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Uzbequistão: ‘Viveiro do Estado Islâmico’... 03 Novembro 2017

A origem nacional uzbeque de Sayfullo Saipov, o autor do atentado que matou oito pessoas em Manhattan, Nova Iorque, chama a atenção para os atentados que nos últimos anos foram cometidos por cidadãos daquele país centro-asiático. Em três continentes, pelo menos, desde a Turquia e Rússia ao Paquistão e da Suécia aos Estados Unidos, os radicalizados uzbeques têm sido homens de mão de djihadistas e outros radicais.

Uzbequistão: ‘Viveiro do Estado Islâmico’...

O presidente uzbeque Shavkat Mirziyayev já prometeu que o país vai cooperar com os Estados Unidos no inquérito ao atentado deste 31 de outubro, o primeiro em Nova Iorque após o atentado do ’11 de Setembro’, então levado a cabo pelo Al-Qaeda.

A história recente mostra o longo braço dos movimentos radicais islâmicos a comandar os atentados perpetrados por indivíduos de nacionalidade uzbeque.

Abdulkadir Masharipov, na noite de fim de ano último matou 39 pessoas numa discoteca de Istambul. Akbarjon Djalilov que matou 14 pessoas em abril último no metro de São Petersburgo, embora nacional russo e nascido no Quirguizistão, era membro da minoria uzbeque na Rússia. Rakhmat Akilov foi detido como autor do atentado de Estocolmo que matou 5 pessoas em 7 de abril do corrente. Apenas dois dias antes, em 29 de outubro, o tribunal de Nova Iorque condenou Abdulrasul Djouraboev a quinze anos de prisão ‘por apoio ao Estado Islâmico’ – desde 2014 que publicava na Internet propaganda pró-EI, que incluíram ameaças ao presidente dos Estados Unidos, e deslocou-se à Turquia para se encontrar com o EI. Uma mulher, de quem só foi divulgado que é de nacionalidade uzbeque, foi em 28 de outubro condenada a um ano de prisão por ter participado na organização de ativistas extremistas, na mesma semana do atentado de Nijni Novogorod, Rússia, que matou dois soldados.

Pós-independência, um movimento islâmico radical

O Uzbequistão, antiga república da URSS, tornou-se independente em 1991. A laicização imposta pelo regime soviético continuou sob o primeiro presidente, Islam Karimov, que governou o país até à morte em 2016.

Já em 1991 surgiu o Movimento Islâmico do Uzbequistão (MIO), fundado em Ferghana, região habitada por 12 milhões de pessoas ( o país tem 32 milhões).

De 1992 a 1997, o MIO terá cometido vários assassinatos na região, como parte da sua tentativa de introduzir a lei islâmica nessa região a leste e depois avançar para sul.

Em 2015 o MIO jurou lealdade ao Estado Islâmico. Muitos militantes estarão também ligados ao Al-Qaeda. O grupo participou no assalto ao aeroporto de Karachi, Paquistão que em agosto de 2014 fez 37 mortos.

Mais de 1 500 uzbeques no EI

Os serviços secretos russos calculam que os uzbeques constituem a maioria de recrutados, de entre os dois mil a quatro mil imigrados da Ásia Central que se juntaram aos grupos djihadistas, tanto do Estado Islâmico como da Al-Qaeda, no Iraque e na Síria.

O presidente uzbeque Shavkat Mirziyayev já prometeu que Tasquente/Tashkent vai cooperar com Washington no inquérito em curso. Mas analistas apontam que o regime autoritário que há 26 anos domina o Uzbequistão é uma das principais causas para a radicalização dos jovens.

Mais ainda que em outras ex-repúblicas soviéticas centro-asiáticas – Tadjiquistão, Turquemenistão, Cazaquistão —, as perspetivas no Uzbequistão, onde grassa o autoritarismo e a corrupção, são tão sombrias que a sua juventude é empurrada ou para a emigração ou para o extremismo. Quando não para ambos, como no caso mais recente do atentado de Manhattan. O indivíduo, agora com 29 anos, chegou em 2010 aos Estados Unidos e o seu processo de radicalização, segundo estão a mostrar dados da investigação em curso, começou há pouco tempo.

O maior sinal do insucesso da laicização patenteia-se no facto de que os jovens emigrados do Uzbequistão são facilmente recrutados para o terrorismo organizado pelos movimentos fundamentalistas, sejam djihadistas ou não.

“Em Nova Iorque, vemos o resultado, e sem dúvida o insucesso, da política religiosa das autoridades uzbeques”, analisa o investigador russo Rafael Sattarov, do think tank ’Biling Brains’, nos Estados Unidos: “São inúmeros os religiosos que têm de se exilar. No Ocidente, ou na Rússia, enfrentam imensas dificuldades de integração e uma grande xenofobia”. Por outro lado, no Uzbequistão “o ensino do Islão é tão medíocre que prepara muitos jovens para facilmente se deixarem impressionar por ideias salafistas” (movimento ortodoxo ultraconservador dentro do islamismo sunita).

Fontes: Le Monde. Foto CNN. http://www.lemonde.fr/international/article/2017/11/01/l-ouzbekistan-foyer-de-radicalisme-islamiste-en-asie-centrale_5208803_3210.html#39cZEhBEbvcKEKbD.99

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