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Cemitério judaico em reabilitação na Boa Vista 05 Dezembro 2012

Está em fase avançada a recuperação do Cemitério dos Judeus, um dos mais importantes patrimónios arquitectónicos da Boa Vista. A sepultura é o marco real da existência na ilha de uma importante comunidade judaica, imigrada de Marrocos e Gilbaltrar nos meados do século XIX. Também está a ser reabilitado na zona de Fátima, um sobrado em ruínas que pertencia a David Benoliel, antepassado de várias gerações testemunhas da herança judaica na ilha.

Por: SÍLVIA FREDERICO

Cemitério judaico em reabilitação na Boa Vista

O cemitério judeu, situado na zona de Rotchinha, é uma das heranças mais interessantes da comunidade judaica na Boa Vista. A zona de sepultura está dividida em duas partes com oito túmulos, seis dos quais se encontram em bom estado de conservação. As obras, levadas a cabo há cerca de um mês, privilegiam sobretudo a reabilitação das campas, mas também ocorrem na estrutura interna e externa do cemitério.

Baseando-se nas várias fotografias antigas que estão em poder da Câmara Municipal, o projecto de recuperação tenta seguir ao pé da letra a obra original, não só utilizando materiais compatíveis com a estrutura existente como também técnicas artesanais, para que nada se perca em termos de originalidade arquitectónica e valor histórico do monumento.

Este sítio histórico, inserido no roteiro turístico da ilha, é hoje um dos patrimónios arquitectónicos mais visitados pelos turistas que visitam a Boa Vista. Daí a ideia de preservar este monumento, numa altura em que o município, em coordenação com os operadores do sector, está a delinear novos pontos de atracção turística como forma de diversificar a oferta.

Aliás, para promover um turismo virado para a herança judaica, os antigos sobrados judaicos também serão incluídos no novo guia cultural que a Câmara tem na forja. Daí a reabilitação da residência dos Benoliel, família marroquino-judaica que imigrou em 1860 para a Boa Vista, numa altura em que Sal-Rei era o centro portuário e de tráfego para a América do Sul e a África Austral. As Benoliel deixaram fortes marcas sociais e económicas na ilha.

Os trabalhos de preservação, a ser executados pela autarquia, são financiados pela Cape Verdean Jewish Heritage Project, uma associação com sede em Washington, EUA, criada com o objetivo de recuperar o património judaico espalhado pelo mundo. Em 2010, além da Boa Vista, esta organização assinou acordos com municípios de Santo Antão, Santiago e São Vicente onde existem pequenos cemitérios judaicos.

Nas sepulturas, através das inscrições em Português e Hebraico nos túmulos, pode-se dizer que as famílias judaicas em Cabo Verde são maioritariamente originárias das cidades marroquinas de Tânger, Tetuan, Rabat, e Mogador (agora Essaouira). As suas origens são reconhecidas nos nomes Cohen, Levy, Benoliel, Benrós, Wahnon, Benathar, Benchimol, Auday, Anahory, Brigham, Pinto, Maman e Seruya. Essas famílias dedicavam-se ao comércio internacional, transportes marítimos, administração e áreas afins.

Silvia Frederico

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