OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

ALUPEC, UM ALFABETO NOS KU NOS. E OS NOSSOS EMIGRANTES? 19 Setembro 2009

1. Do colóquio do Mindelo ao Alfabetu Kabuverdianu

Por decreto-lei de 22 de janeiro deste ano de 2009, foi aprovado pelo Governo de Cabo Verde, a título definitivo, o Alfabeto Unificado para a Escrita do Caboverdeano, ALUPEC. Alfabetu kabuverdianu, diz-se doravante : 23 letras e 4 dígrafos.

ALUPEC, UM ALFABETO NOS KU NOS. E OS NOSSOS EMIGRANTES?

Não me compete, leigo que sou nessa matéria, aventurar-me por considerações de índole científica ou comentar o bien fondé de uma decisão soberana. Quedar-me-ei, simples cidadão atento, por questões mais... terra-a-terra que interpelam os meus compatriotas, nas ilhas e fora delas. O resto cabe aos estudiosos da língua caboverdeana, cuja opinião respeito mesmo quando dela discordo.

Até hoje, o crioulo caboverdeano tem sido uma língua ágrafa que cada um lá vai escrevendo a seu bel-prazer pelos parâmetros do português. Ora, a língua portuguesa rege-se, como os demais idiomas neo-latinos, por uma ortografia etimológica, a qual consente que uma mesma letra ou grafema (c, s, x, z...) possa derivar para uma oralidade diversa - uma dualidade que pode gerar alguma confusão na mente dos menos entendidos ou dos mais incautos. (1) (Também no que tange à relação grafia-pronúncia, cada lusofalante pronuncia à sua maneira uma palavra entendida por todos. Assim, no dicionário portugês lê-se “vida”, que os portugueses do norte e outros pronunciam “bida”. Presidente, no Brasil, é “prêsidentxi”, cidade vira “cidádji”, país diz-se “paíze”).

Em Cabo Verde, o Alupec propõe-se evitar essa confusão, atribuindo a cada som um único grafema (letra ou dígrafo) - e vice-versa. Tudo começou com o colóquio do Mindelo, reunido em 1979 com o objectivo de pensar uma ortografia para a língua caboverdeana. Os participantes inspiraram-se largamente da Associação Fonética International (API) que em 1926, no seu famoso Ciclo de Praga, deixou esta recomendação : um só grafema para um só fonema. Um alfabeto fonético-fonológico (26 grafemas, cada um correspondendo a um som único e vice-versa) foi então proposto no colóquio do Mindelo. Mas esse abecedário jamais chegou a receber o sufrágio da sociedade literária caboverdeana; foi-se lentamente obliterando e passou à história como o “alfabeto do chapéu”, assim apelidado pelos circunflexos que coroavam algumas consoantes palatais (_, _, l, n, _, z,), como marca de palatização para substituir os dígrafos. (_)

Mas o projecto continuou, tendo o Alupec surgido na decorrência directa do malogrado “alfabeto do chapéu”. Aprovado, a título experimental, em dezembro de 1988, (3) o Alupec exprime um compromisso entre o modelo etimológico (pela sua legitimidade histórica) e o fonológico (mais económico, sistemático e funcional) ao reintegrar os dígrafos (dj, lh, nh, tx). O Alupec fundamenta-se numa ortografia fidedigna e inalterada do verbo: para cada fonema um único sinal gráfico. Contrariamente ao modelo etimológico, em que a pronúncia deriva (e varia) de uma ortografia muitas vezes híbrida, no Alupec a pronúncia determina, de certo modo, a escrita.

Numa análise puramente técnica, o caráter funcional, utilitário e didático de um alfabeto fonológico como o Alupec simplificaria a ortografia da nossa língua (3). A bem dizer, pouco difere o Alupec do alfabeto etimológico português, não tendo incorporado mais particularismos gráficos do que as demais línguas neo-latinas. A grande diferença reside na grafia dos vocábulos : “pur izemplu” em vez de “por exemplo”, “jerason” em vez de geração”, “prizidenti” em vez de “presidente”, “desendenti” em vez de “descendente”. Quem diz diferença diz dificuldade, não por ser a nova grafia mais complexa mas porque não estamos a ela habituados.

