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Cabo Verde aposta na aquacultura de camarão e lagosta 21 Setembro 2009

Três técnicos chineses vieram à ilha de S.Vicente para, em parceria com o Instituto Nacional Desenvolvimento das Pescas (INDP), iniciar os trabalhos da elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento de Piscicultura (PNDP). A aposta principal é desenvolver, no mar ou em viveiros, a aquacultura de algumas espécies, nomeadamente camarão e lagosta. Assim, os técnicos pensam não só repor o stock dos mariscos mais procurados no país, como aumentar a exportação do pescado e contribuir para garantir a segurança alimentar em Cabo Verde.

Cabo Verde aposta na aquacultura de camarão e lagosta

Os especialistas têm o prazo de um ano para, depois de fazerem o levantamento em todo o território nacional, apresentar ao governo plano nacional de piscicultura. Entretanto o financiamento do projecto vai depender do engajamento que o executivo de José Maria Neves venha obter junto de alguns parceiros de Cabo Verde, com destaque para a China, a União Europeia, a Espanha e o Japão.

O PNDP visa fundamentalmente aumentar a exportação do pescado, contribuir para a segurança alimentar no país, combater a pobreza entre os dependentes do sector da pesca e contribuir para repor os stocks de alguns mariscos mais procurados em Cabo Verde, principalmente a lagosta. «Um dos eixos do plano é desenvolver aquacultura (em viveiros) e mariculura (no mar) de alguns espécies marinhos, nomeadamente camarão e lagosta de viveiros. Isto tudo como medida para a reposição dos stocks de lagosta nos mares de Cabo Verde», avança o Ministro do Desenvolvimento Rural, do Ambiente e dos Recursos Marinhos.

José Maria Veiga acrescenta que a ideia de retomar a piscicultura, iniciada em tempos por técnicos nacionais em parceria com especialistas estrangeiros, vem na sequência da reunião da FAO, realizada este ano em Roma. Esta recomendou aos países membros esforços no sentido de apostarem principalmente em aquacultura e maricultura. Tudo com o fito principal de se combater a escassez dos recursos haliêuticos e conservar as espécies marinhas ameaçadas por excesso de capturas ou método inadequado de pesca proibida.

É que, segundo aquele organismo internacional, actualmente o mercado internacional consome mais de 180 milhões de toneladas de pescados, sendo que mais de 50% das quais vêm da aquacultura.

Sistemas da criação de peixes

Existem vários sistemas de reprodução artificial de peixes a nível mundial. Mas os mais conhecidos são os sistemas extensivo, semi-intensivo, intensivo e super-intensivo.

Peritos na matéria afirmam que, ao se iniciar uma piscicultura, a escolha de uma das variedades referidas depende de vários factores, como sejam a dimensão do investimento a realizar, a disponibilidade de materiais, a produtividade esperada, a tecnologia a ser empregue, entre outros.

O sistema extensivo caracteriza-se por ser realizado em represas construídas, utilizando o declive do terreno, ou em lagos naturais. Ele não esgota totalmente a água, nem impede a introdução de espécies exóticas na região. Essa condição é encontrada na maioria das propriedades rurais do Brasil, nas quais a água ainda serve de bebedouro para outros animais, para lazer ou subsistência do proprietário.

Já o sistema semi-intensivo é o mais difundido em todo o mundo. No Brasil, o mesmo é encontrado em mais de 95% das pisciculturas e caracteriza-se por maximizar a produção de alimento natural (fito, zooplâncton, etc.) para servir como principal fonte de alimento dos peixes. Uma restrição desse sistema tem a ver com a alimentação da água do viveiro, que deve servir somente para repor o precioso líquido perdido por evaporação e infiltração, sem que, no entanto, ocorra a sua renovação. Isto porque a adubação dos viveiros implica custos e a renovação da água acarreta, por outro lado, a perda de nutrientes.

O sistema intensivo é, por sua vez, aplicado para espécies que podem ser criadas em monocultura (uma só animal) e aceitam bem o alimento artificial (ração).

Uma reprodução artificial das espécies marinhas em grande escala é normalmente assegurada pelo sistema super intensivo. Nele os peixes são «estocados» em alta densidade, num longo tanque concebido especialmente para o efeito. Esse processo exige um fluxo contínuo da água, que, entre outros, elimina os dejectos metabólicos da espécie cultivada. Aqui a densidade de "estocagem" não é estimada em unidade por m2, mas sim em biomassa por m3.

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