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Barragem de Faveta, a menina dos olhos de São Salvador do Mundo 20 Julho 2013

O município de São Salvador do Mundo, no interior da ilha de Santiago, ganhou este sábado a sua menina dos olhos: a barragem de Faveta, infra-estrutura hidráulica que vai disponibilizar para rega entre 900 mil e um milhão de metros cúbicos de água por ano, capaz de irrigar 86 hectares de terreno nas zonas a jusante e a montante. Numa altura em que celebra os oito anos da sua criação, os são-salvadorenhos não poderiam ter melhor presente, pelo que agora prometem não só cuidar, mas também tirar o melhor proveito da água.

Barragem de Faveta, a menina dos olhos de São Salvador do Mundo

Durante a inauguração, o Primeiro-ministro, José Maria Neves, no seu tom poético, disse que é um homem feliz por ver a água voltar para a lavada, como cantou Kaká Barbosa. Nesse sonho de ver os cabo-verdianos viverem bem, o Chefe do Governo considera que a Barragem – a primeira a ser inaugurada com água - é uma grande obra que nos próximos tempos vai mudar as gentes de Faveta e das zonas circundantes, com o desenvolvimento da agricultura e da pecuária. O próximo desafio, diz, passa pela transformação e embalagem dos produtos agrícolas, o que poderá ser feito na Escola de São Jorge dos Órgãos, recentemente inaugurada.

Mais de 400 famílias beneficiadas

Por sua vez, a ministra do Desenvolvimento Rural, Eva Ortet, destaca o reservatório que irá bombear água para as zonas a montante da barragem de Faveta, que por sinal são em maior número. A estação irá bombear água para um reservatório de mil metros cúbicos em Cachéu, que distribui para as zonas de Achada Leitão, Achada Grande, Boa Esperança, Covada e Leitãozinho, e outro de dois mil metros cúbicos em Ponta Moreira, para irrigar Manhanga e Pico Freire. Ao todo, a barragem e os reservatórios vão irrigar 86 hectares de terrenos e beneficiar 444 famílias e mais de mil pessoas em São Salvador do Mundo.

“À semelhança de outras barragens, acreditamos que este é o primeiro pilar para a produção agro-pecuária, condição fundamental para o aumento do rendimento dos agricultores, redução da pobreza e melhoria da qualidade de vida das famílias de Picos e SSM. Ao mesmo tempo, abre novas perspectivas para os jovens e as mulheres deste concelho. O aumento da produção vai melhorar o abastecimento do mercado interno, do mercado do turismo, da diáspora e da agroindústria”, destaca Eva Ortet.

Quem também não esconde a sua satisfação pela “obra monumental” é o edil João Baptista, dizendo mesmo que ultrapassa as expectativas de todos. “A minha satisfação é ainda maior, por estar a receber esta obra no quadro da celebração do oitavo aniversário do município de São Salvador do Mundo. Há aniversários e aniversários, mas há sempre aquele que nos marca para toda a vida. E este há de permanecer eternamente nas memórias de homens e mulheres de SSM, pela qualidade, pela sua importância e significado”, congratula o presidente da Câmara Municipal, aplaudido por ministros, autarcas, deputados, diplomatas e muita gente anónima que marcou presença no acto.

Estrada de acesso preocupa

Faveta, uma localidade a cerca de oito quilómetros à jusante do centro de Achada Igreja, acaba de ganhar a sua menina dos olhos, mas os jovens, homens, mulheres e crianças reclamam por outras valências, como praças, placas desportivas e, sobretudo o melhoramento da estrada de acesso à barragem, um troço muito inclinado, estreito e em degradação.

João Baptista Freire reconhece a legitimidade das exigências, mas diz à nossa reportagem que o primeiro passo está dado, e que os rendimentos que irão surgir nas terras irrigadas pela água da barragem de Faveta vão permitir não só construir outras infraestruturas, como também desafogar os cofres deste que é um dos municípios mais pequenos e mais pobres da ilha de Santiago.

“Estou convencido que com a Barragem de Faveta muita coisa vai mudar. Vai trazer mais rendimento às famílias e mais capacidade fiscal por parte do poder local”, espera o João Baptista, dizendo que, além da estrada de acesso à Barragem, a grande prioridade é cultivar as terras. Que venha a chuva!

Ricardino Pedro

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