2. Um alfabeto sem norte?

Note-se que “prizidenti” e “desendenti” pertencem à variante da ilha de Santiago. Nas ilhas de Barlavento escrever-se-ia (em Alupec) “prezident”. (4) Quanto a “descendente”, não faço ideia, sendo o C o grande ausente do alfabetu kabuverdianu! Também não sei o que é feito do ditongo “ão” quando tivermos que dizer “em vão, sirurgião”... Em S. Vicente como noutras ilhas, o “ão” subsiste (mesmo em Alupec) em vocábulos como pão, calsão, vulkão, cumilão, confuzão, selesão, kartão, leitão, senão... e em nomes próprios como Adão, João, Conceição.

Face à confusão que engendra, ao fraco entusiasmo ou clara aversão que suscita nas outras ilhas, particularmente nas de Barlavento, pode dizer-se - no sentido idiomático e “geográfico” do termo - que o Alupec é um alfabeto... “sem norte”. Mas também, convenhamos : não é fácil pôr no papel o crioulo de S. Antão ou S. Vicente. Numa perspectiva de padronização da língua caboverdeana, a variante de Santiago seria a mais adequada como substracto de referência. Mais inteligível, pronúncia mais nítida, palavras mais “inteiras”, o crioulo de Santiago presta-se, mais do que qualquer outro, à escrita... além de ser falado por quase metade da população. Porém, qualquer opção por uma variante regional (com a respectiva grafia) em detrimento das outras seria uma atitude hegemónica e liberticida.

No entanto, vozes e penas em Santiago não têm resistido a essa tentação. Não por ser essa ilha o berço e o bastião do Alupec/alfabetu kabuverdianu, até porque os alupecianos estão no seu direito e em boa hora tomam posição. O que incomoda é essa ortodoxia pouco permeável a opiniões contrárias. Opiniões de resto raramente expressas, como raras são as pessoas de outras ilhas que até agora ousaram aventurar-se pelos meandros do Alupec. Como não reflectir neste vaticínio de um acérrimo defensor do Alupec segundo o qual seremos recordados pelas gerações vindouras como “un kambada di palhasus (...) pabia nu sa ta uza lingua strangeru pa nu komunika nos ku nos”.

“Lingua strangeru?” Deve haver engano! Negar a língua portuguesa é uma atitude parricida. Ou não fosse o Crioulo filho dessa língua, como esta é filha do latim. Já o próprio Amilcar Cabral não se coibiu em afirmar que a língua portuguesa “também é nossa”, sendo “a melhor herança” que nos deixava Portugal. Se a luta anticolonial foi feita em crioulo, a independência só podia ser negociada em português. Ousaria alguém acusar o fundador da nacionalidade de fazer apologia do colonialismo?

Cá por mim, não tenho pejo nenhum em dizer que estou mais à vontade com o português do que com uma ortografia que me é estranha. Mesmo falando o crioulo de Santiago, confesso que faço um esforço ingente para ler em Alupec/alfabetu kabuverdianu. Em português eu não teria esse problema – e não me sinto menos caboverdeano por isso!

Mas já que é permitido falar em nome das gerações futuras, ouso esperar que certas “profecias” jamais se cumpram! Nossos filhos e netos não hão-de nos recordar como “palhasus” por lhes termos legado esta herança monumental : duas línguas, que recebemos de nossos pais. Aos meus filhos direi que me deleitei com as mornas de Eugénio Tavares e de B. Leza, com a poesia crioula de Corsino Fortes, João Vário, Timóteo T. Tiofe... mas também que li com gosto Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Luandino Vieira, Paulo Coelho, Germano Almeida, José Craveirinha...

3. Não estamos sós no mundo!

Parece pois evidente que o Alupec simplificaria a ortografia da língua caboverdeana. Até aí estamos de acordo. Mas não vão mais longe as vantagens do alfabetu kabuverdianu. Porque não estamos sós no mundo, há que colocar no outro prato da balança todos os inconvenientes de um alfabeto feito sob medida para a nossa língua. E os inconvenientes, pelos vistos, pesam mais.

