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Turistas expõem crianças para angariar seguidores nas redes sociais 12 Maio 2016

Rui Landim, descendente de cabo-verdianos, denuncia a exposição pública de crianças africanas, entre elas as nascidas em Cabo Verde, nas redes sociais, sobreturo por turistas que visitam as ilhas do Sal e da Boa Vista. As fotos são publicadas, acompanhadas do slogans “no racism” mas, conforme Landim, são usadas pelos apenas para conseguir seguidores, likes (gostos) e fama nas redes sociais.

Turistas expõem crianças para angariar seguidores nas redes sociais

Fotos com crianças em Cabo-Verde estão a ser publicadas nas redes sociais, por turistas, sem se importarem com a exposição dos menores. Este facto tocou Rui Landim, que vive em Portugal, por ser descendente de cabo-verdianos. O jovem mostra-se indignado com esta situação que, diz, já virou moda, principalmente nas ex-colónias portuguesas. “Encontrar um miúdo, tirar uma foto e fazer uns comentários apelando não ao racismo, com hashtag e cenas? Diga não ao racismo? Diarreia mental. Elitismo puro”, reage Landim, condenando esta prática.

Mas, segundo um outro jovem, a moda de viajar para os países africanos e divulgar a aventura de forma elitista nas redes sociais não é uma situação que apenas envolve ou expõe crianças. É que há muitas pessoas que procuram os países do continente negro com o pretexto de fazer caridade ou voluntariado, mas na verdade a intenção é outra.

A situação é retratada no projecto “Barbie Savior” (Barbie Salvadora) em que a boneca é reproduzida em fotos fazendo voluntariado em África, numa espécie de críticas a alguns voluntários e aos seus propósitos nestas viagens. Lembra que, na maior parte das vezes, as viagens são suportadas por instituições com projectos sociais em África.

O propósito dessas fotos da “Barbie Savior” é criticar este tipo de voluntariado, que expõe e brinca com culturas, pessoas, deixando em planos inferiores as tarefas a que foram incumbidas. Os likes (gostos) nas redes sociais passaram a ser encarados como fama e estatuto.

O asemanaonline decidiu destacar este comportamento para que as famílias e a sociedade estejam cientes, de modo a não serem alvos exóticos para aumentarem os números seguidores destes turistas ou voluntários que volta e meia chegam em Cabo Verde.

Entretanto, é preciso lembrar que nem todos os estrangeiros, os que usam a câmaras para captar os traços típicos das crianças cabo-verdianas, resultado da miscigenação de culturas e povos, possuem razões tão supérfluas quanto às que publicam nas redes sociais.

O jornal tentou entrar em contacto com a Presidente do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) para saber se a instituição tem conhecimento desses casos e se há leis que protegem as crianças desta exposição. Mas as nossas tentativas revelaram-se infrutíferas.

Sidneia Newton
(Estagiária)

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