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Turquia: Libertação de um dos cinco jornalistas do Cumhuriyet detidos por ‘terrorismo’ “não é motivo para celebrar” 27 Setembro 2017

A libertação nesta segunda-feira, 25, de Kadri Gürsel, enquanto quatro colegas seus continuam detidos, chama a atenção para o processo dos dezassete jornalistas do Cumhuriyet (República), diário oposicionista ao governo de Erdogan e que se tornou o emblema do recuo das liberdades civis na Turquia, após o falhado golpe do movimento Gulen em julho de 2016.

Turquia: Libertação de um dos cinco jornalistas do Cumhuriyet detidos por ‘terrorismo’ “não é motivo para celebrar”

O juiz decidiu libertar Kadri Gürsel, autor de crónicas e figura muito respeitada no jornalismo turco. Ele esteve onze meses preso e vai aguardar em liberdade o julgamento por “atividades terroristas”, marcado para 31 de outubro.

“Não é motivo para celebrar”

Kadri Gürsel, jornalista há 30 anos, saiu ao entardecer da prisão de Silivri, nos arredores da maior cidade turca, Istanbul. À sua espera, familiares, amigos e colegas.

“Não é motivo para celebrar, porque os jornalistas do Cumhuriyet (Djum-rru-ri-et) estão a ser injustamente acusados, sem qualquer justificação. Foram privados da sua liberdade”, disse um Gürsel ‘visivelmente cansado’, segundo o correspondente do ‘Le Monde’.

“Continua a situação de injustiça para como os demais jornalistas presos”, expressou a esposa de Gürsel, Nazire. “Muitos comparam este processo a uma peça de teatro, mas isso é insultante para o teatro”, concluiu ela.

O conhecido cronista político falou sobre a sua intenção de continuar a escrever, mesmo se a situação está difícil para os órgãos da comunicação social. “Todos os jornalistas gostariam de escrever durante muito tempo, o máximo de tempo possível, e eu vou continuar a escrever”.

Acusados de atividades terroristas

Dezassete colaboradores do Cumhuriyet — o jornal secular mais antigo da Turquia — foram levados ao tribunal em julho do ano passado. Dez estavam já detidos preventivamente, após o falhado golpe do movimento Gulen em julho de 2016 e que já levara à prisão mais de 50 mil pessoas.

O juiz decidiu que sete, entre eles o caricaturista Musa Kart (foto), iriam aguardar o julgamento em liberdade, mas que os demais teriam de ficar em prisão preventiva.

Do grupo, alguns obtiveram o direito de exílio na Alemanha, o que azedou as relações entre os dois governos. Entre os exilados, consta Can Dundar, o editor chefe do Cumhuriyet , que depois de sair da prisão escapou a uma tentativa de assassinato — principal motivo para obter o estatuto de refugiado concedido por Berlim.

Os quatro ainda detidos são o proprietário do jornal, Akin Atalay, o seu chefe de redação, Murat Sabuncu, detidos na mesma altura que Kadri Gürsel, em outubro último, o jornalista de investigação Ahmet Sik, preso em fins de dezembro, e o contabilista Yusuf Emre Iper, preso desde abril.

Fontes: ‘Le Monde’ Foto: Musa Kart, um dos dezassete colaboradores do Cumhuriyet detidos, foi processado por esta caricatura do presidente Recep Erdogan (Um dos assaltantes diz: "Aquele é o nosso holograma").

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