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Abstenção nas autárquicas chega às comemorações do 5 de Julho 06 Julho 2012

A taxa de abstenção de 31,5 por cento nas últimas eleições autárquicas foi um dos pontos chamados aos discursos dos representantes da UCID e do MpD no acto solene de comemoração do 37º aniversário da independência nacional. Enquanto a UCID considera necessário instituir o voto obrigatório para a maior participação dos cidadãos na vida política, o MpD entende que é preciso dar credibilidade e responsabilizar os agentes políticos, bem como confiar nas instituições democráticas. Por sua vez, o líder da bancada parlamentar do PAICV destacou os ganhos que Cabo Verde conseguiu ao longo dos seus 37 anos como país independente.

Abstenção nas autárquicas chega às comemorações do 5 de Julho

O primeiro a usar da palavra foi João Luís, em substituição do líder da UCID António Monteiro. O deputado começou por criticar a classe política “incauta e alheia” aos sinais que vão surgindo da sociedade civil, “incapaz” de pôr em prática os “alvores da independência prometida”. Assim, 37 anos após o país tomar as rédeas do seu destino, João Luís é de opinião que o cidadão deve ter a sua quota-parte de responsabilidade na construção do país. “Não podemos continuar a tolerar como politicamente correcto o que moralmente é deplorável”.

Já o líder parlamentar do MpD, Fernando Elísio Freire, exorta o Estado a devolver as comemorações do 5 de Julho ao povo destas ilhas, no país e na diáspora, numa referência à pouca participação da sociedade civil numa data que é de todos os cabo-verdianos. Assim, entende: " temos responsabilidade perante os jovens e gerações futuras no estudo do país e para difundir os valores que caracterizam o Estado de Direito democrático". Nesta linha de ideias, Elísio Freire entende que é obrigatório todos participarem para dar o seu contributo na vida pública, uma vez que o “alheamento não é uma forma adequada”.

Por sua vez, o líder parlamentar do PAICV, José Manuel Andrade, centrou o seu discurso nos “ganhos, avanços e resultados positivos de avaliação internacional em vários indicadores” do país nestes 37 anos. Sem deixar de recordar Amílcar Cabral e todos os combatentes da Liberdade da Pátria, Andrade reconhece, por outro lado, que Cabo Verde ainda enfrenta vários desafios, nomeadamente a modernização de estruturas, crescimento e fortalecimento do sector privado e prudência na gestão da coisa pública. Afinal, “o mundo enfrenta uma crise financeira das mais avassaladoras dos últimos 100 anos”.

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