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Universal Rectificações mira mercados da CEDEAO 10 Julho 2016

A Universal Rectificações (UR), empresa especializada produzir peças e reparar blocos motores, em particular os virados para serviços náuticos, prepara-se para conquistar novos mercados nos países vizinhos da África Ocidental. Esta aposta acontece a menos de um mês da inauguração da nave industrial, em cerimónia presidida pelo primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva. A recente unidade instalada na zona de Horta Seca, em São Vicente, representa um investimento global de 40 mil contos em espaços construídos e equipamentos montados. O sócio-gerente Paulo Melício vai ao exterior para adquirir mais máquinas por forma a garantir não só a produção em série, mas também a preparar melhor a UR para fazer jus ao seu lema: “Qualidade e Precisão”.

Universal Rectificações mira mercados da CEDEAO

A empresa Universal Rectificações começa a preparar-se para expandir a sua actividade, agora para os países vizinhos da costa ocidental africana, consolidada que está a sua presença em todo o mercado nacional, inclusive na ilha de Santa Luzia onde presta serviços de mecânica no desmantelamento do “Terry 3”, o navio panamiano encalhado. Paulo Melício diz que quer suprir as necessidades mecânicas até hoje prestadas por empresas europeias.

“Estamos a diversificar os nossos serviços. Acredito que temos um vasto campo a explorar. Queremos consolidar para depois avançar. A nossa meta agora é trabalhar para os países vizinhos que, normalmente, procuram empresas europeias para suprir as suas necessidades neste sector. Entendo que podemos prestar esses serviços e com igual qualidade. Este é o nosso próximo projecto e, para isso, vou agora no mês de Julho para o exterior para adquirir mais máquinas, por forma a fazer produções em série e expandir. Temos de continuar a andar”, assevera.

O grande diferencial da UR foi sempre a ousadia, congratula-se Paulo Melício sobre a empresa que começou na garagem da sua casa. Dedicada ao fabrico de peças para a reparação de motores de mota, carros e barcos, também outras impossíveis de encontrar no mercado nacional. “Comecei a trabalhar na Cabnave em 1988. Mas, dois anos depois, um primo teve a ideia de comprar duas máquinas da extinta Interbase. Era um trabalho em paralelo, a que me dedicava depois do horário normal de expediente na Cabnave. As duas máquinas ainda estão na empresa e são a matriz da Universal”.

A oficina cresceu à volta destas duas máquinas de rectificação de blocos de motores enquanto trabalhava na Cabnave onde exercia a profissão de torneiro-mecânico. Animado de grande vontade de avançar na vida, Melício continuava a estudar, tendo concluído o curso de Mecânica na Escola Técnica e, posteriormente, o 12º ano. Depois, quando o primo decidiu desfazer-se das máquinas, Melício pagou-lhe recorrendo a um empréstimo bancário e a um “junta-mon” de familiares. A oficina ficou então na garagem da sua casa.

Conforme revela este empreendedor, depois do seu horário normal de expediente na Cabnave, regressava à casa para trabalhar na garagem. Com o negócio a crescer, sentiu necessidade de comprar mais máquinas, no caso um Torno. “Não sei como, mas consegui arrumar todas as máquinas na garagem onde trabalhava. Como já tinha alguma solicitação e o meu horário de trabalho era complicado, comecei a ensinar alguns rapazes, que iam fazendo pequenos trabalhos até eu chegar. Mesmo assim, sentia alguma dificuldade em atender a demanda dos clientes que iam surgindo. Decidi então solicitar uma licença sem vencimento na empresa, para arrumar a oficina”.

Novos voos

Paulo Melício conta que recorreu a um novo empréstimo, no montante de cinco mil contos, e viajou para a Holanda, onde adquiriu mais equipamentos, que lhe permitiam diversificar os seus serviços. Nesta altura, colocou um contentor frente à sua casa para receber as novas máquinas. A oficina Melício ganhou então o nome de Universal Rectificações, uma forma também de facilitar a importação dos equipamentos. Na parte administrativa, contou com o apoio da esposa, que é professora. Aliás, ainda hoje é ela que assume esta parte do negócio.

