Para o director do Hospital Agostinho Neto (HAN), trata-se de uma iniciativa inovadora, financiada pela empresa CV Telecom, que vai diminuir o fluxo de pacientes cabo-verdianos deslocados para Portugal. Artur Correia acredita que esta medida introduz “vantagens extraordinárias” na Medicina e na economia cabo-verdianas.
“Nas situações em que é necessário uma opinião especializada ou mais cuidada já não será preciso o doente ser evacuado para Portugal, porque os especialistas cabo-verdianos e portugueses podem analisar o estado clínico, ver as ecografias e os exames online e decidir, em conjunto, o tratamento adequado para o paciente”, refere Correia.
Artur Correia explicou ainda que esta primeira experiência deverá ser alargada posteriormente a outras estruturas de saúde de referência no exterior. “Já temos um projecto de Telemedicina para ligar os serviços de saúde de Cabo Verde a centros de saúde de referência em Portugal e nas Canárias e outros que possam vir a aparecer”.
A CV Telecom vai financiar a compra dos equipamentos, orçados em 2,5 milhões de escudos, garantir assistência técnica e ligação telefónica durante seis meses. “Já temos financiamento e estamos à espera que os equipamentos cheguem ao país. Prevemos para Maio a primeira ligação do equipamento. Teremos uma ligação semanal de duas horas com o Hospital Pediátrico de Coimbra”, explicou.
Artur Correia disse ainda que o HAN aposta na informatização dos seus serviços e no uso das novas tecnologias da informação e comunicação, mesmo para a ligação com outras estruturas de saúde nas outras ilhas.
A ideia é ligar o hospital em rede com os centros de saúde nas outras ilhas, permitindo o acesso aos registos da passagem de um doente dos centros de saúde para o hospital, incluindo o historial médico e as análises complementares do diagnóstico do paciente.
“Vamos aproveitar esta experiência e ligar o HAN aos centros que dependem do HAN para evitar evacuações internas. É que sendo um hospital de referência, o HAN dá cobertura, em serviços especializados, a 80 por cento da população”, especificou.
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