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Um cidadão dizia 07 Setembro 2017

O que disse a Xia suscitou-nos interrogações, que não pudemos deixar de contextualizar no quadro das atuais reivindicações por mais autonomia. O que os movimentos mais atuantes pedem e o que podemos deles esperar. Por enquanto, o que a população tem são sobretudo perceções — ora sobre a necessidade ora sobre a desnecessidade da regionalização. Um problema de comunicação?

Por: Luiz Cunha

Um cidadão dizia

.Uma amiga que visita, por estes dias, a ilha de São Vicente traz-me o caso que lhe inquietou o dia e turvou o cenário de postal, ali na famosa praia com melhoramentos visíveis. A história de vida da Xia, que, aliás, declinou o nome todo, M.A. S. L., parece não ter problema em ser conhecida. Em parte, porque o seu caso já “passou na televisão”, segundo contou.

A Xia teve de sair da sua ilha natal para poder seguir um tratamento com antirretrovirais. Como a própria relatou, está grata à Câmara que lhe arranjou uma casinha. Mas a vida em São Vicente é complicada, “por causa da insegurança”, diz.

Acrescenta que sofre muito com os roubos que lhe fazem na sua “casinha de tambor”, como ela a dado passo descreveu a sua nova casa. Da última vez levaram-lhe “toda a roupa que estava na corda”. Se tem medo? Claro que tem, até porque mora sozinha, emenda, só, não, “com Deus”.

A extrema magreza da mulher de meia-idade não desmente o que sabemos estar relacionado com os tratamentos com antirretrovirais, para “aquela doença”, ipsis verbis da Xia (e que levou, após o grande ponto de interrogação no rosto, a interlocutora a aceitar o convite para aproximar o ouvido e confirmar o que a designação eufemística (en)cobria).

Sim, a Xia teve de sair da sua ilha natal. Conta com o apoio da Câmara, mas agora anda de mão estendida: desde há três meses que nada recebe. Daí, a interlocutora da Xia ter atendido o pedido para pagar uma refeição.

Mesmo sem certezas (que só Deus tem!) sobre a autenticidade da história de Xia, a verdade é que dois pontos da história, real ou que a Xia ‘coloriu’, pedem a nossa atenção: as atuais interrogações sobre os dois factos aqui levantados que são “a insegurança urbana” e “ a questão da saúde, em especial em lugares remotos desta terra”.

O que eles pedem

A “autonomia já” é o que os Sokols pedem como condição para desenvolver cada região/ilha.

O que sonho que podem dar

A descentralização tem de poder resolver alguns dos problemas cuja solução esteja a tardar devido ao facto da concentração de poder, recursos e decisão.

A descentralização deve poder fazer melhor e com mais justiça. Se não for para bem dos que mais precisam, de que teria valido?

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