Em Cabo Verde: Investigadores estudam relação da miscigenação com doenças cardiovasculares 03 Outubro 2007
Um grupo de investigadores portugueses, em parceria com a Universidade de Cabo Verde, vão iniciar, em Novembro, um estudo que pretende verificar se existe alguma relação entre a miscigenação e as doenças cardiovasculares, como a obesidade e a hipertensão arterial. Nesta investigação, serão recolhidas amostras de ADN de 2000 cabo-verdianos em seis ilhas do país.
A investigação, que se prolongará por três anos, vai ser realizada pelos institutos de Patologia e Imunologia Molecular (Ipatimup) e de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto, no norte de Portugal, em colaboração com a Universidade de Cabo Verde.
Cabo Verde foi escolhido como "tubo de ensaio" para este estudo, uma vez que, segundo o coordenador do projecto, o professor Espiga de Macedo, o arquipélago tem elevados níveis de consanguinidade entre pessoas de raça negra e branca, que estão na origem da população cabo-verdiana.
Espiga de Macedo explicou à Lusa que "a hipótese teórica já existe há muito tempo", mas não tinha havido ainda condições para se realizar um estudo aprofundado que confirmasse, ou não, a relação. E que Cabo Verde tem "uma condição especial" que poderá ajudar os investigadores a chegarem a alguma conclusão.
Segundo o Ipatimup e o IBMC, a obesidade e a hipertensão arterial não só "estão a atingir frequências alarmantes nos países desenvolvidos, como também estão a sofrer um aumento progressivo nos países em desenvolvimento, à medida que estes vão adoptando um estilo de vida mais ocidental".
"Estas doenças tendem a ser especialmente frequentes em populações de ascendência africana que vivem em países industrializados, sugerindo que existem factores de risco hereditários para o seu desenvolvimento especialmente naquelas populações", salientam os autores do estudo, citados pela Lusa.
Os investigadores referem que a maior prevalência de obesidade e hipertensão arterial na população portuguesa se verifica nas bacias dos rios mais a sul de Portugal (Tejo, Sado e Guadiana), o que "poderá ser consequência da existência de uma influência africana histórica marcada nessas populações".
O estudo vai começar com a recolha de amostras de ADN de 2.000 residentes nas seis ilhas mais povoadas de Cabo Verde, de mil emigrantes de ascendência cabo-verdiana em Portugal e de 500 portugueses das bacias do Tejo, Sado e Guadiana.
"Dentro de um ano já teremos os primeiros resultados", afirmou Espiga de Macedo, explicando que serão estudados, "de preferência, obesos e hipertensos".
A recolha de amostras será acompanhada de medições objectivas de indicadores da obesidade e hipertensão de cada dador, a que se seguirá a avaliação dos níveis de miscigenação utilizando uma bateria de 40 marcadores informativos para ancestralidade.
Esta investigação é financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal e pela farmacêutica Sanofi-Aventis.

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