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Vulcão do Fogo: O despertar de um gigante 24 Novembro 2014

E o vulcão volta a despertar, quase duas décadas depois. Acorda praticamente sem avisar, carregando consigo a fúria de um gigante que tem aos seus pés uma pequena aldeia frágil e carente. As mesmas chamas que atraem pela beleza, as mesmas lavas levam encosta abaixo a esperança de uma comunidade inteira.

Vulcão do Fogo: O despertar de um gigante

O aviso foi dado já era noite, mas só de manhã o vulcão mostrou a sua verdadeira força. Da alta coluna começaram a sair matérias incandescentes e fumos, que jorram da cratera e formam um enorme rio de lava a escorrer pela encosta do velho cone. Em poucas horas a estrada principal ficou interditada e a circulação passou a ser feita por uma via alternativa.

E Chã das Caldeiras, exactamente 19 anos e seis meses depois, volta a viver momentos tensos, de medo, de desolação, sem protecção civil para lhe acolher de prontidão, sem meios de transporte a tempo e hora para lhe socorrer. Crianças, jovens, idosos todos a tentarem como podem salvar os seus bens: roupa, comida, móveis, electrodomesticos e gado. Mas o tempo é pouco, são vidas em risco. Aos poucos se convencem que o melhor é abandonar tudo.

Ainda assim, alguns tentam resistir, querem desafiar a força da natureza e ficar ali até que o vulcão volte a dormir. Mas as previsões não são nada boas. A actividade vulcânica passa de fase a velocidade mil e só tende a aumentar . E quem ousa ficar está a colocar nas mãos da natureza a sua própria vida e a de muitos outros. Porém, a salvaguarda da vida humana está em primeiro lugar.

Perante um desastre da natureza, com mais de um milhar de vidas em apuros, poderes locais e central tinham que unir as forças. Contingentes de militares, Polícia Nacional, Protecção Civil, nacional e municipal, voluntários foram todos mobilizados para garantir que ninguém fique no local. O governo também fala em apoio internacional, caso for necessário. Afinal o cenário compara-se à erupção de 1951, bem mais catastrófico que o de 1995.

Sem opção, mais uma vez os moradores de Chã das Caldeiras são obrigados a deixar para trás tudo que construíram: o campo de cultivo, a terra de que dependem para viver, o milho, o feijão e a batata, as vinhas e as fruticulturas, o gado e o pasto, a casa, uma vida inteira. Regressam para as antigas moradias, construídas aquando da última erupção de 1995. O bloco do projecto Casa Para Todos nos Mosteiros, também foi disponibilizado pelo Governo.

É lá que vão esperar, uma vez mais, até tiverem as condições para voltarem a sua terra, ao pedaço de chão que souberam explorar, a terra de onde fazem brotar frutas, legumes, queijo, doces, vinho. Sim, é lá que vão renovar a esperança e a tenacidade do cabo-verdiano antes de voltarem ao pé do "Homi Grande" que de vez lhes prega cada susto, mas que os torna imponentes e impartíveis no seu regaço.

Refira-se, a última erupção do vulcão do Fogo aconteceu em 1995, quando pouco passava das 23h00 de 2 de abril, prolongando-se por mais de duas semanas. O vulcão do Fogo havia despertado de um longo sono de 44 anos, para mostrar que estágio, como a alma de um povo que forjou a sua imagem e semelhança -o orgulho e a bravura do homem do vulcão.

Sílvia Frederico/Nicolau Centeio

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