Nos finais de 1974 surgia na cidade da Praia um orfeão, composto por jovens cuja média de idade rondava os 17 anos. Hoje querem regressar aos palcos e à vocação desses tempos, 32 anos passados… É já no dia 25 de Maio que o Orfeão da Praia vai voltar a reunir-se.
“A ideia foi de Filomena Frederico Delgado, elemento original do grupo, e em Janeiro deste ano começaram os ensaios”, conta Eutrópio Lima da Cruz, que em 1974 dirigia o grupo. Agora afirma já estarem prontos para se apresentarem ao público, num dia especial – o Dia de África (25 de Maio). Árias de ópera, peças polifónicas clássicas e géneros de música cabo-verdiana estilizados a quatro vozes compõem o repertório. “Será, no fundo, uma antologia das 11 apresentações que fizemos em 2005/07”.
Em Janeiro, conta Lima da Cruz, reorganizaram-se e arranjaram o material humano. O orfeão hoje é composto por 30 elementos dos idos anos 70 e por outras trinta pessoas, que são as “novas aquisições do grupo”. “São pessoas inseridas nas mais variadas esferas da sociedade cabo-verdiana: desde empresários, funcionários públicos, professores universitários e liceais até pilotos”, elenca. Ninguém é profissional de música e, tal como afiança Lima da Cruz, tudo não passa de “uma carolice nossa”.
O concerto terá um sistema de convites e vai realizar-se no auditório da Assembleia Nacional. “O grupo existe para a nossa satisfação espiritual, porque em Cabo Verde não há mercado para este género de iniciativa”, diz Eutrópio Lima da Cruz. E, por isso, prognostica o chefe de orquestra, depois deste primeiro concerto, ficará à mercê das solicitações. Mas independentemente disso, realça, tal como em 1975, “os nossos encontros são sempre de festa, alegria e convívio. As pessoas dão o melhor de si”.
Catarina Abreu
Cidade da Praia























