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Mortes expõem fragilidades no país em matéria de Salvamento 14 Setembro 2009

Neste momento em Cabo Verde, nenhuma entidade portuária dispõe de materiais de salvamento. A afirmação é do Capitão dos Portos de Sotavento, João de Deus Silva, que assim justifica o facto da polícia marítima chegar à praia de Cova Minhoto meia hora depois de ser dado o alerta que três pessoas se afogavam no mar. Um balanço trágico: dois pescadores mortos. Fica também a revolta contra um estado de coisas que muito terá pesado na hora de salvar duas vidas. Primeiro, pescadores não dispunham nenhum meio de sobrevivência, no caso de acontecer algum azar. Depois, autoridades marítimas que não têm meios para actuar em operações de busca e salvamento.

Mortes expõem fragilidades no país em matéria de Salvamento

Na última quinta-feira, as pessoas experimentaram de uma forma horrível a tragédia que pode acontecer quando um país rodeado de água não sabe se precaver dos perigos que o mar encerra. E neste caso o acidente deu-se em plena Baia da Praia, nas imediações de Quebra Canela (Cova Minhoto), a uns escassos dois quilómetros da Capitania dos Portos.

Dois factos, dois momentos

Primeiro momento- Três pessoas saem para a pesca- dois pescadores e um professor de Liceu que os acompanha- num bote pequeno, um peso além do permitido.

Não levam boiais e muito menos colete salva-vidas, no caso de acontecer um azar.

Ao saírem para o mar ignoram a bandeira vermelha a indicar perigo.

Seguem mar largo num tempo a prenunciar chuva e alguma tempestade. Tentam volta para terra firme quando a chuva cai forte e as ondas ultrapassam os 30 metros. Ninguém sabe se fizeram boa pesca, pois antes de vararem na praia o mar encrespado faz virar o bote e atira-os para água. O bote depois escangalha-se contra a rocha. No meio de um mar revolto pedem socorro, as pessoas em terra vivem impotentes a angústia de ver três homens a morrer frente a eles e sem poder fazer nada. Ninguém se atreve a entrar num mar que estava para matar. Um deles resiste até à chegada de uma rede improvisada atirada de uma pedra e que ele consegue segurar.

Segundo momento- A falta de equipamentos fez a policia marítima chegar ao local uma hora depois do acontecimento. Quando chegaram o único sobrevivente deste acidente já tinha sido salvo por uma rede de pesca lançado por alguém desde as pedras. Acabaram por resgatar os dois corpos - um deles veio a se saber depois é de alguém ligado a uma empresa de segurança que teria afogado quando tentou tomar banho- graças a um navio privado que lhes foi emprestado no momento, porque agora em Cabo Verde nenhuma entidade portuária tem materiais de salvamento. O outro indivíduo envolvido nessa tragédia do bote ainda continua desaparecido no mar, a polícia marítima diz que vai prosseguir com as buscas, mas a esperança de que o encontrem ainda com vida são quase nulas. A não ser que haja um milagre, o que aliás, todos, cidadãos e autoridades

Um trágico acidente para “abrir os olhos” a todos. Ao cidadão que seja prudente e lembrar que desrespeitar normas de segurança podem levar à morte. E às autoridades que não devem esperar que aconteça o pior para pensarem em ter meios de busca e salvamento. É que um país que vive no mar e do mar não pode se dar ao luxo de viver de costas para o mar.

NG

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