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Brasil depois do caso Carne Fraca: Novo escândalo com operação Carne Fria 27 Março 2017

Autoridades e operadores económicos que exportam da Republica Federativa do Brasil, com destaque para a Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, estão cada vez mais preocupados com os recentes incidentes que vêm surgindo sobre a indústria de carne nesse que é considerado o maior país da CPLP. É que depois do caso Carne Fraca, surge agora o escândalo «Operação Carna Fria» - compra de carnes produzidas em fazendas com áreas embargadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) por desmatamento ilegal na Amazónia (distribuição de florestas), que constitui um crime ambiental e não só

Brasil depois do caso Carne Fraca: Novo escândalo com operação Carne Fria

O caso está a ser seguido pela imprensa local e internacional. O site O Eco, especializado em meio ambiente e floresta, noticia, por exemplo, que, por coincidência e mais azar do governo de Michel Temer – está em pleno turbilhão da operação Carne Fraca -, o Ibama deflagrou, na última 2ª feira, 20/3, outra operação que atinge gravemente a indústria da carne no país, inclusive a JBS, a maior empresa do ramo, dona das marcas Friboi, Seara e Swift.

Revela que ninguém combinou, mas o Ibama chamou a si a sua operação de Carne Fria. Nessa ação, autuou 14 frigoríficos no Pará, Bahia e Tocantins que compraram 58 mil cabeças de gado, produzidas em 26 fazendas com áreas embargadas pelo Ibama por desmatamento ilegal na Amazónia.

Descreve que, de entre os frigoríficos, estavam as unidades de Redenção e Santana do Araguaia, no Pará, pertencentes à JBS. Que feitas as autuações, o Ibama estava pronto para divulgar o sucesso da talvez mais técnica operação que já realizou, e uma das mais bem-sucedidas em flagrar grandes infractores. Mas acrescenta que isso não aconteceu, porque, em seguida, e de Brasília, o governo começou uma operação para tentar abafar a divulgação do caso a nível nacional – vários sites de notícias regionais já publicaram notas a respeito.

Segundo apurou ((o))Eco, Suely Araújo, presidente do Ibama, ensaiou duas vezes convocar uma colectiva de imprensa, mas acabou não indo em frente. A mais formal delas aconteceria nesta 6a feira, 24/3, em Belém do Pará, e seria feita em conjunto com o Ministério Público Federal, que apoiou a operação.

Diz a mesma conte que a reviravolta ocorreu porque nem mesmo o Ministério do Meio Ambiente (MMA) estava bem informado sobre a Carne Fria. Conta que quando o Planalto (governo) tomou o conhecimento do que estava acontecendo foi cobrar satisfações do Ibama pelo novo desastre de comunicação e tentar adiar a sua publicidade. Tarde isto foi tarde demais. A tentativa de conter danos não funcionou, porque o Ibama havia avisado sobre a ação a repórteres da Rede Globo e Repórter Brasil.

Para O Eco, no meio do inferno astral da Carne Fraca, da Polícia Federal, a Carne Fria, do Ibama, é um repique do desgaste que o governo e a indústria estão passando. E dessa vez, por uma razão muito mais difícil de consertar: destruição de bioma. A operação torna público que pelo menos uma grande exportadora de carne brasileira está comprando animais criados em áreas de desmate ilegal. E áreas de pasto para gado representam cerca de 60% do desmatamento acumulado na Amazónia.

Segundo a mesma fonte, é mais fácil tirar um lote de carne estragada do supermercado do que regenerar partes destruídas da floresta mais famosa do planeta. As unidades da JBS de Redenção e Santana foram autuadas pelo crime ambiental de "adquirir produto de área embargada", o que significa, no caso, área desmatada fora da lei.

Um ano de preparação

A Carne Fria começou, diz O Eco, a ser planejada há cerca de um ano, em 2016. Em vez de fiscalização em campo, a operação usou um esforço de inteligência para pegar os infractores. A sua primeira etapa ocorreu em janeiro de 2016, quando o Ibama notificou os frigoríficos a entregar ao instituto os documentos que mostram a procedência do gado que adquirem.

Conforme o referido órgão, o documento mais importante para a investigação foi o chamado GTA (Guia de Trânsito Animal), usado para controle sanitário, em especial da febre aftosa. De posse do GTA é possível saber qual o percurso do gado, das fazendas que criam e as que engordam até chegar à porta do frigorífico. Os dados dos frigoríficos foram comparados com os fornecidos pela Adepará (Agência Estadual de Defesa Agro-pecuária do Estado do Pará). Por sua vez, a Adepará só forneceu esses dados depois de pressionada pelo Ibama e pelo Ministério Público. Uma vez de posse dos dados da indústria e da agência fiscalizadora, o cruzamento apontou os infractores.

Uma consequência da operação do Ibama, segundo apurou ((o))eco, foi a queda do superintendente interino do instituto no Pará, Luiz Paulo Printes, um dos responsáveis por preparar a Carne Fria. Ele foi destituído do cargo na manhã desta 4a feira, 22/3.

Agora, além de fraca, a carne é fria e envolve crime ambiental: mais desmatamento na Amazónia.

Ibama, JBS e Ministério da Agricultura

A imprensa local avança que, procurado, o Ibama negou ter havido cancelamento de entrevistas a respeito da Carne Fria. Afirma que a operação ainda durará cerca de 15 dias e que divulgará nota com informações oficiais. Os resultados ainda seriam parciais.

Tambem procurada, a empresa JBS negou ter comprado de fornecedores irregulares, confnrome diz na nota que O Eco teve acesso: «A JBS reitera que não comprou e não compra nenhum animal de fornecedores incluídos na lista de áreas embargadas do Ibama e vem cumprindo integralmente o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), assinado com o Ministério Público Federal do Pará em 2009.

A Companhia não é e não pode ser responsabilizada pelo controle e movimentação de gado de seus produtores. A empresa não tem acesso a Guia de Transito Animal (GTA) - documento de posse e de uso exclusivo do governo -, único responsável pelo controle de trânsito animal. Dessa maneira, é um absurdo que o Ibama queira imputar à indústria frigorifica a responsabilidade por garantir esse controle.

No que é de sua responsabilidade, a JBS trabalha com um sistema de monitoramento sofisticado com imagens de satélite e análise de documentos públicos. Fornecedores irregulares são imediatamente excluídos. Nas três últimas auditorias independentes, a JBS obteve mais de 99,9% de conformidade com critérios socio-ambientais aplicados à compra de gado», lê-se n o documento.

Já o Ministério da Agricultura informou, por meio de sua assessoria de comunicação, não ter conhecimento da operação Carne Fria.

C/O Eco

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