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Um cidadão dizia 21 Agosto 2017

A perceção que a população tem sobre a criminalidade pode ser influenciada por interpretações e associações várias. Umas por fatores relativos ao recetor, outras induzidas pelos emissores da notícia.

Por: Luiz Cunha

 Um cidadão dizia

- Mais um lavador de carros morto no Sucupira.

O cidadão estava, num espaço público, a ler o título “Mais um lavador de carros é assassinado na Praia”. A notícia publicada esta semana num órgão de imprensa acrescentava que era o segundo “no espaço de um ano”.

Retrucou a pessoa com quem falava:

- Mais um?! Quando é que foi o outro?! Foi há mais de um ano! (N.R.: em 13/2/2016)
Continuou o defensor da tese de que se está a empolar a criminalidade:
- Estatisticamente, tens um por ano!
- Não, foram dois em três meses…
(Nota: Em junho, o homicídio na Fazenda)
- Não no Sucupira.

A perceção que a população pode ter relativamente à maior ou menor onda de criminalidade pode ser influenciada por interpretações e associações como as acima descritas. Categorias distintas que envolvem espaços, tempos, modus operandi e atores diferentes podem ser ora associadas ora dissociadas para fazer valer um ponto de vista.

No caso em apreço, temos duas interpretações para um mesmo título, o primeiro acima referido.

Para o primeiro cidadão, “Mais um lavador de carros é assassinado na Praia” inclui todos os casos que no espaço de um ano, doze meses envolveram um estrato, o dos lavadores de carros residentes na Praia.

Para o/a seu/sua interlocutor/a, só pode ser considerado o caso do lavador de carros que foi assassinado no local de trabalho, pois que para o homicídio ocorrido na Fazenda ainda não se sabe se se relaciona com o facto de a vítima pertencer ao estrato referido (lavadores de carros residentes na Praia).

Para um terceiro, esta estatística podia ser alargada para incluir o homicídio corrido em 12/7 nas proximidades do polivalente “Djon Pitata”: o autor do crime, “Beu”, lavava carros. E explorando este novo ângulo, expôs o seu pensamento: - Quem duvida que há uma criminalidade específica associada a este estrato que tem uma vida desorganizada, é vê-los a jogar batota, a consumir droga, a entrar em conflito uns com os outros pela menor futilidade?

De tudo isto, extraio só uma certeza: para falar com clareza, temos de clarificar os conceitos (volte a ler o que digo sobre as categorias).

Quedo-me por aqui, na dúvida sobre se esta tentativa de compreender este pedaço do meu real melhorará o meu sentimento de "dor de munde". Vou ouvir o Dudu Araújo que interpreta Paulino Vieira: a dor da humanidade pede um minuto de silêncio.

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