Eis a mensagem de Mário Celso de Pina Alves, mais conhecido por Joãozinho
A UEC-RJ é uma organização juvenil, sem fins lucrativos, apartidária, representativa de todos os estudantes cabo-verdianos da área no Estado do Rio de Janeiro, e que tem como missão a defesa dos direitos e interesses dos estudantes da referida organização e da comunidade académica em geral. Contudo, ao longo dos anos, a prossecução desta missão tem sido pouco eficaz, devido à falta de apoios institucionais. Na prática, o papel da UEC-RJ tem-se resumido em actividades recreativas e culturais, com o intuito de aproximar os estudantes.
A UEC-RJ, como associação, tem passado por dificuldades que outras associações, existentes no Brasil não conhecem. Nós não somos considerados pelo Instituto Brasileiro de Juventude (IBJ), o que inviabiliza a obtenção de suporte financeiro, enquanto as associações universitárias têm o seu orçamento, e podem a partir disso, desenvolver os seus projectos com vista a apoiar os alunos. O não reconhecimento por parte do IBJ também cria outro problema que tem a ver com a desmotivação dos membros e em épocas especiais nas faculdades, o que é menos um incentivo ao trabalho para os elementos da UEC-RJ.
Penso que, cabe a mim e à minha equipa, através de um trabalho árduo e de qualidade, tentar mudar essa situação, ou seja, o rumo dos acontecimentos e, para o efeito, a nossa equipa tem projectos para mudar essa situação.
Isso tem a ver com algum descrédito por parte dos universitários em relação à sua associação, muito por culpa de uma certa incapacidade, até então, para resolver os problemas dos estudantes.
Há quem diga que a UEC-RJ tem fortes conotações partidárias e que os seus dirigentes servem-se dos cargos para ganhar protagonismo. Com tantas situações negativas, a UEC-RJ será a voz representativa de todos os estudantes?
Esta conotação pode ser motivada pelo facto de antigos presidentes da ASSOCIAÇÃO terem-se tornado militantes activos de partidos políticos. O protagonismo pode ser o coroar de todo um esforço, desenvolvido em prol dos interesses dos estudantes. Eventuais situações, menos favoráveis, podem ser corrigidas e novos caminhos delineados, de forma a satisfazer as legítimas exigências e expectativas dos estudantes. Acredito que a UEC-RJ continuará a ser a voz representativa dos estudantes, já que a mesma, além de ser um espaço de diálogo, é também, uma incubadora de potenciais líderes e empreendedores.
Vários estudantes lembram tempos em que a Associação só os ajudava em troca de favores. A transparência será um activo inalienável na gestão desta organização, que aceitamos dirigir. Durante a nossa gestão, serão encetados mecanismos de controlo interno que visam garantir a igualdade de oportunidades a todos os estudantes.
O primeiro meio é o querer, e o querer quase sempre é poder. Mas sabemos que num mundo globalizado, ninguém pode viver isolado, por isso, teremos de contar com a ajuda de várias instituições, começando pelos núcleos, passando pelas universidades e Embaixada, e se possível até com intervenções do nosso governo. Porém, o nosso objectivo é começar a trabalhar de forma independente, para que posteriormente possamos pedir ajuda, não para realizar, mas sim para ajudar a avançar com os projectos e/ou, ajudar a concluí-los.
Desde a sua fundação Associação só conta com fundos próprios, ela vem se auto-financiando. Esta situação cria dificuldades de gestão e realização de projectos, pois não podemos apenas pensar em o que fazer para ajudar os estudantes, mas também, temos que pensar como arranjar os fundos necessários.
Um dos objectivos da UEC-RJ é a criação de uma base de dados dos estudantes para que possamos responder, de forma efectiva e real, a essa questão. Penso que grande parte dos estudantes, actualmente, passa por muitas dificuldades.