Mas houve outros momentos importantes na vida de Melício. No ano de 2008, o mecânico decidiu dar por finda a sua licença sem vencimento. Conta que tomou tal decisão não porque pretendia voltar para a empresa, mas porque contando já com 20 anos de trabalho na Cabnave receava largar o certo – o seu posto de trabalho já seguro na empresa – pelo incerto que era a aventura na recém-criada UR. Fê-lo e hoje tem a certeza que fez o melhor ao arriscar num projecto privado, quando na Cabnave o informaram que não havia condições financeiras para custear a sua reforma antecipada. “Nessa altura, decidi abandonar a Cabnave e entrar em força na minha empresa. Felizmente, contei com o apoio da minha esposa. Paralelamente, continuei a frequentar formações no exterior e a aprimorar os meus conhecimentos. Aquilo que aprendia, transmitia aos jovens aprendizes da minha oficina. Hoje tenho 18 pessoas a trabalhar comigo, entre efectivos, estagiários e sazonais”.

Os trabalhos da UR conquistaram mercados, primeiro a nível local e depois nacional. Actualmente os seus serviços são solicitados por empresas e pessoas particulares de todo os pontos do país, até na ilha de Santa Luzia onde presta assistência na desmontagem do navio Terry 3, e também atende os navios e iates que visitam a ilha de São Vicente. Esta demanda e, sobretudo, a necessidade de garantir a confiança dos clientes – que, confrontados com o espaço apertado da garagem, chegavam a duvidar da capacidade da empresa para dar resposta aos pedidos – levaram-no a apostar na expansão da firma. Adquiriu um lote de terreno em Horta Seca e construiu ali a nave industrial, que foi inaugurada pelo chefe do governo, Ulisses Correia e Silva, no dia 10 de Junho.

O edifício da Universal Rectificações é assinado pelo irmão, o arquitecto António Melício. Mas contou com contribuições de Paulo que, fruto das muitas formações feitas na Alemanha, Holanda e Portugal, já tinha toda a ideia na sua cabeça. Agora a ambição é ainda maior. “Foi a qualidade do nosso trabalho que nos tornou uma empresa credível. A divulgação foi mais a boca-a-boca, embora tenhamos feito uma deslocação às ilhas de Santiago e Fogo para dar a conhecer o nosso trabalho. Actualmente, para além de rectificar motores, fazemos porcas, parafusos, casquilhos, veios. Ou seja, fazemos tudo o que é necessário para motores de mota, carros e, sobretudo, de barcos. Também prestamos serviços às empresas industriais, caso da Enapor, por exemplo. As máquinas industriais de São Vicente são quase todas reparadas na Universal”, afirma.

O próximo passo é conquistar o mercado da CEDEAO. Paulo Melício não tem dúvidas de que a sua empresa consegue prestar um serviço com a mesma qualidade que as grandes indústrias europeias. Para isso, pretende fazer, ainda neste mês de Julho, mais uma viagem ao exterior para aprimorar conhecimentos e comprar alguns equipamentos para garantir a produção em série. Além de querer assegurar a qualidade, este mecânico admite que nunca está satisfeito com aquilo que faz. É que, segundo ele, quer fazer sempre mais e expandir a UR, até porque acredita que esta é uma área ainda com um vasto campo por explorar.

Apoios especializados

Para fazer toda esta caminhada, Paulo Melício contou com suporte técnico e financeiro da Câmara do Comércio de Barlavento, através do Fundo de Crescimento e Competitividade (FCC) e ainda foi orientado pela consultora MultiServiços. Projecto que se tornou um caso de sucesso, a Universal Rectificações ultrapassou, ao nível da qualidade e da personalização dos serviços prestados, a concorrência. Sempre a sonhar mais alto, a empresa hoje aposta em novos serviços, nomeadamente trabalhos em série e moldes.

Apesar de recente, a firma adoptou uma postura de maior agressividade na sua divulgação, com a criação de um website. Por outro lado, investe na formação dos seus colaboradores. Estes factores foram aliás destacados pelo chefe do Governo, ao inaugurar a nova sede da UR. Ulisses Correia e Silva enalteceu este exemplo de empreendedor que assume o risco, investe, cria emprego e leva ao desenvolvimento da actividade económica na ilha de São Vicente. “As pessoas para investirem têm de acreditar e apostar” em “tempo, energia, dinheiro e dívidas para produzir algo útil”, disse o primeiro-ministro, realçando que as empresas são mais que meros negócios: acima de tudo, são emprego e rendimento.

Constânça de Pina

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