Quando em África - e na América Latina também- , a moda é mexer na Constituição para perpetuar-se no poder -, a pergunta da mídia francesa estava engatilhada para um presidente que vai retirar-se na maior discrição da cena política. E Pedro Pires respondeu com a maior naturalidade do mundo: " é uma simples questão de fidelidade aos textos que norteiam o Estado de Direito. Também porque jurou respeitar a Constituição durante a sua investidura (a 22 de Março de 2006) enquanto presidente da República.
"Vou cumprir com este compromisso. Não vejo porque me manter no poder", insistiu o chefe do Estado cabo-verdiano, justificando a decisão com a sua longevidade política e pela situação de estabilidade política e económica do seu país.
Pedro Pires congratulou-se com o respeito de que goza Cabo Verde junto da comunidade internacional, bem como da estabilidade e dos bons indicadores económicos do seu país. Por tudo isso, agora pode retirar-se para escrever as suas memórias. Lembrou que o seu compromisso político começou com a guerra de libertação nacional levada a cabo pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), então dirigido por Amílcar Cabral.
"Tomei parte activa na luta de libertação nacional, assisti aos primeiros passos do jovem Cabo Verde independente. Isto significa que estou no centro do sistema há quase 50 anos. Creio francamente que chegou o momento de partir", frisou o Presidente cabo-verdiano, 75 anos de idade.
Recusando-se a dar lições aos seus homólogos africanos, Pedro Pires sugeriu, no entanto, uma análise exaustiva dos países e momentos em que elas ocorrem em África, para que o remédio seja mais eficaz que o diagnóstico.
"Em todo caso, no meu entender, se há um limite de mandatos na Constituição ele deve ser respeitado", concluiu o Presidente cabo-verdiano, eleito pela primeira vez em Março de 2001 e reeleito em Fevereiro de 2006.
MN
Fonte: “PANA”
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