Para já, o Alupec começou mal. Começou mal porque partiu de uma guerra quasi declarada ao português, língua veicular que partilhamos com mais sete países dispersos pelos cinco continentes. As tentativas empreendidas para dotar o Crioulo de um estatuto oficial pautaram-se por uma certa relutância vis-à-vis do português. O colóquio de 1979, no rescaldo da Independência, foi mais político do que linguístico. Medrou nesse forum um nacionalismo africanista exacerbado (como o reconhece o próprio Manuel Veiga no seu livro “O Caboverdiano em 45 Lições” p. 46), com o português a ser tratado como simples língua colonial, alienígena, e não como um elo de união de povos e culturas. Nas entrelinhas do alfabeto então proposto, lia-se uma clara aversão à língua de Camões. O mulato, que pela sua progenitura devia ser mais comedido, tem tendência para extremos. Faltou isenção nessa abordagem, como sempre faltou bom senso no sentido inverso : é só vermos como vivemos de costas voltadas para a África, esquecendo ou ignorando as nossas raízes e o sangue africano que corre nas nossas veias.

Este foi pois o pecado original do Alupec: ter nascido de um conflito com a lusofonia (leia-se lusografia) para afirmar a existência do Crioulo. Sem desprimor para a nossa língua materna, todos reconhecem que a lusofonia é mais do que uma força; ela é uma ponte que nos liga ao mundo. Tenho por mim que num país como o nosso, comunicar com os outros é uma questão de sobrevivência! Dois terços dos caboverdeanos vivem e labutam na terra-longe; Cabo Verde viveu sempre de mão estendida, tendo sido dos principais beneficiários da solidariedade internacional. Mais do que qualquer outra nação, precisamos de uma diplomacia ousada, bons quadros e bons governantes que respeitem e valorizem a nossa cultura e a nossa língua mas sejam, ao mesmo tempo, fluentes a levar a nossa mensagem além-mar. Salvo devido respeito por opinião contrária, estimo que o Alupec reflecte uma atitude isolacionista, um “nos ku nos” em flagrante contradição com a abertura propugnada pelo nosso País, sendo esta uma necessidade vital mais do que uma simples opção político-diplomática dos tempos hodiernos. Os nossos filhos clamam por professores competentes, por um ensino pragmático que os habilite a melhor aprender o português, o inglês, o francês, o espanhol, o italiano... Em qualquer dessas línguas, “cultura” escreve-se com C e não com K!

E porque não estamos sós no mundo, atente-se nos efeitos de um deficiente domínio do português, nomeadamente para os mais jovens : é vê-los acanhados face aos outros lusófonos, inquietos quando vão perfazer os seus estudos no Brasil ou em Portugal, hesitantes nas outras línguas veiculares (como o francês ou o inglês), inseguros no mercado de trabalho. E aqueles que orgulhosamente proclamam “quero lá saber do português, eu só falo o meu crioulo!”, na verdade estão a travestir a ignorância, escudados atrás de um falso pretexto cultural aflitivamente chauvinista. Em Londres, em discotecas e outros sítios de lazer, vi compatriotas meus isolados dos angolanos, guineenses, moçambicanos, santomenses, portugueses e brasileiros. Não porque quisessem estar “es ku es”, mas porque um certo acanhamento linguístico os excluía do convívio lusófono. Não é assim que queremos ver os nossos patrícios lá fora! O Caboverdeano, que ousou desbravar o seu destino e desafiar omar oceano na pesca da baleia, fez-se cidadão do mundo. Na era da cibernética, ele deve continuar a sê-lo.

4. Quem pensou nos emigrantes?

Graças à emigração, o Crioulo é hoje uma língua internacional! Falado em Luanda e em Pawtucket, em Rotterdam e em Roma, de S. Tomé a Lisboa, de Paris a Dakar, o Crioulo não vive fechado no universo circunscrito das nossas ilhas.

