SOCIAL

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Arguidos no caso de violação de menor no Paul ainda impunes 16 Janeiro 2014

O caso de violação colectiva de uma menor de 13 anos, Djenifer Tiziana Neves Lopes na localidade de Barraca, concelho do Paul, em Setembro de 2012, continua em “banho-maria”, um ano e quatro meses depois do ocorrido. Seis dos oito arguidos ainda não foram julgados, pelo que continuam impunes. Fontes deste jornal acusam o Ministério Público de ‘fazer corpo mole’ num concelho onde nem é grande o volume de processos que dão entrada no tribunal.

Arguidos no caso de violação de menor no Paul ainda impunes

Há oito meses que Manuel Rodrigues Lopes (Ney), arguido que se encontrava em prisão preventiva na cadeia regional de Ponta do Sol, foi condenado a quatro anos e seis meses de cadeia. Eleandro de Jesus Lima Fonseca foi absolvido. Já os “cúmplices” Adelino Lima, o ferreiro Andy, Mateus (condutor de António Aleixo), Jorge Manuel Lucas, Luís Fruta, também ele condutor, e Jorge Paulo Andrade não foram julgados até agora.

Segundo uma fonte ligada ao Ministério Público (MP), “o processo está em fase de instrução para se juntar todas as provas possíveis”. Mas outra fonte acusa o MP na comarca do Paul de estar a fazer “ corpo mole” neste caso, pois as provas já foram todas reunidas pelo tribunal de primeira instância. “Uma vez que consta a declaração da ofendida e o resultado dos exames realizados no Hospital João Morais, em Ribeira Grande, não se percebe onde está a falta de provas. Falta apenas comprovar a paternidade da criança. O teste de DNA não foi feito por falta de meios financeiros por parte do MP, que representa a menor”, alega esta fonte de A Semana.

Ainda a mesma fonte avança que todos os arguidos foram ouvidos na devida altura, assim como a vítima. “Por isso mesmo, não entendo porque é que até agora só foi feita justiça para dois dos oito arguidos” questiona. “Não se justifica tanta morosidade processual numa comarca com poucos processos pendentes”, assevera a mesma fonte.

Perante tanta demora o ICCA estaria fazendo “pressão” sobre o tribunal do Paul, exigindo um julgamento o mais rápido possível, pois a menor já não terá condições para continuar no estabelecimento onde foi acolhida. O delegado do ICCA no Mindelo, Jandir Oliveira, não confirma tal pressão sobre o MP, embora sublinhe o facto de que Djenifer tem o direito de estar com a sua família. “Mas só pode voltar para casa quando tudo estiver concluído”.

Família comovida com o caso

Abordada por A Semana, a avó da menor diz que tem saudades da neta e que desde Maio não teve notícias nem dela nem do seu filho que estão sob tutela do ICCA, em São Vicente. “Eu queria que ela viesse passar um fim-de-semana. Mas disseram-me que ela não pode vir, porque corre o risco de sofrer algum tipo de chantagem ou agressão”, relata comovida.

A avô, D. Antónia, afirma que não sabia que a neta mantinha relações sexuais com os arguidos e que só descobriu quando uma vizinha a alertou que Djenifer estava grávida. “Chamei-a para conversar e ela negou tudo. Mas no dia seguinte, quando eu ia à Polícia dar queixa, os vizinhos colocaram-me a par de tudo”.

A avó de Djenifer assevera que não sabe em que pé anda o processo, porque depois do julgamento dos dois arguidos ninguém a contactou para lhe dar qualquer informação adicional. Já os vizinhos são categóricos ao afirmarem que há mais envolvidos no caso de violação da menina de 13 anos e que os seus nomes só não vêm à baila porque chantagearam os familiares da vítima.

Lucilene Salomão

publicidade

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





Mediateca
publicidade


Cap-vert

Uhau

Uhau