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Um minuto de silêncio 30 Julho 2017

Esta curta frase tornou-se um símbolo de homenagem oficial, decretada pelo poder parlamentar e que todos os cidadãos devem cumprir. Um dever de cidadania para, no espaço de tempo indicado mas com efeitos intemporais, congregar num mesmo ideal o coletivo nacional.

Por: A. Teresa Pires Paulo

Um minuto de silêncio

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“Um minuto de silêncio” passou a ser paulatinamente instituído, com o mesmo simbolismo, por entidades outras, em espaços outros. Vimos que em certo jogo, num certo estádio, se observou um minuto de silêncio em homenagem a. Ou num estabelecimento de ensino. Comprove-o, googlando “asemana.cv, “um minuto de silêncio”.

Infelizmente, diria: parece que nos últimos tempos passaram a ser demais para a nossa capacidade de resistência. A memória dum “minuto” de silêncio, há quinze meses, antes duma partida de futebol, traz-me lágrimas aos olhos, machuca-me o coração, faz-me ter vergonha não sei se do país se da humanidade. Homenagem às vítimas do pior massacre de que há memória nas nossas ilhas.

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Um minuto de silêncio dura um minuto? Alguns marcam 40, 30, e até 11 segundos – comprovou-se em uma ronda online. Em França, o presidente da Assembleia Nacional confessou que marcara o minuto de acordo com a linguagem corporal que os deputados lhe transmitiam.

É pois muito raro que “um minuto de silêncio” corresponda ao padrão universal, 60 segundos. Medição exata, só se usar um cronómetro. Isto só faz o Parlamento Britânico, com o seu relógio bem visível na plenária a marcar os segundos.

Na House of Parliament, os homenageantes seguindo o cronómetro, que marca objetivamente o tempo — que para todos nós é psicológico –, batem um recorde, parece que mundial: cumprem estatisticamente uma média de 63 segundos. A média europeia, medida por um investigador do CNRS de Paris, é de 32 segundos.

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Como é que surgiu o “minuto de silêncio”?

Foi em fevereiro de 1912 que o presidente Anselmo Braamcamp Freire decretou o primeiro “minuto de silêncio” de que há história – dizem pesquisas (parte das quais consultáveis em buscas online). Nessa semana dos dezanove meses da I República, Portugal recebe com extrema comoção a notícia da morte do José Mª Silva Paranhos, que fora embaixador em Lisboa, sob o Antigo Regime.

Foi pela comoção, mas também pelo clima geral de renascença (e de que se apoderou a prosa de Eugénio Tavares), que o presidente da Assembleia Constituinte Anselmo Braamcamp Freire decretou “um minuto de silêncio” em memória do muito amado José Mª Silva Paranhos, o patrono dos diplomatas brasileiros.

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A invenção ultrapassou de longe o mandato de Braamcamp Freire, que durou o tempo para organizar a transição da Revolução para a República, curto mas produtivo.

O seu “minuto de silêncio” expandiu-se primeiro para a França (une minute de silence), Inglaterra (a moment of silence) e depois para o mundo.

Foto: Eneias Rodrigues/A Semana

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