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Trump perdoa Joe Arpaio “o xerife mais durão” da América 27 Agosto 2017

O 45º presidente dos Estados Unidos concedeu o primeiro perdão presidencial do seu mandato ao controverso “xerife mais durão”. Condenado na segunda-feira, 21, por “desobediência criminosa” a uma ordem do tribunal que o intimara a deixar de prender imigrantes indocumentados, Arpaio devia cumprir seis meses de prisão efetiva. Foi perdoado cinco dias depois, na sexta-feira, 25.

Trump perdoa Joe Arpaio “o xerife mais durão” da América

Trump concedeu o primeiro perdão presidencial — a medida de clemência tão aguardada no mundo prisional — a um seu fiel apoiante: o xerife do distrito de Maricopa, no Arizona, Joseph M. "Joe" Arpaio, de 85 anos.

Conhecido pela sua postura anti-imigração, Arpaio foi um dos mais convictos apoiantes do candidato Donald Trump. Reiterou em várias intervenções que Obama não era americano, em apoio à tese, defendida por Trump, de que Obama não podia candidatar-se por uma questão de nacionalidade.

O autointitulado "Xerife mais durão dos Estados Unidos" defende medidas controversas para serem aplicadas na luta contra o crime, como defende na sua biografia "Toughest Sheriff of America: How to Win the War Against Crime" (que coautorou, em 1996).

Tendas da Guerra da Coreia armadas no deserto do Arizona a servirem de prisão? Arpaio escreve que sim. Mais importante ainda: aplicou a medida quando a cadeia do seu condado ficou superlotada. À indignação que suscitou, respondeu com um simples: “Se os nossos bravos soldados da Guerra do Golfo (1990-91) aguentaram 120 graus (49 graus Celsius), com mais razão os criminosos condenados têm de aguentar!”


Criminoso na cadeia tem de viver mal, sim

O “Alcatraz do Arizona", como ficou conhecido o sistema prisional montado por Arpaio, tornou-se lendário pelas medidas draconianas aplicadas. Na alimentação poupou aos cofres públicos meio milhão de dólares por ano, porque cortou o café, a comida em pratos foi substituída por sandes ao almoço.

Durante década e meia, entre 1992 e 2007, Arpaio obteve 85% de aprovação dos seus eleitores (os xerifes são eleitos). Fascinados com a metodologia aplicada, mais de 2500 cidadãos da área de Phoenix tornaram-se voluntários que ajudavam o xerife em tarefas que iam desde missões de socorro em áreas turísticas até à patrulha de ‘shoppings’, nos feriados e férias.

Mas em 2008, com as suas provocações ao poder judicial além de posições xenófobas cada vez mais acentuadas, Arpaio viu fugir-lhe os votos dos democratas e de muitos republicanos.

A sua taxa de aprovação caiu quase 30%, para 57%. Mas conseguiu ser eleito até 2016, quando perdeu para o adversário Paul Penzone.

Arpaio “condenado por fazer o seu trabalho” (diz Trump), “condenado por desobediência criminosa a uma ordem do tribunal” (diz juiz)

Trump condenou veementemente a decisão do tribunal que puniu o ex-xerife “por fazer o seu trabalho”. Num discurso pronunciado na capital do Arizona, Phoenix, na terça-feira, 22, Trump repetiu as acusações habituais aos meios de comunicação: "são injustos", "não informam corretamente, não transmitem o que digo".

O novo xerife Paul Penzone, sucessor de Arpaio à frente do condado de Maricopa, não tem dúvidas: O ex-xerife foi “condenado por desobediência criminosa a uma ordem do tribunal” disse à CNN, pouco depois do discurso de Trump na capital do Arizona, Phoenix, na terça-feira, 22.

Caso começou em 2007

Este caso de violação da Constituição por um agente da autoridade começou por uma infração de trânsito. Foi em 2007 que o xerife mandou parar um carro porque tinha um farol avariado. O condutor, um mexicano com um visto turístico válido, ficou nove horas detido na cadeia.

O homem processou por racismo não só o xerife Arpaio mas todo o Xerifado de Maricopa. Outros condutores que tinham sofrido abusos juntaram-se ao primeiro queixoso e o caso passou a ser de condutores “Latinos” contra o Condado de Maricopa.

Ao fim de quatro anos, de audiências e depoimentos, um juiz federal de Phoenix decidiu que o xerife Arpaio e equipa não tinham competência para “deter pessoas que não sejam suspeitas de crime”. A sentença acrescentava que “estar ilegalmente nos Estados Unidos não é um crime, mas sim uma infração”.

Após a sentença, lida em dezembro de 2011, Arpaio esteve durante cinco anos a desafiar a ordem do tribunal. A sua equipa “continuou a mandar parar carros com base na aparência racial da pessoa que conduzia”. Arpaio dizia aos meios de comunicação que “não seguia ordens do tribunal”.

O xerife é ainda acusado de ter “mentido intencionalmente em múltiplos depoimentos” que fez “sob juramento”. A sua intenção “era obstruir a descoberta da verdade”, escreveu um juiz em 2015.

No ano seguinte, esse mesmo juiz passou a “uma ação extraordinária”, segundo analistas. Dirigiu-se a uma instância superior para que Arpaio fosse acusado de “desobediência criminosa a uma ordem do tribunal”. Meses depois, Arpaio perdia a invulnerabilidade, já que o povo não o reelegeu, em novembro.

Fontes: Washington Post, CNN, Guardian. Foto Google.

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