Porquê abrir uma agência do Ecobank em Cabo Verde?
O Ecobank já vem, na verdade, operando em Cabo Verde desde 2004, através da sua filial ECV Serviços Financeiros. O que fizemos, agora, foi criar uma filial comercial nossa no arquipélago. Assim, após uma análise da economia cabo-verdiana, decidimos que não devíamos limitar a nossa acção neste país ao sector dos serviços financeiros, através, por exemplo, de transferências rápidas como o Western Union. Decidimos que devíamos ir mais além, avançando com um banco universal.
Em que critérios se basearam para tomar essa decisão?
Tivemos em conta a estabilidade económica, política e social de Cabo Verde. Além disso, como um banco africano, há muito que elegemos esta região a qual Cabo Verde pertence como zona prioritária das nossas acções. Pelo dinamismo que vem demonstrando, não podíamos negligenciar Cabo Verde no quadro da nossa expansão.
Mesmo num quadro de crise financeira internacional?
Com certeza, mesmo havendo um quadro de crise internacional no sector financeiro. Isso porque, como deve saber, a crise praticamente não chegou à África, particularmente à África Ocidental, no que concerne, sobretudo, ao sector bancário. Sabemos, também, que Cabo Verde faz parte do grupo de países que têm uma regulamentação para o sector bem estruturada, e graças a isso evitou que o país fosse vítima da crise internacional. Por outro lado, se fizer uma análise dos dados disponíveis, poderá ver que o Ecobank resistiu aos choques dessa crise. Por todas essas razões, concluímos que Cabo Verde deve fazer parte da grande família do Ecobank.
Quer então dizer, com isso, que o Ecobank vive uma boa saúde financeira?
O Ecobank tem uma boa saúde financeira, isto há muitos anos. Apesar dos choques da crise financeira, continuamos a merecer a admiração de instituições internacionais, como a SFI, o BEI, etc., que confiam em nós, disponibilizando-nos linhas de crédito.
E que serviços o Ecobank Cabo Verde oferecerá ao cliente cabo-verdiano?
Seremos um banco comercial, como todos os outros já instalados, e vamos intervir em todos os domínios e serviços que o Ecobank oferece nos países onde está instalado. Isto significa, por exemplo, o financiamento da economia de uma maneira geral, ou ainda a prestação de serviços correntes a todo o tipo de clientes. Trazemos connosco a particularidade de sermos um banco africano, que opera noutros países, e por isso acreditamos que seremos um banco muito mais útil, por exemplo, à diáspora cabo-verdiana que vive no nosso continente e não só. Além disso, pretendemos participar, também, no processo de internacionalização da economia cabo-verdiana.
Depois desta agência da Praia, vão ser abertas outras nas restantes ilhas?
É certo, como acontece em qualquer lugar onde o Ecobank está presente, depois de entrarmos avançamos com estudos para sabermos quais são os outros pontos do país onde a nossa presença é necessária. Estamos cientes de que este é um desafio que, mais cedo ou mais tarde, se vai colocar também em Cabo Verde.
Já há um timing para a vossa chegada a outros pontos do país?
Não, ainda não temos um timing, isto o futuro nos dirá. Por agora o mais importante é nos implantarmos bem e, depois, consoante os estudos de mercado decidiremos o que fazer. Mas uma coisa é certa: estamos aqui para ficar.
Como um banco comercial, que tipo de cliente o Ecobank procura?
Todo o tipo de cliente, do público ao privado ou particulares, passando pelas grandes sociedades, PME, assalariados e a diáspora. Desse leque, uma das nossas apostas é o desenvolvimento das PME, que são a base da economia africana. Queremos estar presentes em tudo que seja oportunidades que o Estado apresentar, enquanto investimento, para desenvolver Cabo Verde, como aliás fazemos noutros países onde estamos presentes. Portanto, como vê, queremos ser mais do que um simples banco comercial.
Mas num cenário de vários bancos, num pequeno país como Cabo Verde, como é que o Ecobank vai actuar para fazer a diferença?
Primeiramente, nós já fazemos a diferença. Somos o primeiro banco panafricano, presente em mais de trinta países do continente. Um continente – convém não esquecer – que está a crescer. Além disso, faremos a diferença com base na qualidade e diversidade dos nossos produtos e serviços. Temos ainda a vantagem de estarmos em mercados onde, por causa do nosso dinamismo, fazemos a diferença. Não se esqueça, estamos num continente onde somos líder há muito tempo. E Cabo Verde, garanto-lhe, não será a excepção. Se quiser, daqui a alguns anos poderemos encontrar-nos para confirmar isto.
Nesta altura em que chega a um novo mercado, o que diria a um potencial cliente cabo-verdiano para ele poder optar pelo Ecobank Cabo Verde?
Trazemos até ele um projecto que os africanos decidiram e criaram em 1985. E, pelo nosso desempenho, provámos que os africanos podem avançar com um projecto que respeita os “standards” internacionais e que, além disso, tem prosperado desde então. Qualquer que seja esse cliente, e se for um africano a procurar-nos melhor ainda, ele é desafiado a participar deste projecto que é o orgulho dos africanos. Além disso, uma questão lógica para nós é que se a pessoa tem experiência no mercado bancário, ela deverá apostar no Ecobank para ver a diferença em relação aos outros bancos. À partida, uma diferença que começa ao nível dos nossos profissionais, jovens quadros, dinâmicos, extremamente profissionais que o acolherão, mostrando que estavam à sua espera. E a partir desse momento, o seguimento que o nosso pessoal fará à solicitação desse cliente mostrará a essa pessoa que não somos apenas um banco, somos, inclusive, mais do que um parceiro para ela.
E a parceria com Cabo Verde é traduzida a nível da composição da equipa que trabalha na vossa agência da Praia? Como fazem a gestão dos recursos humanos aqui?
A gestão dos recursos humanos aqui é baseada, sobretudo, nos cabo-verdianos. É como fazemos nas outras agências espalhadas por África. Levamos para cada país onde nos instalamos a experiência do exterior. Isto tendo em conta o facto de sermos um grupo e, como tal, uma família. Normalmente, os procedimentos do grupo são uniformes em toda a parte onde estamos. No caso de Cabo Verde, no total de 19 pessoas que já temos na nossa agência, 17 são cabo-verdianas. Há apenas duas de outras nacionalidades. Esta mistura é necessária porque por onde passamos fazemos este tipo de gestão. Ela não só é necessária como, no caso de Cabo Verde, permitirá aos nossos quadros cabo‑verdianos trabalhar noutros países em nome do Ecobank, caso for esse o seu desejo.
Já estabeleceram a quota de mercado que pretendem atingir nos próximos anos?
Antes de avançar com qualquer número, devem dar-nos um ano. Daqui a um ano, acredito, teremos uma quota do mercado e aí se verá a potência que é o Ecobank.
Já há em Cabo Verde bancos cotados na Bolsa de Valores. É vossa intenção entrar, também, nesse sector?...
No que se refere à Bolsa de Valores, a política do grupo Ecobank tem sido feita em comum, ou seja, é todo o grupo que está na Bolsa. Isto já acontece na Nigéria, no Gana e na Costa do Marfim. Se considerarmos proveitoso estar na Bolsa de Cabo Verde, não será o Ecobank Cabo Verde mas todo o grupo a fazê-lo.
Marilene Pereira
Cidade da Praia