No entanto, quem se lembrou dos nossos emigrantes, aqueles que levaram o crioulo e a morna para a terra-longe ? Em que escola irão os nossos emigrantes e os seus filhos (a estudar na Itália, em França, na Holanda, na América ou no Senegal) aprender o Alupec? Nesta questão como noutras, os emigrantes têm uma palavra a dizer. E não basta lembrar-lhes que têm seis deputados no Parlamento para fazer crer que têm voto na matéria! (Um desses deputados, que bem conheço, é hoje um verdadeiro jetset que já nem desfaz as malas, Europa vai Europa vem, com simulacros de reuniões para fazer propaganda partidária. E tudo isso à custa do erário público!)

Seja como for, não é com o Alupec que vamos aproximar os nossos emigrantes da terra-mãe! Mas o Alupec não se interpõe apenas entre nós e os nossos patrícios expatriados. Neste Cabo Verde membro de pleno direito da Francofonia, que aposta na promoção para existir, quem pensou nos estrangeiros, investidores ou não, que gostariam de aprender a nossa língua? Num mundo em que povos e culturas se procuram e interagem, imperando o inglês como língua de comunicação planetária, eis-nos perante um alfabeto “nos ku nos”, com uma forma de escrever dissuasiva para qualquer francês, senegalês ou holandês. Mau presságio! A nossa língua deve ser um césamo, uma chave e não um entrave, uma ponte e não um muro. We need bridges, not walls.

5. Uma torre de Babel nas ilhas? Quem põe em perigo a nossa língua ?

O Crioulo nunca precisou ser língua oficial para existir, nem do Alupec para se exprimir! Hoje mais do que nunca, a língua caboverdeana não está em perigo – nunca esteve, e haja dois caboverdeanos que nunca estará! Nascemos e crescemos com o crioulo. Em crioulo falamos, cantamos, respiramos e vivemos. O Crioulo é uma língua viva que desde há cinco séculos congrega a Nação Caboverdeana; impôs-se no passado derrubando complexos e decretos coloniais; contra ventos e marés, fez-se língua franca na Costa d’Africa, do rio Senegal até aos confins da Serra-Leoa!

Por isso mesmo, a nossa língua materna merecia um outro tratamento: mais responsável, mais sereno, e sobretudo mais pragmático. Ninguém tem o direito de usar a língua de um povo para fins próprios nem como escudo contra moínhos de vento!

Revisitando há dias o n° 2 da revista “K(C)ultura”, de julho/98, vi um artigo intitulado “Bida y obra de nha Bibinha Cabral” de J. L. Hopffer Almada. E logo dei comigo a cogitar : qual será, na futura língua oficial alupeciana, a grafia para o vocábulo “vida”? Vida (Barlavento) ou bida (Sotavento)? E já agora, vaka ou baka? E lá fui eu divagando por um sem-número de vocábulos de uso corrente cuja pronúncia difere de uma ilha para outra, quando não na mesma ilha. Kabu Verdi ou Kabverde? Vulkão, vulkon (S. Antão), ou burkan (Fogo e Brava)? Sukundi ou skondê? Káru ou korre? Pikinoti ou piknin? Paxenxa ou pasiensa? Para “perigo” escreveremos pirigu ou prige? E os verbos? Como vamos estampar no dicionário o verbo “deixar”? Dêxa (Stavento), ou txá (Barlavento)? Xinta ou sentá? Fála (fla), falá (S. Vicente) ou frâ (Fogo e Brava)?

Se bem entendi, o Alupec atribui a cada som um único grafema (e vice-versa), deixando assim livre arbítrio aos locutores da língua caboverdeana nas suas diferentes variantes. Ora, se cada ilha (ou grupo de ilhas) pronuncia à sua maneira, deduz-se que um mesmo vocábulo será escrito conforme pronunciado - logo, de maneira diferente. Por ora, o Crioulo, língua vernacular, livre e espontânea, é considerado um idioma com variantes. Não sendo possível (inconcebível no imediato) harmonizar essas variantes, e a tornar-se o Crioulo língua oficial (escrita conforme os falares regionais), já não estaremos em presença de uma língua com variantes, mas de diferentes línguas. Atenção a este paradoxo: o de criar uma Torre de Babel neste pequeno país já isolado e fragmentado pela natureza, no propósito, a todos os títulos louvável, de unificar o alfabeto! Haja em vista o seguinte: o que faz do português uma “língua estrangeira” é o Alupec, tal como fará dos nossos emigrantes, estrangeiros! Para já, lá se foi o C! Nas ruas já se ironiza: - “E a vitamina C?” Agora falando a sério, e os nomes próprios? Numa coabitação bilingue de jure, pode um futuro Carlos (note-se que o C desaparece) ou Vicente escolher entre Karlus ou Carlos? Vicente, Visente ou Visenti? O meu tio Tchenta lá vai lembrando - “Eu chamo-me Vicente – com cê!”

