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Primeiro-ministro são-tomense reconhece desacordo na cooperação entre Lisboa e São Tomé 11 Janeiro 2017

O primeiro-ministro Patrice Trovoada reconheceu — na segunda-feira, 9 em declarações à comunicação social pública na capital são-tomense — que São Tomé e Príncipe e Portugal estão em desacordo quanto à execução do Programa Estratégico de Cooperação (PEC), assinado em Setembro último, sobretudo no que concerne os sectores da saúde e justiça.

“É preciso que toda a gente perceba que este Governo quer um pouco mais de resultados e coisas talvez um pouco diferentes. Nós estamos habituados a fazer as coisas da mesma maneira e nunca querer a inovação, nunca querer transformação”, explicou Patrice Trovoada, em declarações à Rádio Nacional e à Televisão Nacional de São Tomé e Príncipe.

“O PEC era para quatro anos, e a parte portuguesa, devido às suas dificuldades, passou-o para cinco anos. Um programa de cooperação que era para quatro anos agora ficou para cinco anos. Durante nove meses nós não tínhamos programa de cooperação”, explicou.

“Todo o 2016 foi um ano branco, mas o país não parou. Parou?, não, o país continuou”, acrescentou Patrice Trovoada ao sublinhar que devido à falta de financiamento português no ano transacto, o seu Governo procurou outro “caminho para sustentar os projectos, sobretudo o “Projecto Saúde para Todos”.

O primeiro-ministro são-tomense indicou que no rol dos programas de cooperação financiados pelo PEC, os sectores da saúde e justiça estão a ser prejudicados por falta de entendimento entre os governos dos dois países.

Como explicou, o governo são-tomense queria o “Projecto Saúde para Todos” “já com um formato diferente em que há projectos, há montante de financiamento, há um período definido, etc.”, mas “Portugal quis uma outra filosofia e houve que fazer cedências”.

Também no sector “da justiça fizemos uma proposta, Portugal disse que não estava disponível e propôs outras coisas, vamos ver se dizemos que sim ou que não”, disse o chefe do governo são-tomense.

“Voltamos de novo a discutir até que cheguemos aquilo que nós pensamos ser bom para Portugal e bom para São Tomé e Príncipe. Dentro de mais algumas semanas eu penso que todos os sectores chegarão a um entendimento e poderemos assinar os projectos específicos”, acrescentou Patrice Trovoada.

Cooperação São Tomé e Príncipe - Cabo Verde

Em Dezembro de 2015, aquando da sua última visita a Cabo Verde, o chefe do Governo são-tomense referiu que as experiências de energias renováveis e o investimento privado cabo-verdianos eram fontes de inspiração para São Tomé e Príncipe.

Dois meses depois ao receber, em São Tomé, o primeiro-ministro de Cabo Verde, Patrice Trovoada disse "estar consciente" dos avanços que Cabo Verde apresenta em domínios como as energias renováveis, o clima de negócios e na capacitação de recursos humanos, designadamente no sector turístico.

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