Essas dificuldades são de foro académico, dificuldades, derivadas de uma preparação deficiente das disciplinas nucleares de vários cursos; dificuldades com a chegada tardia, e as implicações na adaptação que isso provoca; os estudantes cabo-verdianos têm também alguma dificuldade em encontrar estágios, que enriqueçam a sua experiência profissional para que cheguem a Cabo Verde preparados para o mercado de trabalho. Além disso, os estudantes cabo-verdianos também atravessam dificuldades financeiras, pois o custo de vida no Rio de Janeiro é superior em comparação ao de Cabo Verde, e isso provoca dificuldades aos encarregados de educação em enviar a quantia necessária para a sobrevivência condigna dos estudantes.
Os estudantes bolseiros também sofrem de problemas financeiros, pois ao conseguirem a referida bolsa de estudos, e com certo desconhecimento dos custos de vida no Rio de Janeiro (em algumas das Universidades aumentarem as propinas e as taxas dos pedidos dos documento) julgam-na suficiente para custear os seus estudos. Quando cá chegam a realidade é completamente diferente, o que muitas vezes acaba por influenciar na desistência dos mesmos. Também os estudantes das universidades privadas vêm atravessando problemas no que concerne ao pagamento das suas propinas, pois sendo elas de valor muito superior ao das universidades públicas, esses alunos muitas vezes acabam por ter de parar os estudos durante um ano para amealhar dinheiro suficiente para liquidar as suas dívidas, o que cria outro grande problema, que tem atingido a maior parte dos estudantes, com os Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, que são agora implacáveis com o insucesso escolar.
Pelo que sei os estudantes cabo-verdianos no Brasil, Estados Unidos da América, etc., têm tido sucesso, na maior parte dos casos, e também em Portugal, existem casos de sucessos.
É preciso que se diga que os estudantes cabo-verdianos onde estudam não estão presentes por questões de quotas. O que penso é que o ensino secundário cabo-verdiano possa estar um pouco desajustado, em relação ao ensino brasileiro, pois penso que em relação às disciplinas nucleares, a preparação é insuficiente na maior parte dos cursos que tenho conhecimento, e isto acaba por criar grandes dificuldades aos alunos, por chegarem (normalmente após o início do ano lectivo), e tudo isto cria uma bola de neve que, acompanhada pelo desespero que essas dificuldades criam, o estudante entra num Metro difícil de se conseguir escapar.
Pelo meu pensamento, acho que a situação frágil do país é meia desculpa, pois se fosse só pela situação, mais de metade do país passaria fome, e não seriamos hoje o país que somos ou seja, um País de Desenvolvimento Médio. O problema é que a comunidade universitária é cada vez maior, e isso implica cada vez mais trabalho abnegado.
A ministra da Educação e Ensino Superior, Vera Duarte, teria que dar uma atenção suficiente aos estudantes imigrantes em geral, tanto no Brasil, Portugal e, entre outros países, no concernente à comunidade estudantil residente no Rio de Janeiro, penso que se deva dar uma atenção mais acurada, e que deva existir uma maior interligação entre o ministério da Educação e as Associações de Estudantes. Sendo Cabo Verde um país de parcos recursos, o potencial humano deve ser maximizado de modo a colmatar o défice de recursos naturais, como tem acontecido desde a independência, com grande número de estudantes a prosseguirem a sua formação superior em outros países, e a voltarem, para que ponham os conhecimentos adquiridos durante a sua formação superior, ao serviço do desenvolvimento do país. Ignorar este facto, é romper com um passado que tem dado bons frutos até hoje.
Tendo em conta que vamos entrar num período eleitoral, as promessas serão feitas e começamos a ter visitas ou os compromissos assumidos serão para levar adiante, obrigatoriamente, só assim poderá haver desenvolvimento. As promessas são bonitas, mas o que dignifica um país é o Homem e o seu trabalho. Por isso, o esforço na concretização dos projectos é para nós de cimeira importância.
Em nome da UEC-RJ, saudações a todos
O Presidente
Mário Celso de Pina Alves
Djón di Yota
21 8155 6786
joaozinhota@hotmail.com
Cidade da Praia























