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A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Portugal: Autarca proíbe funcionária de falar crioulo 01 Agosto 2008

O caso de Glória Monteiro, funcionária da Junta de Freguesia de Benfica (Lisboa), ganhou repercussão nos jornais portugueses. Os diários divulgaram esta sexta-feira, 01, que aquela cabo-verdiana foi proibida por seu superior, o autarca Domingos Alves Pires, de falar em crioulo. O mal-estar foi agravado por acusações de racismo e difamação entre as partes envolvidas.

O Diário de Notícias relata que o autarca alega que a funcionária estava “a destabilizar o ambiente de trabalho ao usar um idioma que os outros não entendem”. Já a Glória Monteiro diz que há 20 anos trabalha no pelouro da Cultura e que utiliza a língua cabo-verdiana nas conversas com a irmã, Lóide, que também pertence ao quadro de funcionários da junta. Alves Pires alega que a “situação tem gerado desconfiança entre os outros colegas que julgam estar a ser alvo de má-língua” das duas cabo-verdianas. De acordo com a sua versão, cinco funcionários queixaram-se junto dele desse facto.

As desavenças começaram no final de Abril e culminaram com a suspensão da funcionária por um período de 30 dias, com a instauração de um processo disciplinar. Glória Monteiro, por sua vez, acusa o autarca de racista por tê-la chamado de “preta” e “golpista” durante uma discussão para um pedido de férias. A solicitação foi negada pelo presidente.

A funcionária ganhou o apoio do Bloco de Esquerda numa manifestação em frente às instalações da junta. O DN diz ainda que Alves Pires garante que não foi uma proibição, mas apenas “um conselho”. O jornal conversou com um jardineiro da instituição que revela ter ouvido o presidente dizer com todas as letras “aqui não se pode falar em crioulo”, contou a reproduzir a instrução do autarca.

Em declarações à agência Lusa, Domingos Alves Pires afirma que “a língua oficial, tanto para a funcionária, como para qualquer outro, é o Português. Quando uma pessoa fala com outra numa língua que as outras não percebem, gera-se suspeição e mal-estar”. O presidente avança que vai fazer um novo processo, “com vista ao despedimento, porque [ela] tem vindo para a praça pública enxovalhar a Junta e isso é muito grave”.

A Lusa informa ainda que em comunicado, o Bloco de Esquerda afirma que o Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa considerou a pena desproporcionada e aceitou a providência cautelar da funcionária, mas que o presidente continua a recusar o pagamento dos meses em falta.

RB

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