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Transição conturbada na Câmara da Boa Vista: Queixa na Procuradoria e nas Finanças por queima de arquivos 12 Outubro 2016

A transição do poder autárquico na ilha da Boa Vista está a ser tudo menos pacífica. Há já uma queixa na Procuradoria da República e uma outra na Repartição das Finanças, visando um assessor do presidente cessante, José Pinto Almeida, por alegada queima de arquivos camarários. Mas a história vai além: não obstante a tomada de posse ter acontecido no dia 30 de Setembro, Pinto Almeida só entregou a pasta na manhã de terça-feira, 04. Ou seja, “Djais” era, até à tarde do mesmo dia, um presidente sem as chaves do próprio gabinete. Mais: há acusações de que José Pinto Almeida levou materiais da Câmara, que colocou depois num armazém privado.

Transição conturbada  na Câmara da Boa Vista: Queixa na Procuradoria e nas Finanças por queima de arquivos

Se havia alguma dúvida quanto à falta de normalidade no processo que transferiu o poder na ilha da Boa Vista após a vitória de José Luís Santos nas eleições autárquicas de 04 de Setembro, ela transformou-se em certeza durante esta última semana. A passagem dos dossiers está a ser tudo menos pacífica. Aliás, o próprio nascer do movimento “Basta” empolou, ainda antes da campanha, as rixas entre o presidente eleito José Luís Santos e o ex-Edil José Pinto Almeida, que esteve 16 anos no poder.

A complexidade do caso parece ter-se agora agravado. É que Sérgio Corrá, tido como uma figura próxima do PAICV e apontado como um dos maiores críticos dos 16 anos da governação autárquica de José Pinto Almeida, apresentou, no passado dia 23 de Setembro, queixas tanto à Procuradoria da República como à repartição das Finanças da Boa Vista, alegando queima de arquivos municipais. A nossa fonte garante que flagrou um dos assessores do antigo presidente, no dia 20 de Setembro, a queimar arquivos da Câmara Municipal. Segundo diz, viu a carroçaria de uma “pick-up” cheia de sacos, contendo documentos que foram queimados.

Corrá garante que conseguiu resgatar do meio das cinzas, além da factura de um restaurante, cerca de 20 pedaços de requisições de materiais de construção, datados de Julho deste ano. “É uma situação vergonhosa”, advoga. Este diz esperar agora que o Estado de Direito Democrático, que somos, dê provas da sua vitalidade na resolução deste caso que, conforme ele, mostra que se tentou comprar o eleitorado boavistense.

A mesma fonte diz presumir que terão sido milhares de contos, porque, segundo sublinhou, uma das distribuidoras de materiais de construção da Boa Vista ficou por dois dias fechado, somente a atender às requisições da Câmara Municipal. Corrá vai mais longe, afirmando que a elevada taxa de abstenção registada na ilha da Boa Vista não foi à toa. Defende que é mais uma prova do quão viciado está o processo eleitoral na Boa Vista: “Ou se paga ou ninguém vota”, rematou num tom crítico aquele político, lamentando tal situação.

Presidente sem Câmara

Entretanto, o empossamento da equipa Basta, liderada por José Luís Santos, aconteceu no dia 30 de Setembro. Além da notória ausência do presidente cessante, José Pinto Almeida, o processo de passagem da pasta e dos dossiers camarários continua a ser menos pacífica.

Uma fonte do A Semana revela que as chaves da sala do presidente e dos gabinetes dos vereadores só foram entregues na manhã de terça-feira, 04. “Trata-se de mais um claro vestígio do mau perdedor e um claro apego ao poder, sintomático de quem esteve mais de 16 anos a governar livremente a Boa Vista”, comentou outro crítico sobre o processo.

Leitura bem diferente tem o presidente substituto da equipa cessante, Xisto Baptista, para quem a operação decorreu “normalmente”. Segundo diz, a notificação foi feita através de uma nota ao “Basta”, em que se informou de que a passagem das pastas aconteceria na manhã da última terça-feira.
Mas o caso não ficou por aí. Fontes do A Semana acusam José Pinto Almeida de ter mandado retirar da Câmara “uma considerável quantidade de material”, de que alegadamente se terá apoderado. Isto terá acontecido entre os dias 29 e 30 de Setembro, com a agravante de que, segundo revela o nosso interlocutor, no dia 29, o carro da Câmara, que é normalmente utilizado para a recolha de lixo, não trabalhou no período parte de manhã, porque estava a ser usado no transporte dos referidos materiais.
“Basta” MpD ou “Basta” Djô Pinto?

Este jornal tentou, por várias vezes, entrar em contacto com o novo presidente da Câmara Municipal da Boa Vista, José Luís Santos, mas sem sucesso. A nossa reportagem queria saber entre outros, qual será a postura do novo autarca boavistense quanto às graves acusações acima referidas, bem como qual será a sua postura quanto aos 16 anos de governação de José Pinto Almeida.

Na ilha das dunas, a expectativa é se Djaiss vai passar a “pente fino” as contas de José Pinto Almeida e colocar no “ventilador” o que estiver menos correcto, mesmo se isso vier a aprofundar a divisão existente entre os dois. Mas há quem acredite que JLS vai resguardar e submeter-se, mais uma vez, aos interesses do MpD, que o penalizou nas sondagens e o obrigou a fundar o “Basta”, que acabou por conquistar a Câmara da Boa Vista.

Enfim, resta saber se é somente “Bastaao Djô Pinto” ou se é igualmente “Basta” ao MpD. Menos provável parece ser este segundo cenário, porque o mote do lado emepedista foi: “Somos mais fortes com o Ulisses”, lia-se nos cartazes. Contudo, ainda não é seguro, no entender de alguns munícipes, se Santos terá que subjugar-se às regras do “todo-poderoso” primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

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