos a toponímia capitalina nada significa para a população. Um nome que o poder municipal escolheu e que para a maior parte da população é só uma indicação que podia ser Rua 45 (um número, como se usa nas megacidades americanas).

Mas o caso em apreço mostra que a toponímia pode ser uma inestimável ferramenta de comunicação.

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