Segundo a bióloga do Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas, Vanda Marques, na tarde do último domingo atracou no Porto Grande, em São Vicente, o navio de guerra americano USS John L. Hall. Estes navios militares, diz, quase sempre são escoltados por submarinos cujos sonares desorientam a espécie.
“Arrojaram 37 baleias-piloto em Santa Cruz, três em São Miguel e 42 na ilha do Sal. Foram recolhidas amostras, mas ainda não temos resultados. Também pedi para que um veterinário de Santiago fizesse uma autópsia de pelo menos uma baleia-piloto, mas não sei se fizeram. O que posso dizer é que foi um suicídio colectivo, ainda sem explicação”, afirma esta bióloga, para quem é no entanto estranho que no mesmo dia tenha atracado no Porto Grande do Mindelo o navio militar dos Estados Unidos, USS John L. Hall.
E não é primeira vez que suicídios em massa acontecem logo a seguir à presença de navios militares nas águas de Cabo Verde. Da última vez foram cerca de 300 animais da espécie cabeça-melão que arrojaram na Boa Vista. Foram recolhidas amostras e autopsiados alguns animais, mas os técnicos nada encontraram. “Esses navios são quase sempre acompanhados por submarinos. Procurámos saber junto da Guarda Costeira, mas a informação que nos deram é que o navio não declarou a presença de submarinos”.
Vanda Marques garante que o INDP já alertou a Direcção-Geral do Ambiente para essas “coincidências”. Entretanto, a nossa entrevistada admite que o suicídio colectivo de baleias-piloto pode ter outras causas: falta de alimentos, intoxicação por algas marinhas e ou sons artificiais – incluindo-se aqui os sonares.
CP
Cidade da Praia