O Alupec, se calhar, poderia singrar num país com uma língua única. Dos montes Urais à América do Norte, o estudo do binómio escrita-fonética não é novo. No século passado, pesquisadores como Troubetskoi, Jakobson, Baudoin de Courtenay et André Martinet deixaram obra feita. Não me consta porém, salvo estar errado, que algum país europeu tivesse enveredado pela via fonológica. Ignoro se em 1926 o Cyclo de Praga preconizou essa opção para um país com dois idiomas oficiais. Estará o Alupec talhado para suporte literário de um país bilingue de facto como Cabo Verde, com uma língua materna sujeita a pronúncias as mais díspares ? Duvido. Se podemos unificar a forma de escrever, não podemos todavia pedir aos caboverdeanos que falem da mesma maneira! Do ponto de vista ortográfico, o alfabetu kabuverdianu colide inevitavelmente com a escrita etimológica - uma confusão a mais para as nossas crianças que já experimentam alguma dificuldade em aprender o português. “Kiriolu” e crioulo”, a diferença fala por si!

6. A falar é que a gente se entende !

Quando o Povo faz troça, nem sempre está a brincar! A ironia pode ser uma arma temível como ficou provado nos velhos tempos de partido-único. O Povo Caboverdeano deu provas de lucidez e maturidade política ao rejeitar liminarmente o “alfabeto do chapéu” que nunca chegou a levar a sério. Até onde irá a nossa vaidade chauvinista para pretendermos um alfabeto só para nós, que nos isola do mundo exterior e exclui os nossos emigrantes? Em nome de que nacionalismo “nos ku nos” devemos nósoutros, maioria silenciosa, continuar calados? O Crioulo já existe da semiologia natural dos seus locutores, do koinè deste arquipélago de ilhas e fonemas, seus particularismos e especificidades, seus regionalismos (como o português que se enriqueceu de maximbombos em Angola, cachupa e morabéza em Cabo Verde, favelas e ónibus no Brasil, bolanhas e lalas na Guiné). Mas... Crioulo língua oficial, mormente com uma ortografia desigual, há matéria para ponderar. Não se trata de uma tertúlia de intelectuais, estamos perante um debate nacional : solução milagrosa ou aventura de consequências imprevisíveis, that’s the question. Mas faltam vozes neste debate. Falta de interesse? Prefiro pensar que é por falta de argumentação científica... Mas todos, doutores ou não, temos direito à palavra. Quem inventou o alfabeto foi, como sói dizer-se... um analfabeto!

Recuar para melhor avançar é sinal de bom senso. E não significa estagnar : entretanto, façam-se estudos científicos aprofundados ; abram-se escolas de Crioulo ou língua caboverdeana... para quem quiser ir aprendendo. Mas obrigar as nossas crianças a escrever kiriolu na Praia, kriol em S. Vicente e crioulo em português (ora com k ora com c), pergunto: não será pedir demais às flores da nossa revolução?

(1) O Acordo Ortográfico Luso-brasileiro de 1942, assim como o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1991 entre os diferentes países de língua portuguesa, visavam, afinal de contas, fonetizar a escrita do português. Em ambos impôs-se o Brasil. Tudo indica que ninguém acautelou as consequências nefastas desse acordo para um país bilingue como Cabo Verde, um dos primeiros a ratificá-lo.

(2) Manuel Veiga, “O Caboverdiano em 45 Lições”, p. 47.

(3) Decreto-lei 67/98, de 31 de dezembro de 1998.

(4) Não estou ainda muito à vontade a escrever o Alupec. As minhas desculpas por eventuais falhas

David Leite

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