Na última quinta-feira, as pessoas experimentaram de uma forma horrível a tragédia que pode acontecer quando um país rodeado de água não sabe se precaver dos perigos que o mar encerra. E neste caso o acidente deu-se em plena Baia da Praia, nas imediações de Quebra Canela (Cova Minhoto), a uns escassos dois quilómetros da Capitania dos Portos.
Dois factos, dois momentos
Primeiro momento- Três pessoas saem para a pesca- dois pescadores e um professor de Liceu que os acompanha- num bote pequeno, um peso além do permitido.
Não levam boiais e muito menos colete salva-vidas, no caso de acontecer um azar.
Ao saírem para o mar ignoram a bandeira vermelha a indicar perigo.
Seguem mar largo num tempo a prenunciar chuva e alguma tempestade. Tentam volta para terra firme quando a chuva cai forte e as ondas ultrapassam os 30 metros. Ninguém sabe se fizeram boa pesca, pois antes de vararem na praia o mar encrespado faz virar o bote e atira-os para água. O bote depois escangalha-se contra a rocha. No meio de um mar revolto pedem socorro, as pessoas em terra vivem impotentes a angústia de ver três homens a morrer frente a eles e sem poder fazer nada. Ninguém se atreve a entrar num mar que estava para matar. Um deles resiste até à chegada de uma rede improvisada atirada de uma pedra e que ele consegue segurar.
Segundo momento- A falta de equipamentos fez a policia marítima chegar ao local uma hora depois do acontecimento. Quando chegaram o único sobrevivente deste acidente já tinha sido salvo por uma rede de pesca lançado por alguém desde as pedras. Acabaram por resgatar os dois corpos - um deles veio a se saber depois é de alguém ligado a uma empresa de segurança que teria afogado quando tentou tomar banho- graças a um navio privado que lhes foi emprestado no momento, porque agora em Cabo Verde nenhuma entidade portuária tem materiais de salvamento. O outro indivíduo envolvido nessa tragédia do bote ainda continua desaparecido no mar, a polícia marítima diz que vai prosseguir com as buscas, mas a esperança de que o encontrem ainda com vida são quase nulas. A não ser que haja um milagre, o que aliás, todos, cidadãos e autoridades
Um trágico acidente para “abrir os olhos” a todos. Ao cidadão que seja prudente e lembrar que desrespeitar normas de segurança podem levar à morte. E às autoridades que não devem esperar que aconteça o pior para pensarem em ter meios de busca e salvamento. É que um país que vive no mar e do mar não pode se dar ao luxo de viver de costas para o mar.
NG
Cidade da Praia























